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A imprensa está falhando com as pessoas de fé?

Um novo estudo que se baseou em opiniões de consumidores de notícias em todo o mundo, diz que a imprensa deve fazer mais para aumentar a compreensão religiosa

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Michelle Budge, Deseret News


Nota do editor: Este artigo foi originalmente publicado pelo Deseret News em inglês, e traduzido ao português pela equipe do Church News.

Pessoas de todo o mundo desejam uma melhor cobertura de questões e eventos religiosos, mas de acordo com um estudo global inédito sobre a relação da imprensa com a religião, muitos obstáculos estão no caminho dos jornalistas que estão tentando fornecê-la, informou o Deseret News [em inglês], nesta terça-feira.

O Global Faith and Media Index [Índice Global de Fé e Imprensa], publicado nesta terça-feira, 20 de setembro, descobriu que as redações carecem de recursos, conexões e, em alguns casos, confiança para relatar os principais desenvolvimentos relacionados à fé de maneira ponderada e diferenciada.

“Os jornalistas com quem conversamos acreditam que a fé e a cobertura religiosa estão se tornando cada vez mais marginalizadas devido a tudo, desde a parte financeira da redação até o medo de ‘errar’”, disse Dritan Nesho, CEO da HarrisX, consultoria de pesquisa global que realizou a pesquisa, em um comunicado.

O novo índice se baseia em entrevistas elaboradas com 30 jornalistas de língua inglesa de 17 países e uma pesquisa on-line com mais de 9.300 consumidores de notícias de 18 países. O objetivo era ouvir uma ampla gama de vozes de várias origens religiosas, disse Nesho a respeito dos novos dados, durante um evento virtual na terça-feira.

Em seu conjunto, o estudo revelou uma lacuna entre os tipos de histórias sobre religião que estão sendo produzidas atualmente e os interesses de leitores e espectadores reais ou potenciais.

“Em última análise, a pesquisa aponta para um claro déficit global na cobertura, tratamento e qualidade da compreensão da fé e da religião na imprensa moderna”, disse Nesho.

Alguns entrevistados disseram que a cobertura religiosa de hoje cria “mal-estar e ansiedade” sobre os grupos religiosos, em vez de construir entendimento. Muitos temiam que a imprensa “frequentemente perpetuasse estereótipos baseados na fé”, em vez de corrigi-los.

Tais respostas são preocupantes e mostram como as reportagens ruins ou incompletas da imprensa têm consequências para a vida cotidiana das pessoas, disse Nesho durante o evento virtual de terça-feira.

“Essa ansiedade é algo que afeta as pessoas, não apenas no momento (quando estão lendo uma história), mas em seu dia a dia. Isso é algo que as pessoas carregam consigo para o local de trabalho, carregam consigo para casa”, disse ele.

Jornalistas que cobrem assuntos religiosos podem deixar de reconhecer problemas em suas reportagens, caso estejam fora de contato com seu público, disse Sheela Bhatt, jornalista indiana que moderou a discussão de terça-feira. Ela observou que, na Índia, os membros da imprensa costumam ser mais liberais e seculares do que as comunidades que cobrem.

“Muitas pessoas da imprensa não são particularmente religiosas ou não entendem como pessoas de fé se comportam”, disse ela.

Sua confusão leva aos problemas que os entrevistados identificaram, incluindo a ideia de que a cobertura da imprensa sobre religião às vezes promove estereótipos prejudiciais relacionados à fé, em vez de corrigi-los.

A maioria dos entrevistados acha que a imprensa deveria prestar atenção aos estereótipos religiosos, tanto quanto aos estereótipos baseados em raça e gênero.

Do jeito que está, mais da metade dos entrevistados acredita que a imprensa está ignorando ativamente a religião “como um aspecto da sociedade e da cultura atual”, revelou a pesquisa.

No entanto, o estudo também descobriu que, embora pessoas de muitas religiões diferentes e de muitos países diferentes tenham opiniões críticas sobre a abordagem atual da imprensa às notícias sobre religião, a maioria acredita que os grupos religiosos assumem parte da culpa.

As organizações religiosas precisam conectar jornalistas com fontes que passaram pelas experiências sobre as quais estão sendo escritas, disseram os entrevistados.

Um dos objetivos da Faith and Media Initiative [em inglês], a nova coalizão responsável pela pesquisa, é facilitar os tipos de relacionamentos que podem levar a uma cobertura mais ampla da religião e que satisfaça as necessidades dos leitores, disse Brooke Zaugg, vice-presidente da organização, durante o evento desta terça-feira.

“Esperamos ser um organizador ou intermediário destas conversas vitais. Criaremos programas e recursos para apoiar e criar as mudanças necessárias entre muitos grupos”, disse ela.

A Faith and Media Initiative está procurando criar workshops e treinamentos para “chamar a atenção” para os grupos religiosos e meios de comunicação que estão trabalhando para melhorar o jornalismo religioso, disse Zaugg.

“Estamos procurando defensores e aliados para criarmos uma conversa e um diálogo mais significativos”, disse ela.

 

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