Sarah Jane Weaver: O que a qualidade que líderes da Igreja exemplificam, ensina em momento definido pela divisão

Meu trabalho como repórter me oferece uma visão única de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, através do que muitas vezes me refiro como “a janela do Church News”.

A partir desta perspectiva, tenho escrito a respeito dos líderes gerais da Igreja e os observado. Eles chegam ao seu serviço com pontos fortes e habilidades únicas, cada um deles deixando carreiras como líderes em medicina, direito, educação ou negócios.

Mas todos também têm algo em comum.

Eles são amáveis. Eles são muito amáveis.

Essa amabilidade os compele a conversarem com estranhos em aeroportos ou aviões quando estão cansados. Ela os leva a apertarem mais uma mão, ou sorrirem para mais uma criança. Em algumas ocasiões, ela guiou suas reações quando falhei em minhas responsabilidades de documentar seu ministério como parte de um registro vivo da Restauração.

Eles estão liderando a Igreja durante um momento único na história — um momento definido pela divisão. Mesmo dentro da Igreja, discordamos sobre a maneira como lidamos com a pandemia global de COVID-19, além de questões políticas e sociais.

Há alguns meses, centenas de leitores do Church News me escreveram com opiniões fortes e legítimas sobre um artigo que eu havia publicado. Conforme lia as diversas opiniões de tantos santos dos últimos dias ativos e fiéis, cheguei a uma profunda conclusão: todos estavam certos. Todos representavam virtudes. Todos comunicaram uma mensagem ponderada, racional e poderosa sobre as questões que cruzam sua vida e definem suas perspectivas.

Aprendi uma simples lição. Evitar a contenda é mais difícil quando cada uma das opiniões divergentes contém verdades.

Esta pode ser a razão pela qual nos encontramos como membros de uma Igreja cercada por divisões.

Olhando adiante com visão profética, os líderes gerais nos forneceram um modelo para esta época há apenas alguns meses na conferência geral de abril de 2021.

O conflito, a contenda e a incivilidade geral são abundantes no mundo de hoje, disse Élder Jeffrey R. Holland do Quórum dos Doze Apóstolos.

“Estamos a enfrentar uma espécie de Terceira Guerra Mundial, que não é uma luta para esmagar os nossos inimigos, mas sim um recrutamento que mobiliza os filhos de Deus a cuidarem mais uns dos outros e a ajudarem a curar as feridas que encontramos num mundo em conflito”, disse ele.

“A Grande Depressão que enfrentamos agora tem menos a ver com a perda externa das nossas economias e mais a ver com a perda interna da nossa autoconfiança, com défices reais de fé, esperança e caridade a toda a nossa volta.” 

Élder Dieter F. Uchtdorf do Quórum dos Doze Apóstolos, testificou que Deus vive e se importa com cada um de nós, mesmo em momentos de tumulto, confusão e caos.

Durante sua juventude — uma outra ocasião em que o mundo estava se afogando em cinismo, amargura, ódio e medo — a mensagem do evangelho “transcendeu a política, a história, os rancores, as queixas e as agendas pessoais”, disse ele. “É surpreendente o que podemos aprender quando examinamos um pouco mais de perto o plano de salvação e exaltação do nosso Pai Celestial, o plano de felicidade, para os Seus filhos.” 

Élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse que a bondade é um princípio de cura fundamental do evangelho que pode curar corações emocional, espiritual e até mesmo fisicamente.

Devemos nos lembrar das palavras da música “Eu quero ser como Cristo” — “Ame a seu próximo como Jesus ama você e seus passos conduz. Gentil e bondoso você deve ser.”

Os adultos têm a responsabilidade de serem modelos de bondade, inclusão e civilidade — “de ensinarem o comportamento cristão a nova geração pela maneira como falam e agem. Isso é especialmente importante devido às mudanças marcantes que temos observado na sociedade como divisão na política, nas classes sociais e em quase qualquer assunto em que as pessoas façam distinção.”

Jesus Cristo convida todos a se tornarem como Ele — e a fazerem de Sua Estalagem (Sua Igreja), um refúgio para as tempestades da vida, ensinou Élder Gerrit W. Gong do Quórum dos Doze Apóstolos. Os discípulos do Senhor chegam à Sua estalagem com imperfeições, disse ele. “Contudo, todos temos algo necessário para contribuir. Nossa jornada em direção a Deus é frequentemente trilhada em conjunto. Pertencemos a uma comunidade unida.”

Há tantos assuntos para discutirmos agora — imunizações, máscaras, como os políticos estão se saindo ou se estão ou não qualificados para servir. Há muitas coisas com que nos preocuparmos agora — agendas políticas, tensões raciais, estresses econômicos e questões LGBTQ, só para citar algumas — que podem parecer diferentes para cada família e circunstância. Há muitos lugares em que podemos compartilhar nossas opiniões — nas redes sociais, com nossas famílias e até mesmo na Igreja.

Mas podemos estar unidos em nossa crença em Jesus Cristo, em Sua Igreja, e em nossa determinação de seguirmos Seus profetas.

“Há forças poderosas que procuram nos separar da união que nos fortalece. Essas forças são incessantes”, disse Presidente Dallin H. Oaks em Seattle, Washington, na semana passada.

Em seguida, ele nos deu a resposta. É a bondade suprema. “Somos todos filhos de Deus e essa é a nossa característica mais importante. Precisamos nos unir em amor.”

Durante a conferência geral, Presidente Russell M. Nelson compartilhou as lições que aprendeu durante a pandemia.

Uma lição reflete a bondade que define grande parte de seu ministério.

“Precisamos uns do outros”, disse ele.