Evacuações e desobrigações antecipadas durante a COVID-19: Trechos do projeto da Igreja documentando experiências missionárias

Um dia antes de 4 de fevereiro, e da evacuação – resultante do coronavírus – de missionários de tempo integral sob seus cuidados, o presidente Dennis L. Phillips, da Missão China Hong Kong, orientou aqueles servindo em áreas remotas a se reunirem na cidade, conforme os líderes seguiam relatórios de jornais. Missionários esperaram por uma possível ordem para iniciar os procedimentos de evacuação.

A confirmação veio. “Nação Gelatina” — o código secreto da missão — sinalizou o início do processo das três tarefas de evacuação: não contatar ninguém, empacotar tudo e limpar o apartamento.

Com tantas diretrizes e tanto amor e preocupações para transmitir aos seus missionários, presidente Phillips fez o melhor que pôde com uma mensagem concisa no grupo de WhatsApp: “Gostaria de ter falado com cada um de vocês pessoalmente, mas não foi possível. Um anúncio acabou de ser emitido pela Igreja indicando que, devido ao impacto do vírus, todos os missionários servindo em Hong Kong serão temporariamente redesignados. Entrarei em contato com cada um de vocês brevemente, mas por favor, não notifiquem seus pais ou façam ligações. Não que seja segredo, mas porque complicará nossos esforços para levá-los para casa. Este é o comunicado de imprensa. Por favor, leiam-no e depois conversaremos. Amamos todos vocês e os teríamos em nossos braços agora, se estivéssemos com vocês.”

O plano de partida da missão entrou em ação — criando grupos de viagem de oito a 17 missionários, suplementando um ônibus de turismo alugado com táxis, se reunindo no escritório da missão, oferecendo apartamentos próximos quando fosse necessário dormir, pesando bagagens, descartando itens em excesso, pedindo pizza e permitindo que os missionários ligassem para casa enquanto aguardavam o horário de partida designado.

Os assistentes do presidente e os missionários do escritório orientaram o aglomerado no escritório da missão, a enfermeira da missão checou a temperatura de cada élder e sister antes de embarcarem no ônibus para o aeroporto, e casais seniores ajudaram nas filas de check-in lá, enquanto proviam conforto, segurança e — em muitos casos — assistência com cartões de crédito, cobrindo taxas de excesso de bagagem.

A missão incluiu 13 élderes e sísteres locais de Hong Kong, que foram temporariamente desobrigados. O presidente Phillips e sua esposa, sister May Phillips, tinham esperança de diminuir qualquer senso de abandono ao convidarem-nos com seus pais, para uma noite de explicações e demonstrações na capela da sede da missão, e para retornarem para um almoço no dia seguinte.

“Tenho certeza de que há coisas que poderíamos ter feito com mais eficiência ou melhor, mas definitivamente vimos a mão do Senhor nesta obra. As coisas simplesmente funcionaram muito bem e, mesmo quando erros foram cometidos ou negligenciados, fomos capazes de rapidamente ajustar e fazer dar certo”, presidente Phillips escreveu mais tarde. “… Estamos ainda mais convencidos de que há um plano divinamente inspirado. Tivemos que aprender paciência e perseverança, muito além de tudo que achamos ser possível.”

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O relato do presidente Phillips sobre a primeira das muitas evacuações relacionadas ao coronavírus é um trecho de cerca de 7.000 submissões feitas por líderes de missão e missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ao compartilharem experiências e impressões de como a pandemia global de COVID-19 em 2020 impactou a obra missionária.

Credit: Gráfico do Church News

As submissões se originaram e colaboraram a preencher o projeto do Departamento de História da Igreja documentando experiências de como missionários e líderes de missão reagiram à COVID-19 — compilando uma história contemporânea ao narrar eventos em tempo real. Pesquisas online foram enviadas para a força missionária do período pandêmico — presidentes e companheiras de missão, assim como Centros de Treinamento Missionário, missionários seniores e jovens élderes e sísteres de tempo integral.

