Nove lições que o Sistema Educacional da Igreja aprendeu com pandemia de COVID-19

Não é nenhum segredo que o ensino superior nos Estados Unidos enfrentou muitos desafios durante a pandemia. 

À medida que a ameaça do coronavírus começou a aumentar em fevereiro e março de 2020, as faculdades ficaram em estado de confusão. Instituições de ensino em todo o país foram fechadas e fizeram a transição para o aprendizado totalmente remoto, incluindo as entidades dentro do Sistema Educacional da Igreja: Brigham Young University, BYU-Idaho, Ensign College, BYU-Havaí, Seminários e Institutos e BYU-Pathway.

Além de outros desafios, professores tiveram que adaptar o currículo e as aulas presenciais para disponibilizá-los on-line em questão de dias; devocionais, apresentações, eventos e reuniões foram cancelados ou adaptados para serem transmitidos on-line; estudantes foram incentivados a deixarem o campus e voltarem para casa, o que criou complicações com contratos de moradia e viagens; serviços de alimentação tiveram que ser adaptados ou interrompidos; procedimentos tiveram que ser implementados para aqueles que adoeceram; e a lista não termina aqui.

Agora, quase dois anos depois, os campi da Igreja e os prédios do Seminário e Instituto estão novamente recebendo estudantes e, na maioria dos casos, as operações diárias foram retomadas, porém com medidas de proteção contra a COVID-19 em vigor. Embora os últimos 20 meses tenham sido certamente desafiadores, eles também foram uma época de descoberta e inovação. Algumas dessas descobertas têm sido abrangentes, enquanto outras têm sido específicas para as instituições, mas todas têm sido valiosas.

Aqui estão nove lições da pandemia aprendidas pelo Sistema Educacional da Igreja.

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1. Os santos dos últimos dias valorizam a educação

A pandemia enfatizou a importância da educação na Igreja, disse Élder Clark G. Gilbert, comissário de educação da Igreja, ao Church News. 

O jornal Chronicle of Higher Education informou recentemente [em inglês] que o número de estudantes matriculados em cursos de graduação e mestrado caiu 2,4% em universidades públicas e particulares no segundo semestre de 2020, enquanto o número de calouros matriculados em tempo integral caiu 7,9% em relação ao ano anterior.

Contudo, embora muitas áreas do ensino superior dos E.U.A .tenham tido uma diminuição no número de estudantes matriculados, “na verdade, vimos o número de matrículas crescerem em todo o Sistema Educacional da Igreja”, relatou Élder Gilbert. “É um verdadeiro sinal do compromisso [dos santos dos últimos dias] com a educação e do quanto nossos alunos querem se reunir e progredir.”

Estudantes participam durante o devocional com Presidente Dallin H. Oaks e a irmã Kristen Oaks no BYU-Idaho Center na terça-feira, dia 16 de novembro de 2021.
Estudantes participam durante o devocional com Presidente Dallin H. Oaks e a irmã Kristen Oaks no BYU-Idaho Center na terça-feira, dia 16 de novembro de 2021. Crédito: Francisco Fierro, BYU-Idaho

2. Cursos originalmente desenvolvidos para serem ministrados on-line podem complementar a experiência dos estudantes no campus

A pandemia também ressaltou o quanto os estudantes valorizam o aprendizado on-line, especialmente quando ele foi especificamente desenvolvido para ser assim ministrado, disse Élder Gilbert.

As instituições e os professores do SEI foram “incrivelmente inovadores” ao ajudarem os estudantes a progredirem virtualmente, explicou Élder Gilbert, mas há uma diferença entre adaptar a experiência de sala de aula e realmente criar uma experiência de aprendizado on-line.

“Fizemos muitas coisas apenas no momento para que tudo funcionasse, e acho que todos são gratos por isso. Mas os cursos que foram originalmente desenvolvidos para uma experiência on-line têm sido bastante eficazes na obtenção dos principais resultados de aprendizado”, disse Élder Gilbert. 

Os estudantes que experienciam resultados de aprendizado eficazes são mais propensos a fazerem um curso on-line durante um semestre de folga ou a concluírem seu programa de estudo enquanto trabalham em seus países de origem.

