Tad R. Callister: A melhor defesa é uma boa ofensiva

Enquanto servia como líder da Igreja, um jovem me procurou pois estava com dificuldades em manter seu pensamento limpo. Disse que muitas vezes pensamentos impróprios surgiam em sua mente e que depois se esforçava para se livrar deles. Perguntei-lhe se tinha uma canção que ele cantava ou uma escritura que citava que o ajudava a eliminar tais pensamentos. Ele disse que sim e isso ajudou, mas às vezes tais pensamentos ainda persistiam ou voltavam.

Em seguida, fiz mais perguntas: “Você ora diariamente?”

“Nem sempre”, foi a resposta. Perguntei sobre sua leitura diária das escrituras; era esporádica. Ele frequentava todas as reuniões da Igreja? “Nem sempre”, foi a resposta. 

Ponderei por um momento e então me veio uma impressão. Disse: “Você gosta de jogar basquete, não é mesmo?”

“Ah, sim!” veio a resposta: “Adoro basquete.”

“Bem, suponhamos por um momento que, no seu próximo jogo, o treinador reúna todos os jogadores pouco antes do início e diga: ‘Hoje à noite, vamos tentar uma nova estratégia — ninguém deve arremessar. Vamos poupar toda a nossa energia e fazer o melhor jogo defensivo já feito.’ O que o seu time poderia esperar fazer de melhor?”

Ele pareceu um pouco perplexo e respondeu: “Um empate de zero a zero.”

“É isso mesmo”, respondi, “e creio que é o que você está fazendo. Você tem jogado na defesa. Quando algum pensamento maligno passa por sua cabeça, você tenta expulsá-lo. Isso é bom, mas é o mínimo do que deveria estar fazendo. Você precisa assumir a ofensiva. Pois, na verdade, a melhor defesa é uma boa ofensiva. Quando a posse de bola for sua, o outro time não pode converter a cesta.”

Tad R. Callister
Tad R. Callister Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Ninguém pode jogar sozinho na defesa e esperar vencer Satanás. Este foi o conselho de Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12: 21), e também o conselho aos santos de nossos dias: “Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão” (Doutrina e Convênios 58:27). Não me admira que Lucas tenha resumido a vida do Salvador — uma ofensiva espiritual — com estas palavras: “[Ele] andou fazendo o bem” (Atos 10:38).

Os pais podem também ajudar seus filhos a assumirem a ofensiva espiritual — vestirem toda armadura de Deus — não só o escudo, mas também a espada da defesa. Eles podem se assegurar de que estejam fazendo orações, tanto de manhã quanto à noite, e que orem por coisas de valor eterno, como força moral e disciplina, a encontrarem um, ou uma companheira eterna digna, como minha mãe me incentivou a fazer, e a buscarem os dons do Espírito que possam refiná-los e aperfeiçoá-los. Então a promessa do Senhor pode se tornar realidade: “Ora sempre… para que venças Satanás” (Doutrina e Convênios 10: 5).

Os pais podem liderar pelo exemplo e ajudar seus filhos a desenvolverem o hábito do estudo diário e poderoso das escrituras. Néfi ensinou: “Banqueteai-vos com as palavras de Cristo; pois eis que as palavras de Cristo vos dirão todas as coisas que deveis fazer” (2 Néfi 32:3).

Mas como isso é possível? Será que as escrituras podem nos dizer com quem devemos nos casar ou que carreira devemos seguir? Em um sentido real — sim. Mas como? Porque as palavras de Cristo nos ensinam princípios corretos e, além disso, convidam o Espírito para que possamos aplicar esses princípios a qualquer desafio específico que confrontemos na vida. Assim, as escrituras não são apenas um escudo de defesa contra a falsidade, mas uma espada que abre o caminho que devemos trilhar na vida.

Podemos e devemos ser proativos ajudando nossos filhos a tomarem a ofensiva em assuntos espirituais.

Sempre que possível, os pais podem incentivar os filhos a assumirem a ofensiva, indo ao templo para realizarem trabalhos vicários e fazendo pesquisa e indexação da história da família. Eles podem ajudá-los a obterem a bênção patriarcal assim que estiverem espiritualmente maduros, sabendo que essas bênçãos ajudarão a reforçar a identidade e o destino divino de seus filhos e, assim, ajudá-los a navegarem naquilo que, de outra forma, poderia ser uma adolescência difícil.

Os pais podem fazer com que seus filhos tenham em seus quartos pinturas edificantes, como as do Salvador e do templo, e que estejam ouvindo músicas e assistindo a filmes inspiradores. Pais e líderes do sacerdócio podem dar bênçãos que fortaleçam as resoluções e exaltem as virtudes de uma vida limpa.

Podemos e devemos ser proativos ao ajudarmos nossos filhos a tomarem a ofensiva em assuntos espirituais. Quando os pais buscarem o Espírito, virá a orientação divina que os ajudará nessa busca — não só ensinando seus filhos a se defenderem contra as tentações do Maligno, mas ainda mais — a conquistá-lo.

Então chegará o momento, devido à retidão dos santos, em que Satanás estará preso e “não [terá] poder … sobre o coração do povo” (1 Néfi 22:26). Conforme ajudamos nossos filhos a assumirem uma ofensiva espiritual, colocamos Satanás na defesa, e assim aceleramos o dia em que não terá mais poder sobre o coração dos filhos dos homens.

— Tad R. Callister é setenta autoridade geral emérita e ex-presidente geral da Escola Dominical.