Podcast de Mulheres Santos dos Últimos Dias oferece novas formas de conexão com líderes mulheres através da história da Igreja

Como uma das principais historiadoras de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e como gerente historiadora da história das mulheres no Departamento de História da Igreja, Kate Holbrook é uma expert na história das mulheres na Igreja. Seu trabalho permitiu que encontrasse, e em alguns casos desenterrasse, histórias sobre líderes mulheres da Igreja ao longo dos quase 200 anos de história da Restauração.

Em alguns casos, as histórias são bem conhecidas, mas frequentemente, ela se depara com histórias que nunca foram compartilhadas antes ou talvez foram perdidas ou esquecidas com o tempo. E ter a oportunidade de compartilhar essas descobertas e intuições é uma das coisas que ela mais gosta no trabalho de historiadora.

Como, por exemplo, os diários da irmã Leone O. Jacobs. Enquanto trabalhava para juntar discursos de líderes mulheres ao longo da história da Igreja para o livro ‘Ao Púlpito’, Holbrook se deparou com um discurso da irmã Jacobs, que serviu na junta geral da Sociedade de Socorro no meio dos anos 1900.

Antes de contatar algum dos filhos da irmã Jacobs através das páginas brancas e ao colocar suas mãos em alguns diários antigos da irmã Jacobs, Holbrook disse que não tinha ideia de que a Igreja havia estabelecido uma missão na Palestina e Síria antes da Segunda Guerra Mundial. O marido da irmã Jacobs serviu como presidente das missões na Palestina e Síria de 1937 a 1939, que foi quando a família Jacobs foi chamada de volta para casa após a declaração de guerra da Inglaterra com a Alemanha.

“Foi tão significante”, Holbrook disse sobre ter se debruçado sobre os diários da irmã Jacobs e ter aprendido sobre as experiências que ela teve como esposa, mãe e líder numa parte bem diferente do mundo.

Aprendendo e conectando-se com líderes mulheres do passado e do presente – mesmo que somente através das histórias, discursos ou registros que elas deixaram para trás – pode ser uma experiência poderosa para qualquer membro, Holbrook explicou.

Irmãs Belle S. Spafford, Marianne C. Sharp e Louise W. Madsen com a junta geral da Sociedade de Socorro em 1962, com membros da presidência na ponta da mesa. De esquerda para direita: irmã Madsen, Spafford e Sharp, a junta geral da Sociedade de Socorro posa no Edifício da Sociedade de Socorro seis anos após sua inauguração. Membros da junta treinaram unidades da Sociedade de Socorro ao redor do mundo, lideraram a produção de roupas do templo, publicaram a Revista da Sociedade de Socorro e criaram o currículo da Sociedade de Socorro. Fotografia de J. M. Heslop.
Irmãs Belle S. Spafford, Marianne C. Sharp e Louise W. Madsen com a junta geral da Sociedade de Socorro em 1962, com membros da presidência na ponta da mesa. De esquerda para direita: irmã Madsen, Spafford e Sharp, a junta geral da Sociedade de Socorro posa no Edifício da Sociedade de Socorro seis anos após sua inauguração. Membros da junta treinaram unidades da Sociedade de Socorro ao redor do mundo, lideraram a produção de roupas do templo, publicaram a Revista da Sociedade de Socorro e criaram o currículo da Sociedade de Socorro. Fotografia de J. M. Heslop. Credit: Biblioteca de História da Igreja

Seus exemplos “providenciam visões de belas maneiras de viver sua vida”, ela disse. Acrescentando que, “ao trabalhar no livro ‘Ao Púlpito’ a minha visão se expandiu sobre o papel das mulheres na Igreja e em todas as formas diferentes que elas contribuem.”

Por mais que, como historiadora, Holbrook entenda mais que a maioria das pessoas como a história pode influenciar as vidas modernas, ela também está muito ciente do fato de que nem todo mundo gosta de sentar e se debruçar em livros e em histórias como ela faz.

“Todos aprendemos diferentemente e pensamos diferentemente”, Holbrook disse.

Então, para as pessoas que não se sentem inclinadas a sentarem e lerem, a Igreja está trabalhando em tornar as histórias de líderes mulheres na Igreja disponível em outras formas.

Uma nova forma de conectar-se com mulheres do passado

No início de 2019, a Igreja lançou um novo podcast chamado “Mulheres Santos dos Últimos Dias”. De primeira, o podcast foi criado para simplesmente discutir os 54 discursos de líderes mulheres que foram inclusos no livro ‘Ao Púlpito’. Contudo, após receberem feedback de ouvintes que esperavam ganhar mais conhecimento sobre líderes mulheres através de líderes mulheres da Igreja, o podcast se tornou algo ainda melhor, explicou Karlie Brand Guymon e Shalyn Back, co-anfitriãs do podcast.