“Normalmente pensamos na história como algo que aconteceu há muito tempo e refletimos sobre isto”, disse Wayne Crosby, diretor do apoio global e aquisições do Departamento de História da Igreja. “E neste projeto, estamos tentando reunir eventos contemporâneos conforme estão acontecendo. Então, nosso propósito foi de pegar uma perspectiva missionária, no que esperamos que seja um evento único na vida, e capturá-la em tempo real.”

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Em uma reunião de conselho de liderança da Missão Arizona Phoenix, élder Jon Ferguson ouvia, conforme seu presidente se emocionava ao mencionar um e-mail do dia anterior, sobre os ajustes da Igreja relacionados à pandemia na obra missionária. Os ajustes incluíram a desobrigação antecipada de élderes programados para suas missões até o dia 1º de setembro, finalizando seu serviço aos 21 meses, ao invés de 24.

“Ele começou lendo devagar os nomes de todos os missionários que seriam afetados. Enquanto esses missionários se levantavam, dava para reconhecê-los como alguns dos missionários mais trabalhadores e obedientes naquela sala”, élder Ferguson escreveu.

Élder Jon Ferguson, à esquerda, da Missão Arizona Phoenix, em pé, do lado de fora do Templo de Phoenix Arizona durante seu serviço como missionário, encurtado pela COVID. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Élder Jon Ferguson, à esquerda, da Missão Arizona Phoenix, em pé, do lado de fora do Templo de Phoenix Arizona durante seu serviço como missionário, encurtado pela COVID. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Conforme ele lia devagar os nomes, chegou a minha vez. Senti como se meu coração fosse esmagado, comecei a chorar e não conseguia falar. Simplesmente me senti ferido e quebrado quando olhei para meus amigos próximos, missionários com quem trabalhei de perto, também sentindo as mesmas emoções que eu. Senti-me muito desesperançoso.” 

Ele notou “uma terna misericórdia” — um missionário samoano que élder Ferguson havia treinado estava presente. “Conforme passava por isto, ele pegou sua cadeira e a trouxe até mim, há algumas fileiras de distância — veio e apenas colocou seus braços em volta de mim. Isto me ajudou a sentir mais do amor de Deus e me tocou profundamente.” 

Élder Ferguson relatou que tentou, nos dias seguintes, enfrentar e aceitar as notícias “que me quebraram, até que fui capaz de realmente orar e saber que era o plano de Deus.” Após uma semana, sua perspectiva mudou, “e recebi um novo estímulo para dar os últimos meses que tinha e trabalhar duro o suficiente para que o Senhor soubesse que havia servido com todo o meu coração, poder, mente e força”.

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Crosby observou que reunir uma história contemporânea não era a única coisa fora do comum, mas também o uso de uma pesquisa online para coletar amplas informações. “Neste caso, queríamos reunir narrativas — não apenas respostas de ‘sim’ ou ‘não’ — e depois guardá-las para sempre.”

Combinando o formulário com o nome da pessoa, a missão, o número de membro e informações de contato, as respostas da pesquisa e os anexos são trazidos para o sistema de preservação de História da Igreja, onde informações podem ser filtradas, classificadas e armazenadas de muitas formas diferentes.

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Sister Nemah Agamata, da Missão Camboja Phnom Penh, estava servindo há 12 horas da sede da missão, quando ela e outros receberam a notícia de que todos os missionários que não fossem khmer [cambojanos], deveriam fazer as malas e viajar para a casa da missão imediatamente. Fronteiras fechadas a atrasaram, junto com outros missionários filipinos, uma semana após missionários norte-americanos voltarem para casa.

Missionárias da Missão Camboja Phnom Penh param para uma selfie, em uma foto cortesia da sister Nemah Agamata. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Missionárias da Missão Camboja Phnom Penh param para uma selfie, em uma foto cortesia da sister Nemah Agamata. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Precisamos seguir as instruções que necessitamos para irmos para casa e continuarmos nosso serviço em nossa própria nação. Amo meu país, mas servir no local que fui chamada em primeiro lugar me tornou quem sou hoje. Ir embora é difícil, mas precisamos obedecer”, sister Agamata escreveu, acrescentando que não conseguiu contatar membros e amigos que estava ensinando, até chegar ao CTM de Manila, onde ficou por duas semanas de quarentena.

