Professora e pesquisadora da BYU compartilha seis formas de se combater a solidão e aumentar a conexão social

Embora complexa e complicada, a conexão social afeta quase todos os setores da sociedade, disse Julianne Holt-Lunstad, uma professora de Psicologia e Neurociência da Universidade Brigham Young. 

“Precisamos uns dos outros”, acrescentou ela. “Aprendi … como nossos relacionamentos são divinamente essenciais para todos os aspectos de nossa vida.”

Holt-Lunstad passou duas décadas pesquisando os efeitos a longo prazo da conexão social sobre a saúde. Ela participou recententemente de um podcast do Church News para discutir a importância da conexão humana e compartilhou formas para combatermos a solidão individual e coletivamente.

Em 2015, ela analisou dados de 148 estudos diferentes em todo o mundo, e descobriu que a falta de conexão “carregava um risco semelhante ao de fumar até 15 cigarros por dia”, disse ela. “Também foi comparável, ou excedeu, o risco associado ao consumo excessivo de álcool, inatividade física, obesidade e poluição do ar.”

De acordo com Holt-Lunstad, os relacionamentos afetam a saúde de várias formas. Por exemplo, os membros da família ou amigos próximos “cuidarão de nosso bem-estar”, incentivando comportamentos saudáveis, como dormir o suficiente ou consultar um médico.

Após meses definidos pela pandemia de COVID-19, milhares de pessoas em todo o mundo estão ansiosas por conexão social.
Após meses definidos pela pandemia de COVID-19, milhares de pessoas em todo o mundo estão ansiosas por conexão social. Credit: panitan-stock.adobe.com

As conexões sociais também têm um impacto biológico — a falta de proximidade com indivíduos de confiança pode desencadear um estado fisiológico elevado de alerta e ameaça, o que pode levar ao aumento de sinalização na frequência cardíaca e pressão arterial, circulando hormônios de estresse ou inflamação. Quando a inflamação é cronicamente elevada, ela “pode nos colocar em maior risco para uma série de doenças crônicas”, disse Holt-Lunstad, “mas também pode aumentar nosso risco de problemas de saúde mental, como a depressão e problemas de saúde cognitiva, tais como deficiência cognitiva leve, demência e Alzheimer.”

Como a pandemia de COVID-19 deixou milhares de pessoas em todo o mundo isoladas e sem as interações sociais de costume, os pesquisadores examinaram até que ponto este isolamento levou ao aumento da solidão. Uma análise de 32 estudos revelou que o nível de solidão que as pessoas sentiam, não apenas aumentou, mas também houve um aumento no número de indivíduos que relataram se sentir solitários. A pesquisa também descobriu que algumas pessoas são mais suscetíveis do que outras. “Isto também é muito importante para compreendermos quais fatores contribuem para a resiliência, e como podemos usar estas informações … para ajudar as pessoas.”

Ajudem os outros

“Fornecermos apoio ao próximo, em alguns casos, pode ter um benefício ainda maior (do que recebermos apoio), o que eu acho que pode ser surpreendente para algumas pessoas”, disse Holt-Lunstad. “Mas o que isto sugere é que ajudarmos outras pessoas é uma das melhores maneiras de ajudarmos a nós mesmos.”

Ouça o podcast do Episódio 48 do Church News com Julianne Holt-Lunstad [em inglês]

Ela acredita que ajudarmos outras pessoas é benéfico por causa do senso de significado e propósito que proporciona, e também porque pode levar a um vínculo social maior e criar um relacionamento mais forte. 

Sejam genuínos

Ao estendermos a mão para outras pessoas por meio da ministração ou qualquer outro relacionamento, é fundamental sermos genuínos, em vez de agirmos mecanicamente. A construção de laços de confiança acontece “com tempo,  sinceridade e sensibilidade”, disse Holt-Lunstad. “Até que ponto faremos isso de forma eficaz dependerá, em alguns aspectos, de como nós mesmos contribuímos para esse relacionamento.”

Encontrem o grupo certo

“Vocês devem encontrar o grupo certo, ao qual se sintam incluídos, disse ela. “Da mesma forma que, se compararmos ser fisicamente ativo a ser socialmente ativo, sabemos que ser fisicamente ativo é importante para nossa saúde, mas algumas pessoas preferem caminhar a nadar … e, por isso, também precisamos pensar no que combina com nossas habilidades individuais e desejos, assim como as barreiras que possam existir.”

Expressem gratidão

Aquilo que Presidente Russell M. Nelson chamou de “o poder curador da gratidão” em novembro de 2020 é outra forma comprovada de combatermos a solidão, disse Holt-Lunstad. Expressarmos gratidão e apreciação aumenta a união e fortalece as conexões, que leva a níveis mais baixos de solidão. 

Atos de serviço

Holt-Lunstad e seus colegas conduziram um estudo [artigo em inglês] no qual pediram, aleatoriamente, que as pessoas fizessem pequenos atos de bondade para outros e descobriram que, aquelas que realizaram os atos de bondade apresentaram reduções significativas nos níveis de solidão ao longo de quatro semanas.

Priorizem contatos e relacionamentos significativos e positivos

Quando se trata de relacionamentos, um número maior e de melhor qualidade nos protege, ao passo que um número menor e qualidade inferior pode ser prejudicial. “O que queremos fazer não é apenas aumentarmos o número de nossos contatos sociais, mas garantirmos que eles sejam positivos, de qualidade e se tornem relacionamentos profundos e significativos, a fim de realmente obtermos efeitos benéficos”, disse ela.