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Historiador e registrador da Igreja oferece maneiras para preservarmos importantes documentos históricos

Élder LeGrand R. Curtis Jr. ressalta como documentos, fotos e outros artefatos familiares podem ser armazenados e registrados, além de como podemos ‘continuar a registrar’ nossas histórias

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Élder LeGrand R. Curtis Jr., diretor executivo do Departamento de História da Igreja de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, discursa ao lado de uma cópia de Doutrina e Convênios 11, escrita à mão por Hyrum Smith, no Edifício Administrativo da Igreja em Salt Lake City, na quinta-feira, 30 de junho de 2022.

Spenser Heaps, Deseret News


Quando a cápsula do tempo armazenada na pedra circular do Templo de Salt Lake — a esfera sobre a qual se encontrava a estátua do Anjo Morôni — foi aberta, Élder LeGrand R. Curtis Jr. estava animado para ver o que poderia estar dentro dela. A cápsula do tempo havia permanecido selada por 128 anos: de 6 de abril de 1892 até maio de 2020, quando foi aberta. 

“Tínhamos uma lista de objetos que deveriam estar lá, e estávamos realmente muito animados com as possibilidades”, disse Élder Curtis, Setenta Autoridade Geral que serve como historiador e registrador da Igreja e diretor executivo do Departamento de História da Igreja. “De acordo com a lista, havia uma fotografia de Joseph Smith. Bem, não temos conhecimento de nenhuma fotografia de Joseph Smith. Então, se realmente houvesse uma fotografia lá, isso seria um verdadeiro achado.”

[Nota: Desde a declaração de Élder Curtis, gravada em um recente podcast do Church News [em inglês], a descoberta de uma possível fotografia de Joseph Smith foi divulgada.]

No entanto, a água havia penetrado a cápsula do tempo do templo, danificando qualquer coisa que fosse de papel. 

“Portanto, os livros e quaisquer fotos que estavam lá não foram retirados em boas condições”, disse Élder Curtis no podcast do Church News [em inglês]. “E, na verdade, nós não sabemos se realmente havia uma fotografia ou se era uma foto de uma das pinturas de Joseph Smith. Temos conhecimento da existência de várias dessas fotos.”

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Presidente Russell M. Nelson, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, examina itens da cápsula do tempo do Templo de Salt Lake em Salt Lake City, na quarta-feira, 20 de maio de 2020.

Jeffrey D. Allred, Deseret News

Os membros da Primeira Presidência quiseram ver a cápsula do tempo aberta. Élder Curtis disse que “havia muita sujeira lá, simplesmente vários objetos que foram desgastados pelo tempo.”

Todavia, alguns objetos foram preservados. 

“O curioso é que os objetos retirados em boas condições foram as moedas que os trabalhadores colocaram na cápsula do tempo”, disse ele. “Então, é um tanto cômico que as coisas oficiais que foram colocadas na cápsula não acabaram em boas condições, mas temos algumas partes interessantes da história com as moedas que encontramos, inclusive algumas que foram especificamente gravadas para serem depositadas.”

Com base nessas experiências com a cápsula do tempo e outros artefatos históricos, Élder Curtis compartilhou maneiras pelas quais as pessoas podem armazenar registros, fotos e artefatos importantes em suas vidas. 

A importância do local

A Biblioteca de História da Igreja tem vários cofres de armazenamento com controles ambientais: dez que são mantidos na temperatura ideal para preservar registros de papel e dois que são mantidos abaixo de zero. 

Embora a maioria das pessoas não tenha esse tipo de controle sobre as condições climáticas em suas residências, Élder Curtis observa que elas devem estar cientes de onde os registros estão armazenados. 

“Às vezes, um sótão muito quente ou um porão que inunda de tempos em tempos pode não ser o melhor lugar para armazenarmos algo e, portanto, guardarmos nossos registros de maneira que eles durem por vários anos é algo muito bom”, disse ele. 

Digitalizar registros

“Migramos os registros para a tecnologia mais atual, então os de papel são digitalizados; migramos as gravações em áudio para as tecnologias mais recentes”, disse Élder Curtis, acrescentando que “seria difícil se apenas deixássemos tudo em fitas de rolo.”

Embora esses toca-fitas ainda estejam disponíveis, “será muito melhor se pudermos migrar essas gravações para tecnologias mais acessíveis.”

A Biblioteca de História da Família oferece serviços de digitalização e conversão de mídia gratuitos. Consulte os Serviços da História da Família para obter informações. 