Desobrigada e aguardando uma redesignação para terminar seus últimos seis meses em seu país de origem, as Filipinas, ela reconheceu os desafios de não ter acesso à tecnologia que usava como missionária e ficar em uma casa onde é o único membro santo dos últimos dias ativa. “Pensar em remover minha plaqueta e ser desobrigada é triste”, escreveu expressando fé em Deus. “É difícil estar na minha situação agora, mas confio nos Seus planos. Esta é uma das razões pelas quais minhas esperanças ainda são tão altas.”

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Crosby disse que os supervisores do projeto notaram alguns temas em comum. Missionários seniores e jovens missionários de tempo integral amaram suas missões e queriam ficar, ao invés de retornar para casa para serem desobrigados ou redesignados.

Enquanto isto, casais seniores frequentemente voltavam para casa em situações desafiadoras, como suas casas tendo sido alugadas ou usadas por parentes durante o período planejado de seu serviço, então não tinham um lugar para voltar e precisavam descobrir onde fazer a quarentena de duas semanas.

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Sister Joyce Havens, uma missionária sênior com seu marido, élder Gary Havens, na Missão Taiti Papeete, narrou que, devido à proibição de grupos maiores que 10 pessoas na pandemia e o fechamento dos edifícios da Igreja, os missionários não conseguiram assistir à Conferência Geral de Abril de 2020 nas capelas ou na casa dos membros. E os modelos de celulares dados pela missão não permitiram que acessassem a internet para ouvi-la.

Missionários a bordo de um voo de partida de sua missão como resultado da pandemia, conforme fotografado pela sister Joyce Havens, da Missão Taiti Papeete. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Missionários a bordo de um voo de partida de sua missão como resultado da pandemia, conforme fotografado pela sister Joyce Havens, da Missão Taiti Papeete. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Na semana anterior, 80 missionários retornaram para casa e a missão coletou um total de 19 celulares deles. Um casal do escritório da missão pensou em fazer uma única ligação de “conferência” — “para transmitir a conferência do escritório da missão para os computadores da missão, e então fazer os missionários ligarem para um telefone que foi colocado perto do computador para que pudessem ouvir a conferência”, escreveu sister Havens.

“O pequeno milagre foi que havíamos coletado 19 telefones, que foi exatamente o número de telefones que precisavam estar disponíveis para os missionários ligarem. Conseguimos configurar uma sessão em inglês e francês para que as pessoas pudessem ouvir em seus idiomas de preferência.”

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As submissões da pesquisa cobriram períodos diferentes da pandemia, Crosby disse, observando que a maioria dos missionários seniores retornaram antes de um senso de urgência global, a aeroportos que ainda não estavam fechados, em comparação com muitos jovens missionários que tiveram apenas cerca de um dia — e às vezes apenas horas — para pegarem um voo antes dos aeroportos e fronteiras fecharem.

As respostas dos jovens missionários que enfrentaram redesignações ou desobrigações antecipadas, foram diferentes daqueles chamados recentemente decidindo entre o treinamento online em casa e a possível redesignação ou adiamento da missão para até 18 meses.

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Designada para servir na Missão Alemanha Berlim, a sister Annalie Day escreveu: “Ao começar o CTM online, fiquei apavorada. Não sabia se seria capaz de aprender o idioma com a mesma eficácia, fiquei preocupada que não criaria nenhum laço com o meu distrito porque tudo é online, ou que não seria capaz de aprender sobre o que ensinar com a mesma eficácia.”

Então a Igreja ofereceu a opção para os missionários, ou continuarem com a data original de serviço, ou adiarem. Ao enfrentar a “difícil decisão”, ela orou e jejuou, mas ainda estava insegura.