“O podcast oferece outra maneira para mulheres alcançarem aquele conteúdo e aquelas histórias de uma forma mais acessível, especialmente para mulheres ocupadas”, Guymon disse. “De todas as mídias que consumimos … eu acho que ter um podcast onde as mulheres possam ser inspiradas por outras mulheres, tanto com suas experiências quanto com seus ensinamentos, é algo maravilhoso de se ter.”

Como uma das várias convidadas historiadoras e líderes mulheres que participaram do podcast “Mulheres Santos dos Últimos Dias” por vários episódios durante seu primeiro ano de produção, Holbrook mencionou sua gratidão por poder acrescentar algo ao podcast.

Livros ganham vidas fora de seu conteúdo quando pessoas tem conversas sobre eles e estão dispostas a interpretá-los e mal interpretá-los, Holbrooks disse. “E o podcast é um bom local para alcançar essa vida além do conteúdo original do livro ‘Ao Púlpito’.”

Para sua primeira temporada ou nos primeiros 13 episódios – produzidos na primeira metade de 2019 – o podcast focou unicamente ao redor dos discursos ou conteúdos de ‘Ao Púlpito’.

Irmã Amy Brown Lyman no Treinamento de Serviço Social em Anaconda, Montana, cerca de 1920. Lyman, com óculos no centro da fileira da frente, se tornou uma assistente social treinada após visitas formativas para a Hull House em Chicago e foi uma líder ao implementar o serviço de assistência social na Sociedade de Socorro. Irmã Lyman serviu na junta geral da Sociedade de Socorro por 36 anos, incluindo seu tempo como presidente. Fotografia do Studio Montgomery.
Irmã Amy Brown Lyman no Treinamento de Serviço Social em Anaconda, Montana, cerca de 1920. Lyman, com óculos no centro da fileira da frente, se tornou uma assistente social treinada após visitas formativas para a Hull House em Chicago e foi uma líder ao implementar o serviço de assistência social na Sociedade de Socorro. Irmã Lyman serviu na junta geral da Sociedade de Socorro por 36 anos, incluindo seu tempo como presidente. Fotografia do Studio Montgomery. Credit: Biblioteca de História da Igreja

Reconhecendo, contudo, que o conteúdo do livro é finito, com apenas alguns capítulos para extrair, Back explicou que sua visão do podcast mudou com a segunda temporada.

“Nós adoraríamos criar um podcast que enfatiza as contribuições de mulheres de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, especialmente em várias posições de liderança e em vários locais ao redor do mundo”, Back disse.

Para alcançar esse objetivo e cobrir os tópicos que tanto os leitores do livro quanto os ouvintes do podcast achem significativo, o podcast evoluiu para sua segunda temporada para focar mais nas discussões de tópicos. Ela também traz as vozes de historiadoras convidadas e líderes mulheres antigas ou atuais da Igreja para iniciar conversas sobre tópicos importantes para a mulheres na Igreja hoje.

“Independente das pessoas conseguirem ler ‘Ao Púlpito’, elas podem ainda assim participar do podcast em qualquer episódio e sair com alguns aprendizados e poderão se sentir engrenadas numa conversa significativa sobre princípios do evangelho”, Back disse.

Mensagens e lições que não envelhecem

Back e Guymon explicaram que uma das coisas mais notáveis sobre os discursos do livro que elas discutiram no podcast foi a longevidade e a contínua relevância de suas mensagens.

“Quer tenham sido 15 a 20 anos atrás ou até 50 a 1000 anos atrás (que um discurso tenha sido dado), é quase como se tivesse sido dado ontem ou na conferência geral mais recente”, Guymon disse. “Eles são tão oportunos e relevantes e são realmente mensagens e aprendizados profundos que as mulheres de hoje podem tirar das mensagens.”

Além das mensagens em si, as convidadas do podcast, particularmente historiadoras, são capazes de acrescentarem contextos históricos valiosos para os tópicos discutidos.

Por exemplo, do tempo em que estudou a história das mulheres, Holbrook disse que uma coisa que ela aprendeu foi que “existiram épocas em que mulheres tiveram mais autonomia que outros e isso oscila. Mas, o que tem sido constante é que líderes e membros da Igreja estão sempre prontos para ajudarem numa boa causa.”

