Presidente Worthen da BYU compartilha sua visão de como criar uma comunidade de inclusão, com ‘corações entrelaçados em amor’

No devocional de abertura do campus há dois anos, Kevin J Worthen, presidente da BYU, discursou sobre a necessidade de nos reunirmos fisicamente.

Citando a observação do Profeta Joseph Smith de que “a sociedade compacta é absolutamente necessária” para a iniciativa educacional, presidente Worthen declarou em 2019 que “há algo sobre a proximidade física — sobre a reunião em uma sociedade compacta — que é essencial para … o tipo de educação que é mais importante.”

Em seu devocional de abertura para o semestre de outono [no hemisfério norte] na terça-feira, dia 7 de setembro, presidente Worthen refletiu sobre seu discurso anterior e comentou: “Essa foi uma declaração que não ficou bem.”

Apenas seis meses depois, a pandemia da COVID-19 fez com que sua mensagem de reunião fosse substituída por um apelo à dispersão e ao distanciamento social.

Embora o seu discurso na terça-feira possa ter sido uma oportunidade para confessar um erro, presidente Worthen decidiu “dobrar o conceito de reunião e proximidade.”

“Embora precisemos ajustar temporariamente algumas características do nosso esforço educacional até que a pandemia diminua, a meu ver, é mais importante do que nunca que estejamos uns com os outros durante este processo educacional — que façamos parte de uma comunidade”, disse presidente Worthen.

Há um desejo profundo e duplo, explicou presidente Worthen, de nos associarmos uns com os outros e criarmos comunidades e, ao mesmo tempo, mantermos nossa individualidade, sendo livres para agirmos, independentemente de restrições externas.

Kevin J Worthen, presidente da BYU, discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021.
Kevin J Worthen, presidente da BYU, discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021. Credit: Jaren Wilkey, BYU Photo

O cientista político Robert Putnam escreveu sobre como seres humanos parecem oscilar entre o desejo de serem incluídos e quererem ficar sozinhos.

“Isto é, em parte, um reflexo do fato de que, dependendo de sua definição e composição, as comunidades podem levar a resultados desejáveis ou deploráveis”, disse presidente Worthen.

Definições de comunidade excessivamente limitadas e distorcidas podem ter efeitos devastadores, enquanto comunidades inclusivas podem se tornar forças poderosas para melhorarem a condição humana.

Tendo isso em mente, presidente Worthen então compartilhou sua visão do tipo de comunidade que ele espera que possa ser criada nos próximos anos, à medida que estudantes e professores se reúnem “nesta sociedade compacta na BYU.”

Referindo-se à declaração de missão da universidade, presidente Worthen salientou que a missão final da BYU é “ajudar as pessoas em sua busca pela perfeição e vida eterna.”

As pessoas dentro da comunidade universitária têm um distinto papel educacional a desempenhar nesse processo. “Na comunidade que esperamos criar, os estudantes serão estimulados e desafiados intelectualmente de maneiras que nem sempre podem ser confortáveis — mas devem ser sempre repletas de fé — para ajudá-los a alcançarem seu pleno potencial como filhos de Deus”, disse presidente Worthen.

A declaração da missão da BYU observa que, “Para termos sucesso nesta missão, a universidade deve proporcionar um ambiente iluminado por profetas vivos e sustentado pelas virtudes morais que caracterizam a vida e os ensinamentos do Filho de Deus.”

As pessoas na comunidade educacional da BYU são abençoadas pela orientação de profetas, videntes e reveladores, disse presidente Worthen. “Devemos aproveitar essa bênção ao máximo se quisermos criar o tipo de comunidade que buscamos.”

Um desafio atualmente enfrentado pela universidade é que o pêndulo na sociedade está oscilando na direção do individualismo, em oposição à comunidade, explicou presidente Worthen.

“Nosso senso de comunidade diminuiu, enquanto nosso senso de solidão e isolamento aumentou. Apesar do aumento do número de pessoas com as quais temos contato por meio das redes sociais, nossa necessidade inata de estarmos profundamente conectados com outras pessoas está cada vez mais insatisfeita. Além disso, esses mesmos recursos oferecidos pelas redes sociais nos afastam cada vez mais de qualquer contato pessoal com aqueles que discordam ou são diferentes de nós. Assim, nossa sociedade se torna cada vez mais polarizada e irada, e mais pessoas se sentem marginalizadas — mesmo neste campus.”

Kevin J Worthen, presidente da BYU, discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021.
Kevin J Worthen, presidente da BYU, discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021. Credit: Jaren Wilkey, BYU Photo

É necessário nos concentramos mais especificamente na criação e no fortalecimento de uma comunidade de inclusão, “na qual todos os membros reconheçam as bênçãos plenas que advêm de nos reunirmos em uma comunidade vibrante e determinada, com aprendizes e pessoas que os elevam”, disse presidente Worthen.

Na Conferência Universitária Anual há algumas semanas, presidente Worthen apresentou uma Declaração de Inclusão, baseada no trabalho do Comitê de Raça, Igualdade e Inclusão.

Durante seu discurso no devocional, presidente Worthen ressaltou que a declaração começa com dois princípios-chave que se unem. “Qualquer comunidade deve, em última instância, ser definida fundamentalmente pelo que seus membros têm em comum. Se eles não compartilham nada em comum, não pode haver uma comunidade. E sobre este tema nesta universidade, os dois pontos que mais nos unem podem nos distinguir e nos diferenciar de muitas outras universidades.”

Citando a declaração, presidente Worthen disse: “Estamos unidos por nossa identidade primária comum como filhos de Deus e por nosso compromisso com as verdades do evangelho restaurado de Jesus Cristo.”

