Estudantes da BYU-Idaho são incentivados a se ‘manterem pacientemente em lugares santos’

No devocional de abertura para o semestre de outono [no hemisfério norte], Henry J. Eyring, presidente da BYU-Idaho, reconheceu a frustração sentida por muitos estudantes após demonstrarem longanimidade e paciência durante cinco semestres de interrupções relacionadas à pandemia.

Após destacar muitas das medidas de proteção que estão sendo tomadas pela instituição para o próximo semestre — incluindo a exigência do uso de máscaras nos edifícios do campus e o incentivo para que os estudantes sejam vacinados —, presidente Eyring elogiou a fé, a paciência e o otimismo demonstrados pela comunidade da universidade.

“Muitos de vocês suportaram mais de um semestre de decepções e dificuldades”, disse presidente Eyring durante seu discurso na terça-feira, dia 14 de setembro. “Apesar dos seus melhores esforços e dos de seus colegas de quarto, professores universitários, líderes da Igreja e membros de suas famílias, esta tem sido uma época de formação de caráter muitas vezes frustrante. Obrigado por sua perseverança.”

Quando se trata das aspirações da vida, esperar mais do gostaríamos é algo normal, disse presidente Eyring. “Faz parte de nossa natureza humana querermos encontrar caminhos diretos e curtos para realizarmos nossos sonhos. Entretanto, nossa existência mortal é uma oportunidade divinamente preparada para aprendermos a ter paciência, conforme nos esforçamos para melhorar.”

Presidente Eyring ressaltou que o termo “esperar” aparece nas escrituras mais de 160 vezes.

As escrituras, continuou ele, mostram muitas pessoas fiéis que esperaram pacientemente, como Isabel, que já era de idade avançada quando teve João Batista, e Morôni, a quem foi dada a responsabilidade de salvaguardar o registro escriturístico.

Henry J. Eyring, presidente da BYU-Idaho, discursa durante um devocional no campus na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021.
Henry J. Eyring, presidente da BYU-Idaho, discursa durante um devocional no campus na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021. Credit: Captura de tela byui.edu

Presidente Eyring compartilhou que, no painel de discussões dos devocionais da BYU-Idaho, muitos estudantes compartilharam experiências nas quais foram pacientes durante dificuldades, mas depois, reconheceram grandes bênçãos. Um deles, Joseph Kemper, compartilhou como levou 12 anos após sua missão para se casar. “Não foi porque eu não estava namorando, ou porque queria protelar o casamento; foi simplesmente como as coisas aconteceram. Eu namorava tão frequentemente quanto podia, na esperança de me casar”, escreveu Kemper.

Com o passar dos anos, ele começou a se perguntar se havia algo de errado com ele. “Graças a uma inspiração do Espírito, obtive uma compreensão maravilhosa. Eu era e sou um membro da Igreja digno e frequentador do templo, que tem direito a todas as bênçãos que Deus está pronto a conceder. Então veio a maravilhosa compreensão de que Deus apenas havia planejado um cronograma diferente para mim.”

Em cada caso, havia um propósito divino na espera, disse presidente Eyring. Por exemplo, no caso de Maria e Isabel, “um milagre de concepção e paciência foi necessário para reunir João e Jesus como primos de idade semelhante e pregadores do evangelho, duas testemunhas proféticas poderosas para o povo escolhido do Senhor. O preço disso, porém, foi a angustiante esperança e espera de Isabel e Zacarias.”

A paciência e a longanimidade não surgem naturalmente para a maioria das pessoas, disse presidente Eyring. O apóstolo Tomé foi valente na causa do evangelho, a ponto de arriscar sua própria vida (ver João 11). No entanto, apesar de seu zelo e bravura, Tomé, mais tarde, teve dificuldade para acreditar que o Salvador havia ressuscitado após sua morte na cruz.

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Presidente Eyring disse que, às vezes, luta contra o ceticismo em sua própria vida. “Devemos ter cuidado para evitar o pessimismo. Nossa mente e nosso coração devem frear nossos medos e instintos humanos.”