Um distrito de missionários se reúne em uma videoconferência para o treinamento online do CTM, em uma foto, cortesia da sister Annalie Day, canto superior direito, da Missão Alemanha Berlim. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Um distrito de missionários se reúne em uma videoconferência para o treinamento online do CTM, em uma foto, cortesia da sister Annalie Day, canto superior direito, da Missão Alemanha Berlim. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Mas então senti o Senhor dizendo que agora era o momento certo para ir. Precisava ir porque havia alguém que precisava de mim agora. Não em 18 meses. Foi uma experiência maravilhosa e fico feliz que aconteceu, porque não a trocaria por nada no mundo.”

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“Líderes de missão”, Crosby disse, enfrentaram “logísticas que foram inacreditáveis” ao enviarem missionários para fora do país, equilibrando entre os regulamentos governamentais sobre o distanciamento social e reunindo missionários em preparação para as partidas. “Foi um desafio real.”

“Diferenças em respostas são evidentes por causa de localizações geográficas. Por exemplo, a maioria dos missionários retornou para seus países de origem, mas na Europa e Europa Leste os missionários, no geral, ficaram no local. E em alguns locais na África, Crosby disse, alguns missionários tiveram que fugir por causa de animosidades e mal-entendidos em relação a missionários estrangeiros e uma crença de que estavam trazendo COVID para as localidades.”

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Sister Patricia Espinosa, companheira do presidente Richard O. Espinosa, da Missão Filipinas Urdaneta, citou seu marido após as partidas de missionários não-filipinos, apressadas pela pandemia. “Uma noite perto das 22h, ouvi uma voz bem clara em minha mente de que deveria checar minhas solicitações de mensagem no Messenger”, contou. Lá, entre as indagações dos pais dos missionários sobre itinerários de voos, ele encontrou uma conta ativa que continuou a lhe mandar mensagens.

Reconheceu que era um élder que já havia partido para casa no Taiti. Com o voo atrasado no aeroporto de Cingapura por 15 horas, finalmente conseguiu pedir um computador emprestado para contatar o presidente Espinosa. “Estava preso e não sabia o que fazer. Disse-me o quão estressado estava e que orava muito para que eu conseguisse ler sua mensagem imediatamente. E, sim, em uma questão de pouco tempo, vi sua mensagem.”

O presidente de missão conseguiu contatar o Departamento de Viagens da Igreja e remarcar o voo do élder para a manhã seguinte, pelo Japão, e de lá para o Taiti. “Ele disse que nunca esquecerá deste milagre”, escreveu a sister Espinosa. “Como é reconfortante saber que o Senhor ouviu suas orações.”

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Crosby disse que o Élder LeGrand R. Curtis, o Historiador e Registrador da Igreja, incentivou o departamento a buscar maneiras de reunir histórias contemporâneas e estar na vanguarda da coleta e preservação de dados. “Recebemos muito apoio”, Crosby acrescentou, creditando a parceria do Departamento Missionário e a Divisão de Pesquisa da Igreja.

“É a nossa primeira tentativa de coletar história desta maneira — e tem sido extremamente bem sucedida”, acrescentou, explicando que, para adquirir e catalogar mais de 7.000 perspectivas individuais, normalmente exigiria milhares de horas de trabalho. “Esta nova abordagem nos permitiu juntar esta importante história, mas de uma forma que demorou uma fração do tempo.”

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A sister Macy Rideout, da Missão Portugal Lisboa, lembra de sua conferência de zona em março, quando fora trocada para uma reunião online no Zoom. Dali há dois dias, a ligação veio para os missionários irem ao mercado, comprar comida suficiente para duas semanas e depois ficarem em casa — “e estamos aqui desde 12 de março”, escreveu.