“Esse entendimento comum é mais poderoso do que muitos podem imaginar…”, disse presidente Worthen. “Nossa compreensão de nosso relacionamento com Deus e de Seu plano para nós não aumenta apenas nossa confiança e autoestima, mas, mais importante, nossa capacidade e desejo de amarmos a todos com quem entramos em contato, conforme reconhecemos seu valor e potencial infinitos.”

Unidos pela compreensão dessas verdades do evangelho, “nos esforçamos para criarmos uma comunidade de inclusão composta por estudantes, professores e funcionários, cujos corações estão entrelaçados em amor”, disse ele, citando novamente a declaração.

A frase “corações entrelaçados em amor” é interessante e significativa, observou presidente Worthen.

O coração representa o âmago de uma pessoa. Em uma comunidade de inclusão, “uma parte deste eu existencial central deve ser voluntariamente sacrificada ao grupo, de forma a ampliar tanto nossas habilidades individuais quanto comunitárias.”

Entrelaçar, explicou presidente Worthen, é um processo em que se utiliza tecido ou fio para fazer um produto que consiste em muitas fileiras consecutivas de laços conectados. “Assim, entrelaçar envolve múltiplas conexões de reforço, já que os diferentes laços são unidos para criarem um único produto.”

Enquanto peças que são tecidas normalmente só podem ser esticadas ao longo do viés, tecidos entrelaçados podem ser esticados em todas as direções. “Precisaremos desse tipo de flexibilidade em nossos esforços para criarmos uma comunidade de inclusão, porque entrelaçar corações nos esticará de maneiras que desafiarão e testarão cada um de nós”, disse presidente Worthen.

Assim como os laços de uma peça entrelaçada se desfazem quando o fio é puxado e não estiver preso, “se nossos corações não estiverem presos a Deus e às Suas verdades e mandamentos, todo o projeto de entrelaçamento pode se desfazer rápida e completamente.”

A irmã Peggy Worthen discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021.
A irmã Peggy Worthen discursa durante o devocional de abertura para o semestre de outono no Marriott Center no campus da BYU, no dia 7 de setembro de 2021. Credit: Jaren Wilkey, BYU Photo

Presidente Worthen compartilhou então, três coisas que podem ser feitas para arrematarmos o entrelaçamento que já foi feito e acelerarmos o ritmo do que ainda precisamos fazer, para criarmos uma comunidade de inclusão, na qual os corações estão unidos em amor.

Primeiro, enxerguem outras pessoas primeiramente como filhas de Deus. “Nossa inclinação inicial como indivíduos decaídos é enxergarmos os que estão à nossa frente principalmente por seu gênero, raça, afiliação política, orientação sexual, classe econômica, ou outras características distintas. Essas identidades podem ser importantes de vez em quando, mas todas são secundárias o tempo todo. A nossa incapacidade de nos lembrarmos constantemente disso é a causa de muitas feridas desnecessárias — e falhas no produto final.”

Presidente Worthen disse que, se as pessoas vissem aquelas com quem discordam através desta lente, “isso não só melhoraria o tom da discussão, como também a qualidade das decisões que são tomadas.” Mais importante ainda, isso mudaria o ambiente geral e enterneceria os corações, tornando-os mais adequados para o entrelaçamento.”

Segundo, pensem mais em termos de “nós”, e menos em termos de “eu”. Isto exigirá um esforço consciente, disse ele. “Se nos esforçarmos para pensarmos mais em termos de ‘nós’, e menos em termos de ‘eu’, poderemos considerar mais frequentemente como nossas palavras e ações afetam, não apenas a nós, mas também as pessoas ao nosso redor. Poderíamos nos perguntar: ‘Esta ação realmente contribui para a criação de uma comunidade de inclusão, ou apenas cria mais divisões?’ As respostas a essa pergunta nem sempre serão fáceis. Mas considerarmos esta questão nos ajudará a criarmos um ambiente de inclusão em que todos se sintam bem-vindos e amados.”

A terceira sugestão de presidente Worthen foi “confiem em Deus”.

“Porque entrelaçar corações requer moldar em nós mesmos as vontades e os sentimentos individuais de cada membro de uma comunidade, requer habilidades além das possuídas pelo cirurgião humano mais habilidoso. Enfim, é uma tarefa que só Deus pode realizar”, disse ele.

Por causa das experiências dos seguidores de Alma, cujos corações estavam entrelaçados em amor, em um lugar chamado Mórmon, as escrituras registram que “as águas de Mórmon, a floresta de Mórmon, quão belas são aos olhos daqueles que ali vieram ao conhecimento de seu Redentor” (Mosias 18:30).

“Espero que, por causa de nossos esforços para criarmos uma comunidade de inclusão, possamos um dia dizer, o campus da BYU, as montanhas da BYU, os edifícios da BYU, quão belos são aos olhos dos que ali vieram ao conhecimento de seu Redentor, pois seus corações estavam entrelaçados em amor”, declarou presidente Worthen.

A irmã Peggy Worthen também discursou para os alunos e os encorajou a nunca terem medo de pedir ajuda, especialmente ao Salvador Jesus Cristo. “É minha oração, durante este tempo de incerteza, que vocês não tenham medo dos desafios que são inevitáveis”, disse ela. “Preparem-se ao se esforçarem para permanecerem no caminho do convênio. Lembrem-se de orarem sempre para ficarem em sintonia com nosso Pai Celestial, que está atento a cada um de nós e quer que sejamos felizes e bem-sucedidos. Lembrem-se também de que vocês não estão sozinhos em sua jornada. Portanto, estejam preparados para pedir ajuda — nós precisamos do Pai Celestial e uns dos outros.”