Termos uma parcialidade, ou tendência, para a paciência e o otimismo não é apenas uma forma de nos sentirmos mais felizes. Apesar dos desafios da vida, “a verdade é que este mundo está ficando melhor em muitos aspectos.”

O desafio de olharmos para o lado mais brilhante e verdadeiro das coisas pode ser difícil, em parte porque as notícias tendem a “enfatizar eventos negativos e pessoas infelizes”, disse ele.

“Por outro lado, as boas notícias — como a gentileza para com membros da família, amigos e até mesmo estranhos — são apreciadas em particular, mas raramente promovidas publicamente. O efeito resultante é uma tendência de enxergarmos o mundo como geralmente competitivo, egoísta e repleto de discórdia e má vontade.”

A realidade divina é que o Pai Celestial e o Salvador Jesus Cristo criaram um mundo que foi preconcebido para proporcionar um ambiente de aprendizado ideal para todos os filhos de Deus que aceitaram o plano de felicidade do Salvador, disse presidente Eyring. “Vocês e eu somos abençoados por estarmos em um ambiente rico para desenvolvermos capacidades individuais e colaborarmos com outros aprendizes. Não há tempo melhor para estarmos na Terra, com coisas maiores por vir.”

Quando forem confrontados com decisões importantes ou “crises de confiança”, presidente Eyring encorajou seus ouvintes a esperarem pacientemente pela orientação do Espírito.

“Em meus melhores dias, espero pacientemente pelas inspirações do Espírito para agir, buscando paz na mente e no coração. Em Lucas 21:19, Jesus nos aconselha: ‘Na vossa paciência possuí a vossa alma.’ Tentar possuir minha alma me dá tempo para esperar e ver o que o céu tem reservado”, disse presidente Eyring.

As percepções espirituais e intelectuais se constroem com tempo e experiência, disse ele, mas durante todo o processo “o Espírito Santo pode nos acalmar e nos fortalecer. À medida que nos mantemos em lugares santos, Ele pode consolar nosso coração e clarificar nossos pensamentos.”

Em conclusão, ele testificou: “Conforme nos mantemos pacientemente em lugares santos, podemos realmente possuir nossas almas.”

A irmã Kelly C. Eyring, esposa de Henry J. Eyring, presidente da BYU-Idaho, discursa durante um devocional no campus da BYU-Idaho, no dia 14 de setembro de 2021.
A irmã Kelly C. Eyring, esposa de Henry J. Eyring, presidente da BYU-Idaho, discursa durante um devocional no campus da BYU-Idaho, no dia 14 de setembro de 2021. Credit: Captura de tela byui.edu

A primeira dama da BYU-Idaho, a irmã Kelly Eyring, relatou um incidente neste último verão no qual, enquanto ela e sua família faziam uma caminhada, seus pensamentos começaram a se voltar para um incidente com ursos que havia ocorrido no ano anterior. De repente, um esquilo correu pela trilha, e a irmã Eyring gritou.

“Eu havia deixado minha mente ir para um lugar de preocupação e medo, e portanto, o próprio movimento do esquilo causou uma reação desproporcional. Eu não esperava que os arbustos farfalhassem, e que uma pequena criatura peluda cruzasse meu caminho”, recordou ela.

Embora este semestre do outono seja diferente do que muitas pessoas esperavam, a irmã Eyring disse: “Sei que a preocupação com o que pode acontecer, ou mesmo com o que está acontecendo, não é produtiva e nem me deixa feliz. Ela apenas me deixa assustada, e com medo de tudo que cruza meu caminho.”

O melhor “repelente de urso” para pensamentos é encontrado no mandamento de “amarmos a Deus e ao próximo”.

“Podemos mostrar nosso amor a Deus tentando ser mais como Ele”, disse a irmã Eyring. “Podemos ser melhores em demonstrar amor uns pelos outros neste semestre. Podemos dar a nossos companheiros de quarto, cônjuges e filhos mais amor e paciência. Podemos manter nossos pensamentos muito ocupados com estas duas ideias aplicáveis.”