Embora já estivessem disponíveis antes da pandemia, o período de COVID-19 aumentou o desejo dos estudantes de escolherem estas opções mais deliberadamente, explicou Élder Gilbert, e fez com que as instituições encontrassem maneiras de ajudar os estudantes a continuarem progredindo quando não estavam no campus.

“Creio que, em um mundo futuro, veremos mais estudantes concluírem seus estudos remotamente.” Agora, muitos deles compreendem que os cursos originalmente desenvolvidos para serem ministrados on-line serão um complemento permanente à sua experiência educacional presencial.”

Chia Hsin, estudante da Pathway, estuda em sua casa em abril de 2017.
Chia Hsin, estudante da Pathway, estuda em sua casa em abril de 2017. Crédito: Michael Lewis, BYU-Idaho, BYU-Idaho

3. Desafios diferentes requerem soluções diferentes

Élder Gilbert observou que muitas pessoas perguntaram por que a Igreja lidou com a pandemia de maneira diferente em cada uma de suas instituições. A resposta, disse ele, “é que estamos fazendo a mesma coisa – estamos seguindo as diretrizes locais. E cada uma dessas instituições está localizada em uma comunidade muito diferente.”

Embora cada entidade educacional da Igreja tenha enfrentado grandes interrupções relacionadas à pandemia, com campi, corpo discente, necessidades e regulamentos locais únicos, cada uma delas também teve que apresentar respostas e soluções igualmente exclusivas. Sendo assim, todas elas descobriram lições e tiram conclusões distintas.

Por exemplo, a BYU-Havaí opera em uma ilha isolada, com algumas das regulamentações mais rígidas de COVID-19 do país e poucas alternativas de moradia para estudantes em quarentena. A BYU-Idaho opera em uma comunidade onde seus estudantes constituem mais da metade da população local. A BYU em Provo opera em uma grande comunidade e precisa atender a exigências locais no condado de Utah e no contexto de outras instituições de ensino no estado.

4. ‘No que diz respeito à tecnologia, somos melhores do que pensávamos’

Seria fácil separar a experiência da BYU durante a pandemia em dois períodos distintos — a vida antes da COVID-19 e a vida após a COVID-19, disse Natalie Ipson, porta-voz da BYU. 

Entretanto, Kevin J. Worthen, presidente da Universidade, pediu que professores, funcionários e estudantes combinassem sua experiência e compreensão de antes da pandemia com as inovações necessárias durante a mesma para criarem um futuro melhor.

Esse pedido foi atendido pelo corpo docente da BYU, que agora está mais hábil e confiante no uso da tecnologia para melhorar o aprendizado, bem como por professores que podiam estar acostumados a darem uma palestra pré-roteirizada, os quais agora estão tentando coisas novas, disse Ipson.

A universidade também expandiu seu programa BYU Online, o qual tinha cerca de 11 mil estudantes matriculados antes da pandemia e atingiu 26 mil matrículas durante o segundo semestre de 2020. 

Jon Linford, vice-presidente acadêmico da BYU–Idaho, disse: “Acho que aprendemos que, no que diz respeito à tecnologia, somos melhores do que pensávamos, o que nos permitiu lidar muito bem com os desafios.” 

Um estudante da BYU entra em sua aula on-line. A instrução tradicional em sala de aula foi transferida para plataformas on-line durante a pandemia de coronavírus.
Um estudante da BYU entra em sua aula on-line. A instrução tradicional em sala de aula foi transferida para plataformas on-line durante a pandemia de coronavírus. Crédito: Rebekah Baker/BYU

Professores, administradores e estudantes experimentaram e tentaram usar novos recursos e técnicas, além de aprenderem a gerenciar novos softwares e aplicativos para a aprimoração das modalidades on-line.

“Uma descoberta que fizemos foi que os estudantes não precisam estar fisicamente presentes para obterem uma boa educação”, disse Linford.

5. A importância de uma experiência presencial no campus 

Embora a pandemia tenha sido desafiadora e cansativa, John S.K. Kauwe III, presidente da BYU-Havaí, disse que ela também lhes deu informações importantes sobre as necessidades de seus estudantes e como melhor atendê-los no futuro.

