Professor da BYU ensina como desenvolver uma fé madura “buscando diligentemente”

Quando Steven Harper, um professor de História e Doutrina da Igreja da Universidade Brigham Young, tinha 10 anos, ele e seu melhor amigo metodista decidiram que saberiam qual igreja era verdadeira com base no resultado do jogo de futebol entre as universidades Southern Methodist e Brigham Young, em dezembro de 1980.

“Sem nenhum tempo sobrando no relógio, o quarterback Jim McMahon jogou a bola que Clay Brown pegou em meio a vários defensores na zona final”, Harper relembrou durante um devocional da BYU em 8 de junho. Agora eu sabia qual igreja era verdadeira”, disse ele com um sorriso.

Então, sua conclusão foi contestada quando soube que o passe da vitória foi lançado e apanhado por dois católicos. Mas quando o time de basquete masculino da BYU derrotou Notre Dame na primavera seguinte, graças a uma bandeja de Danny Ainge, tudo ficou claro e simples mais uma vez para sua jovem mente.

“Essa é uma história verdadeira. Bem, na verdade é mais complexo do que isso”, admitiu Harper. “É uma narrativa histórica. Não há nada falso na história, mas ela é exagerada e simples demais.”

Nos dias atuais, narrativas de todos os tipos são abundantes. Para saber quais narrativas são confiáveis e estabelecer a base para um testemunho verdadeiro, Harper recomendou olhar para o conselho do Senhor em Doutrina e Convênios 88:118:

“E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé.”

Outra maneira de ler a primeira linha dessa escritura é: “Visto que nenhum de nós tem muita fé, devemos ser pessoas que buscam”, de acordo com Harper.

“Tornar-se pessoa que busca é um árduo trabalho intelectual e espiritual. É um processo longo, lento e deliberado”, disse Harper. “Uma pessoa que busca pode usar o Google como parte do processo, mas googlear e pesquisar não são sinônimos. E ‘apenas’ orar por algo também não é buscar.”

O professor da BYU, Steven Harper, ensina os alunos sobre como “se tornar uma pessoa que busca”, em um devocional da BYU em 8 de junho de 2021.
O professor da BYU, Steven Harper, ensina os alunos sobre como “se tornar uma pessoa que busca”, em um devocional da BYU em 8 de junho de 2021. Credit: Joey Garrison/BYU

As pessoas que buscam precisam aprender a identificar e interrogar suposições. Harper sempre pergunta a seus alunos, o que eles sabem e como sabem, porque isso os ajuda a estarem cientes de seus próprios processos de pensamento, ou “metacognitivos”.

O livro “A Fé Não é Cega”, de Marie e Bruce Hafen, explica como a fé começa a se desenvolver na simplicidade. Esta simplicidade inclui a fé em verdades, tais como, “Sou um filho de Deus, por Ele estou aqui”, mas também em ideais assumidos como “deu-me um lar, com pais tão bons pra mim.”

Embora essa simplicidade seja “um lugar perfeitamente bom para começar a exercer fé”, o Senhor deseja que Seus filhos desenvolvam uma fé profunda e madura.

“À medida que crescemos, aprendemos que as coisas são mais complexas do que nos foi ensinado e presumido”, disse Harper. “Você não é estranho ou está fora do lugar se está encontrando complexidade, à medida que avança no plano de felicidade.”

Quando a complexidade é confrontada, “tomamos consciência de que existe mais do que uma narrativa, mais do que um ponto de vista. (…) Nós escolhemos se nossa fé vai crescer, continuar infantil ou morrer.”

As pessoas que buscam fazem essa escolha aprendendo diligentemente com as melhores fontes, não “com as opiniões de outras pessoas sobre as melhores fontes”, disse Harper. As pessoas que buscam também aprendem a serem críticas de fontes e a avaliarem cuidadosamente as fontes de conhecimento.

“Tanto o estudo como a fé são vitais. As pessoas que buscam reconhecem que a racionalidade e a experiência espiritual podem ser caminhos confiáveis para o conhecimento e que podem ser instáveis e subjetivos”, ensinou Harper. “As pessoas que buscam não privilegiam a cabeça sobre o coração ou vice-versa. (…) Eles confiam que o Senhor revelará à sua mente e ao seu coração, como Ele prometeu.”

A simplicidade do outro lado da complexidade, como os Hafens a chamam, surge depois de estudar fatos e narrativas intencionalmente.

“Simplicidade é fé ingênua. O outro lado da simplicidade é a fé informada. (…) Para que nossa fé cresça e se desenvolva de acordo com o plano de Deus, devemos aceitar a complexidade, mas não ficar presos a ela”, disse Harper. “O plano é que busquemos nosso caminho da simplicidade à complexidade, pelo estudo e pela fé, até chegarmos à simplicidade do outro lado da complexidade.”

Ele então abordou a questão da tendência de confirmação. Ser tendencioso é uma condição humana, mas o preconceito prospera quando ignoramos as evidências. “Então, o que estou defendendo é que estejamos cientes de nossos preconceitos e os eduquemos.”

Durante a missão de tempo integral de Harper para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ele decidiu se tornar um especialista nas escrituras. Ao voltar para casa, ele se matriculou nos cursos de Hebraico Bíblico e Antigo Testamento na BYU e descobriu a complexidade do Antigo Testamento.

O professor da BYU, Steven Harper, ensina os alunos sobre como “se tornar uma pessoa que busca”, em um devocional da BYU em 8 de junho de 2021.
O professor da BYU, Steven Harper, ensina os alunos sobre como “se tornar uma pessoa que busca”, em um devocional da BYU em 8 de junho de 2021. Credit: Joey Garrison/BYU

“Quanto mais eu estudava o Velho Testamento, menos eu sabia — ou melhor, mais metacognitivo eu ficava sobre o quão pouco eu sabia e sobre como o conhecimento era complicado”, ele contou.

Enquanto Harper estava fazendo seu Ph.D., descobriu a rica documentação da Restauração, incluindo as autobiografias de Joseph Smith, diários, cartas, manuscritos de tradução e manuscritos de revelação. “Foi emocionante perceber que eu poderia estudar o material original escrito à mão de um verdadeiro revelador”, lembrou.

Ele também aprendeu a importância de “desacelerar o suficiente para separar uma premissa, determinar o que ela significa e decidir se pode ser justificada.” Por exemplo, a premissa de que Joseph Smith foi um revelador — “O que isso significa? Isso pode ser justificado? (…) Como chegar a essa definição?”

Trabalhar com “fontes de conhecimento”, como os manuscritos de Joseph Smith e os diários e cartas de um dos primeiros conversos à Igreja, chamado William McLellin, mostrou a Harper que o “trabalho intelectual” pode fortalecer sua fé.

“Também expôs algumas das minhas suposições”, disse Harper. “Ensinou-me a pensar de forma mais cuidadosa e crítica. (…) Ensinou-me a esperar e lidar com a ambigüidade e o paradoxo das pessoas, incluindo profetas como Joseph Smith e apóstolos como William McLellin.”

Harper convidou os ouvintes a fazerem sua própria busca e expressou sua “justificada confiança em sua capacidade de buscar diligentemente, estudando os melhores livros enquanto exerce fé. E eu tenho boas razões para acreditar que o Senhor irá lhes dizer, em sua mente e em seu coração, através do Espírito Santo.”