Três mitos sobre envelhecimento e como encontrar vitalidade em todas fases da vida

Embora algumas pessoas gostem de se referir ao envelhecimento como “aposentadoria e descanso”, Norman Hill, ex-presidente das missões Gana Acra Oeste e Serra Leoa Freetown, e professor associado afiliado do Ballard Center for Social Impact da Universidade Brigham Young, prefere pensar que “mesmo à medida que envelhecemos, há muito a fazer e muito a ser.” 

Recentemente, Hill participou de um podcast do Church News [em inglês] para falar sobre o que aprendeu a respeito da velhice, tanto por sua própria experiência quanto pela de outras pessoas, e como muitas crenças populares referentes ao envelhecimento são incorretas.

No ano passado, Hill trabalhou com um comitê para elaborar uma pesquisa de saúde e bem-estar que foi administrada a mais de 2.000 pessoas no Condado de Washington, Utah. Ele também conduziu várias entrevistas com pessoas com mais de 60 anos.

“A análise desses dados me ofereceu ótimas percepções”, disse ele.

Vários líderes da Igreja ofereceram conselhos sobre o envelhecimento, como o Presidente Boyd K. Packer, falecido apóstolo, que disse que “há tanto que fazer e tanto para ser. Não se aposentem da vida, não se dediquem só aos divertimentos. Para alguns, isso seria inútil e até egoísta.”

Hill também obteve sabedoria com Presidente Spencer W. Kimball que, após ser questionado se estava “desacelerando” à medida que envelhecia, respondeu: “Não, prefiro me desgastar do que enferrujar.”

A abordagem de olharmos para o futuro, disse Hill, “muda nossa perspectiva e nos transforma de uma maneira diferente. … Gosto de dizer que, à medida que procuramos o lado positivo do envelhecimento, ficamos mais velhos sem envelhecermos.”

Ele compartilhou três mitos sobre o envelhecimento, os quais ele chama de “zumbis da longevidade”.

“Um zumbi é algo ou alguém que não está mais em plena vitalidade. Um zumbi da longevidade é uma crença ou conceito, na verdade morto pelas evidências, mas que continua presente assustando pessoas porque é repetido com muita frequência”, explicou ele.

O primeiro “zumbi da longevidade” a que ele se referiu foi que “burro velho não pega marcha.”

De fato, não há evidências de declínio cognitivo na velhice, de acordo com o Dr. Timothy Salthouse da Universidade de Virgínia. “A pesquisa e a evidência são (que) podemos aprender coisas novas, independentemente de nossa idade”, disse Hill.

O segundo mito é que os idosos causam mais acidentes de trânsito. Em 2015, a American Automobile Association [Associação Norte-americana de Automóveis] realizou um estudo que constatou que pessoas de 60 a 69 e de 70 a 79 anos de idade têm os melhores registros de habilitação em termos de segurança. 

O último mito mencionado por Hill é que a saúde física diminui com a idade. 

“Do ponto de vista da ciência da saúde, os pesquisadores de hoje estão descobrindo que a vitalidade ocorre tanto na faixa dos 80 e 90 anos, como vemos com Presidente [Russell M.] Nelson — estamos todos tentando acompanhar seu ritmo — quanto em qualquer idade mais jovem, desde que sejamos ativos, nos aproximemos de outras pessoas e façamos e experimentemos coisas novas”, disse ele.

Para os idosos, ignorar a saúde, a nutrição, o exercício e a curiosidade é “iniciar um declínio acentuado.”

Enquanto estava em Gana, Hill aprendeu uma frase em twi, uma língua regional: “Anoma anntu a, obua da.” 

“Em português, a tradução aproximada é: ‘Um pássaro deve deixar o ninho para obter uma minhoca.’ É essa sensação de sempre querer fazer algo mais, de olhar para o futuro, que mantém as pessoas jovens.”

Ele também falou sobre os benefícios de prestarmos serviço, especialmente para as pessoas que lidam com a solidão.

“Quando olhamos além de nós mesmos, mudamos a maneira como pensamos a nosso respeito”, disse ele. “Está bem documentado que a gratidão e o serviço ao próximo também nos beneficiam fisicamente. Eles nos relaxam. Mudam nosso senso de ansiedade. Minimizam a depressão comum.”

Uma maneira especialmente importante de nos aproximarmos de outras pessoas envolve entrarmos em contato com nossa família para compartilharmos a história da família, e “garantirmos que a mensagem do evangelho seja transmitida a cada geração — acho que é uma atividade tão interessante e importante quanto qualquer um de nós possa imaginar”, disse Hill.

Contar histórias da família para filhos e netos pode ajudá-los a desenvolverem a autoestima e o autoconceito. “Além de desejarmos ser capazes de compartilharmos essas experiências, elas parecem fazer diferença, tanto emocional quanto espiritualmente, para as crianças mais jovens.”

Ele testificou que, por meio do exercício físico e espiritual, a vitalidade e o crescimento podem ser mantidos em todas as idades.

“Ao vivermos o evangelho e procurarmos constantemente coisas novas para fazermos e sermos, o Senhor nos abrirá portas que nunca poderíamos imaginar.”