Por exemplo, quando o campus fechou e eles incentivaram seu diverso corpo discente, composto principalmente por estudantes internacionais, a voltar para casa e fazer a transição para o ensino remoto, eles descobriram que muitos deles estavam retornando a países com acesso à internet limitado ou caro. Muitos estudantes estavam enfrentando mudanças drásticas nos fusos horários, inclusive cruzando a linha de data internacional. Alguns enfrentaram desafios econômicos significativos em seus países de origem ou não puderam retornar devido a fronteiras fechadas.

“Começamos a ver a importância dessa universidade para eles”, disse o presidente Kauwe, “não apenas como um lugar de estudo, mas como um local de refúgio, abrigo e proteção.”

A universidade tem que se manter em operação por causa do papel que desempenha em fornecer os alicerces temporais e espirituais para o futuro dos estudantes, disse o presidente Kauwe. “Este lugar é muito importante para nossos estudantes e todos os aspectos de seu bem-estar.”

Estudantes da BYU-Havaí seguram bandeiras representando a diversidade do corpo discente, como parte do Desfile de Posse para o presidente John S. K. Kawe, em Laie, Havaí, na terça-feira, dia 19 de outubro de 2021.
Estudantes da BYU-Havaí seguram bandeiras representando a diversidade do corpo discente, como parte do Desfile de Posse para o presidente John S. K. Kawe, em Laie, Havaí, na terça-feira, dia 19 de outubro de 2021. Crédito: Monique Saenz, BYU–Havaí

Da mesma forma, Élder Gilbert disse que a pandemia destacou a importância de se reunir entre os estudantes do Seminário e do Instituto. “Eles realmente querem se encontrar e passar tempo juntos. Onde pudemos manter o distanciamento social, usar máscaras e nos vacinar, poder voltar a se reunir presencialmente tem sido uma bênção para eles.

Embora a BYU–Idaho tenha tido muito sucesso e aumentado a oferta de cursos on-line durante a pandemia, “se reunir em lugares como Rexburg, Provo ou Laie, e trabalhar com professores, colegas e amigos e ter uma experiência educativa é algo de grande valor para os jovens adultos”, concordou Linford.

A pandemia ressaltou o valor de estarmos conectados a uma comunidade, observou Ipson. Com a redução do número de reuniões no campus, os estudantes da BYU encontraram maneiras únicas de cumprirem as palavras da declaração de missão da universidade, que inclui “uma preocupação genuína e amorosa com o bem-estar de nosso próximo”. 

Por exemplo, Ipson disse que o programa COVID Outreach entregou mais de 800 kits com doces e mimos para estudantes que estavam em quarentena devido à COVID-19 ou se sentiam isolados. “Somos simplesmente feitos para desejarmos estar juntos e nos conectarmos uns com os outros”, disse Linford.

Estudantes sorriem após um devocional com Élder Gary B. Sabin e irmã Valerie Sabin na BYU-Idaho, em Rexburg, Idaho, na terça-feira, dia 9 de novembro de 2021.
Estudantes sorriem após um devocional com Élder Gary B. Sabin e irmã Valerie Sabin na BYU-Idaho, em Rexburg, Idaho, na terça-feira, dia 9 de novembro de 2021. Crédito: Katelyn Brown

6. ‘O amor dos homens não esfriou durante o processo’

Os campi abrigam um amplo espectro de indivíduos com opiniões e crenças diferentes, observou Linford, e isso ficou especialmente evidente durante a pandemia. Sem dúvida, houve divergências sobre como estávamos lidando com a pandemia, mas o fato de que temos uma liderança forte, vinda do profeta, do comissário de educação da Igreja e do conselho de administração ajudou muito, disse Linford.

“Acho que isso realmente nos ajudou a superarmos os desafios de maneira muito melhor do que teríamos feito em outros casos. As divergências não foram tão acentuadas; elas não persistiram por muito tempo. … O amor dos homens não esfriou durante este processo.”

É uma bênção estarmos em um ambiente no qual as pessoas estão se esforçando para manter a influência do Espírito, disse Linford, para ajudar a enfrentar os desafios, as divergências e as perplexidades apresentadas pelo coronavírus.

7. Uma pandemia não pode parar a obra do Senhor

Bruce C. Kusch, presidente da Ensign College, descreveu o período durante a pandemia como “desafiador, esclarecedor e repleto de bênçãos” ao mesmo tempo.