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Élder LeGrand R. Curtis Jr., dos Setenta, e Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, observam uma máquina de escrever durante visita ao escritório particular de Joseph F. Smith na Beehive House em Salt Lake City, na sexta-feira, 24 de setembro de 2021.

Kristin Murphy, Deseret News

Fazer backup e organizar registros

Élder Curtis viu situações nas quais pessoas trocaram de telefone e perderam suas fotos. Portanto, é importante fazermos o backup de documentos e imagens digitais em um local central. 

E não apenas supormos que estão em um e-mail e nunca serão deletados.

“Atualmente, a era moderna nos proporciona todos os tipos de desafios, pois transmitíamos nossas mensagens quando conversávamos com alguém ou as escrevíamos em um pedaço de papel”, disse ele. “Agora, elas são transmitidas de maneira eletrônica, em sistemas de e-mail onde são deletadas após certo tempo. E, se não tomarmos cuidado, perderemos alguns tesouros que, mais tarde, terão significado para nós em nossa vida e para as futuras gerações.”

Ao organizarem registros, considerem como documentos, fotos, vídeos e outros registros estão disponibilizados agora e como gerações futuras terão acesso a eles, sugeriu Élder Curtis. 

“Sendo sábios a respeito dos registros que vocês guardam, tais como certificados de batismo ou ordenação, formatura do Seminário ou do ensino médio e cartas importantes, tendo uma maneira pela qual possam, essencialmente, mantê-los preservados”, disse ele. 

Fotos

Encontrem uma maneira de anotar detalhes sobre fotos: quem está nelas, o evento e a data, etc. 

“Uma das outras coisas que acontece com as fotografias é que as pessoas tiram uma foto em um evento importante, os anos se passam, e olhamos para tal foto e dizemos: ‘Bem, eu reconheço a tia Maude, mas quem são essas outras pessoas?’”, disse Élder Curtis. “Portanto, escrevam algumas notas sobre quem está na fotografia, ou acrescentem mais alguns detalhes. É incrível como os detalhes e as circunstâncias das coisas que achamos que nunca iremos esquecer se tornam um pouco vagos com o passar do tempo.”

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Livros encontrados na pedra circular e cápsula do tempo do Templo de Salt Lake por Emiline Twitchell, conservadora da Biblioteca de História da Igreja, em Salt Lake City, na terça-feira, 14 de julho de 2020.

Jeffrey D. Allred, Deseret News

‘Continuar a registrar’

Além de cuidarem dos registros familiares que vocês possam ter, “encontrem uma maneira de continuarem registrando suas histórias regularmente”, disse Élder Curtis. 

Houve alguns “grandes jornalistas” na Igreja que escreveram regularmente em um diário, como Wilford Woodruff, que “registou cada dia, desde a época em que se filiou à Igreja até pouco antes de sua morte”, disse Élder Curtis. “Esse diário é um recurso fantástico para nós.” 

“Contudo, algumas pessoas simplesmente acham que não podem escrever todos os dias. Então, para algumas delas, escrever em um diário é uma atividade dominical, na qual refletem sobre a semana e anotam as coisas que aconteceram”, disse ele. 

Além disso, quando Élder Curtis foi desobrigado como bispo, ele anotou em um pequeno livro alguns “registros-sobre-o-fim-de-meu-tempo-de-serviço, como nomes de pessoas com quem eu havia trabalhado e grandes eventos que aconteceram, e é divertido recordar essas coisas”, disse ele.

Ele disse que tenta fazer esses registros de retrospectiva sobre um tempo de serviço ou o final de um ano e dizer: ‘”Bom, esses foram alguns dos grandes eventos’ que, de outra forma, teriam sido perdidos nas brumas da memória e me levariam a refletir: ‘Então, como isso realmente aconteceu?’ e ‘Pois bem, como é que me senti na época?’”, disse ele. “Acho que registrar esses tipos de experiências provou fazer uma verdadeira diferença.”

Outro tipo de registro pelo qual indivíduos entram em contato com o Departamento de História da Igreja é o diário de um parente falecido que contém anotações das palavras de um profeta da época, proferidas durante um discurso para um grupo de pessoas. 

“Temos informações escondidas em todos os tipos de lugares porque pessoas se deram ao trabalho de tomarem nota ou escreverem sobre um evento espiritual em sua vida”, disse Élder Curtis.