Mulheres através da História da Igreja são solucionadoras de problemas que inovam e são dedicadas, Holbrook disse. E para a mulheres na Igreja agora, é importante saberem que “vocês são parte de uma longa tradição de mulheres buscando espaço onde pudessem melhorar algo ou encontrar formas concretas de fazer isso.”

Conferência geral da Sociedade de Socorro em 1962. A primeira conferência geral da Sociedade de Socorro aconteceu em 1889. Essa fotografia do Tabernáculo de Salt Lake mostra uma grande multidão em uma das sessões da conferência de outubro de 1962, em que irmã Louise W. Madsen discursou. Fotografia de Ross Welser.
Conferência geral da Sociedade de Socorro em 1962. A primeira conferência geral da Sociedade de Socorro aconteceu em 1889. Essa fotografia do Tabernáculo de Salt Lake mostra uma grande multidão em uma das sessões da conferência de outubro de 1962, em que irmã Louise W. Madsen discursou. Fotografia de Ross Welser. Credit: Biblioteca de História da Igreja

Ao longo da história, muitas das soluções e inovações criadas pelas mulheres tem se tornado parte da estrutura da Igreja, Holbrook disse.

Outra coisa que Holbrook aprendeu através de seu trabalho como historiadora é a importância de manter um registro para tanto homens quanto mulheres.

Encontrar discursos completamente escritos por mulheres – particularmente nos anos iniciais da Igreja – que poderiam ser incluídos no livro ‘Ao Púlpito’ foi difícil, Holbrook mencionou. Encontrar discursos de mulheres fora dos Estados Unidos ou que foram dados num contexto internacional foi ainda mais difícil.

“Essa é uma coisa que esperamos que melhore no futuro, é que mais membros da Igreja fora dos Estados Unidos mantenham registros das coisas que estão fazendo na Igreja e registrem seus discursos”, ela disse. Espera-se que a existência do livro ‘Ao Púlpito’ encorajar mais pessoas a “manterem cópias dos discursos que derem e façam anotações em seus diários ou qualquer que seja a forma que decidam fazer.”

Historicamente, e até certo ponto ainda hoje, as cartas e discursos de homens tem sido mais registrados, de certa forma, eles foram considerados mais importantes ou autoritários, Holbrook disse. Mas, como historiadora, esse é um conceito que ela espera afastar.

Sua esperança é que tanto o livro quanto o podcast ajudarão mulheres ao redor do mundo a verem que suas palavras e experiências importam e que devem ser registradas e preservadas.

Pessoas na Igreja hoje, particularmente mulheres, estão ansiosas pelas “palavras e intuições e experiências de mulheres de fé”, Guymon explicou, citando alguns dos comentários que receberam dos ouvintes do podcast.

Isso é parte do porquê o podcast é importante, Back acrescentou.

“Pode ser algo que pode conectar todos nós como mulheres e nos ajude a sentir que nossas contribuições são válidas e que elas estão fazendo uma diferença e que não estamos sozinhas”, ela disse. “Mulheres tem sido tão fundamentais ao ensinarem e compartilharem o evangelho, e essa tem sido uma forma incrível de enfatizar isso.”

Da esquerda para a direita, irmãs Jayne B. Malan, Ardeth G. Kapp e Elaine L. Jack da presidência geral das Moças em 1989. Irmã Kapp serviu como presidente geral das Moças de 1984 a 1992. Essa presidência supervisionou a criação do tema das Moças e dos valores das Moças e atualizaram o programa de Progresso Pessoal. Irmã Jack foi presidente geral da Sociedade de Socorro de 1990 a 1997.
Da esquerda para a direita, irmãs Jayne B. Malan, Ardeth G. Kapp e Elaine L. Jack da presidência geral das Moças em 1989. Irmã Kapp serviu como presidente geral das Moças de 1984 a 1992. Essa presidência supervisionou a criação do tema das Moças e dos valores das Moças e atualizaram o programa de Progresso Pessoal. Irmã Jack foi presidente geral da Sociedade de Socorro de 1990 a 1997. Credit: Biblioteca de História da Igreja

Independente de viverem em tempos e situações diferentes, mulheres ao longo da história da Igreja tem encontrado muitas das mesmas dificuldades e sentimentos que mulheres contemporâneas tem, Back disse, e o processo de entendimento disso tem sido inspirador.

Ela acrescentou que, através de seus discursos e histórias, mulheres estão compartilhando maneiras de realmente viverem vidas centralizadas em Cristo e seus exemplos podem ser usados para motivar e inspirar as futuras gerações.

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