No dia 25 de fevereiro de 2020, a faculdade com programas técnicos de dois anos fez três anúncios institucionais significativos: primeiro, a faculdade não usaria mais o nome de LDS Business College; segundo, a instituição passaria a oferecer um número limitado de diplomas de bacharelado; e terceiro, ela faria parceria e ofereceria parte de seu currículo por meio da BYU–Pathway Worldwide.

Um homem deixa o prédio do campus da Ensign College, anteriormente conhecida como LDS Business College, em Salt Lake City na terça-feira, dia 1º de setembro de 2020.
Um homem deixa o prédio do campus da Ensign College, anteriormente conhecida como LDS Business College, em Salt Lake City na terça-feira, dia 1º de setembro de 2020. Crédito: Scott G Winterton, Deseret News

Além disso, a faculdade também estava se preparando para a visita de credenciamento que ocorre a cada sete anos. No entanto, cerca de um mês mais tarde, em meados de março de 2020, a pandemia estava se intensificando, tudo estava fechando e todos estavam trabalhando em casa.

Milagrosamente, tudo o que precisava ser realizado foi concluído, disse o presidente Kusch. “As portas e janelas do céu simplesmente se abriram e não enfrentamos nenhum obstáculo significativo nas coisas que precisavam ser feitas: a mudança de nome, os diplomas de bacharel, o relacionamento com a BYU-Pathway ou a visita de credenciamento.” 

Como instituição, eles aprenderam pessoalmente que uma pandemia não pode parar a obra do Senhor, disse o presidente Kusch.

8. A BYU-Pathway foi ‘preparada e guiada pelo Senhor’ para a pandemia

Os administradores compreenderam mais do que nunca que a BYU-Pathway — com seus programas on-line e de baixo custo — tinha a flexibilidade de permitir que as pessoas iniciassem ou continuassem seus estudos, apesar de toda a comoção e das incertezas apresentadas pela pandemia.

J. D. Griffith, vice-presidente de administração da BYU–Pathway, disse que a instituição foi especificamente “preparada e guiada pelo Senhor”. Antes da pandemia, eles já usavam o aplicativo Zoom e tinham recursos de bate-papo e processos on-line com suporte aos estudantes, observou ele. Apesar dos obstáculos, o crescimento da BYU-Pathway continuou inabalável, servindo um número recorde de 51.583 estudantes [em inglês] em mais de 150 países em 2020.

“Já sabíamos disso antes, mas 2020 ajudou a reforçar a ideia de que esta é a obra do Senhor e Ele está envolvido nos detalhes. Ele preparou a BYU-Pathway para servir a mais estudantes do que nunca, quando eles realmente precisavam”, disse Griffith.

Por exemplo, em março de 2020, a Igreja começou a enviar sistematicamente missionários de tempo integral de volta a seus países de origem. A BYU–Pathway era a única universidade da Igreja que tinha a flexibilidade de matriculá-los imediatamente no semestre da primavera [no hemisfério norte]. 

Um grupo de alunos da BYU-Pathway e seus amigos se reúnem para trabalhar nas tarefas do curso.
Um grupo de alunos da BYU-Pathway e seus amigos se reúnem para trabalhar nas tarefas do curso. Crédito: BYU-Pathway Worldwide

9. Instituições e indivíduos dentro do SEI foram fortalecidos e preparados para enfrentarem os desafios

O presidente Kauwe disse que tem sido incrível ver como o Senhor tem sustentado as pessoas na BYU–Havaí, tanto espiritual quanto emocionalmente, durante os desafios e horas extras de trabalho árduo. “Sinto que tivemos essa medida maior de força física, espiritual e emocional para servir a nossos estudantes e lhes fornecer maneiras de continuarem progredindo em um momento em que tantos estão passando por dificuldades.” 

O presidente Kusch disse que as pessoas na Ensign College, bem como a própria instituição, foram magnificadas para serem capazes de realizar o que os profetas, videntes e reveladores haviam aprovado que fizessem. “E essa provavelmente é a maior de todas as lições para a Ensign College durante esta pandemia”, disse ele. “Quando estamos alinhados e em harmonia com os profetas do Senhor, e quando estamos alinhados com a vontade do Senhor e trabalhando de acordo com Seu tempo, o caminho é aberto para realizarmos as coisas que Ele quer e precisa que realizemos.”