Sister Macy Rideout e sister Madeline Ashton, canto superior esquerdo, da Missão Portugal Lisboa, se juntam em um momento de ensino online com um homem filipino que conheceram através do Facebook, e de uma amiga das missionárias que havia retornado para casa das Filipinas, e que pôde traduzir suas mensagens em tagalo. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Sister Macy Rideout e sister Madeline Ashton, canto superior esquerdo, da Missão Portugal Lisboa, se juntam em um momento de ensino online com um homem filipino que conheceram através do Facebook, e de uma amiga das missionárias que havia retornado para casa das Filipinas, e que pôde traduzir suas mensagens em tagalo. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Durante este período em quarentena, estou crescendo em sabedoria, julgamento e conhecimento, sendo refinada pela graça do meu Salvador Jesus Cristo”, sister Rideout continuou, “mas isto não exclui o medo que tinha de possivelmente deixar minha missão, a ansiedade que tinha mudando completamente a maneira como trabalhávamos, ou a difícil sensação de não querer trabalhar.

“Mas nenhuma provação que enfrentamos, dor que sofremos ou dificuldade que suportamos é desperdiçada. … Tudo o que passamos, tudo o que aguentamos, especialmente quando o fazemos pacientemente, expande nossa alma e purifica nosso coração. Nunca mudaria o que vivenciei e o que senti durante meu período em quarentena.”

Sister Madeline Ashton, companheira da sister Rideout em Portugal, detalhou na resposta que enviou, como as duas utilizaram plataformas de mídia social para encontrarem, contatarem e ensinarem pessoas enquanto estavam no auto-isolamento. Uma conexão veio através do Facebook, onde descobriram que o homem era das Filipinas; sister Rideout tinha uma amiga que havia acabado de voltar das Filipinas e que falava tagalo.

“Então os apresentamos e ensinamos uma lição com ela”, escreveu sister Ashton, acrescentando que um dia após se comprometer a orar para saber se Joseph Smith era um profeta, o homem enviou uma mensagem dizendo que sabia que Deus chama profetas e o quanto são necessários agora para liderarem e guiarem. “É uma bênção que temos tecnologia para encontrarmos pessoas por todo o mundo e também utilizarmos pessoas de casa para nos ajudar.”

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Crosby chama o projeto da História da Igreja de “capítulo um” de um esforço contínuo para documentar experiências missionárias durante a pandemia, com outros elementos incluindo entrevistas com o Conselho Executivo Missionário da Igreja, líderes de área e líderes do Departamento Missionário.

Também serão levadas em consideração, histórias enviadas por mais de 400 missões, que estarão repletas com ajustes, experiências e aprendizados relacionados à pandemia.

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Élder Kasey Price estava na Missão Honduras Tegucigalpa por cerca de três meses quando os ajustes, retornos e desobrigações da pandemia iniciaram. Ele completou a pesquisa após retornar para casa, tendo sido temporariamente desobrigado e esperando ser redesignado.

“Neste exato momento, me sinto esperançoso”, escreveu. “Sei que o Senhor tem um plano para mim, Ele sabe onde estou, sabe o que estou sentindo (provavelmente melhor do que eu), e sabe qual será o próximo passo. Estou confuso sobre o que pensar e sobre o que acontecerá a seguir.

Élder Kasey Price, ao centro, da Missão Honduras Tegucigalpa, tira uma selfie durante a partida de missionários, relacionada à pandemia. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Élder Kasey Price, ao centro, da Missão Honduras Tegucigalpa, tira uma selfie durante a partida de missionários, relacionada à pandemia. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Estou frustrado porque não sei. Estou com medo de não ter feito tudo que poderia ter feito em Honduras. Estou feliz que pude ser pelo menos uma pequena parte da vida das pessoas lá na pequena cidade de Triunfo. Estou animado para ver para onde serei redesignado. Estou nervoso por talvez não estar preparado para o trabalho ou por talvez não ser o suficiente. Mas no geral, estou cheio de amor. … Sinto-me esperançoso e cheio de amor pelo nosso Pai do Céu que nos ama e sabe onde precisamos estar.

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Crosby disse: “Aprendemos com o passado — vemos exemplos de como as pessoas enfrentaram desafios e como passaram por eles, de que Deus não nos deixa sozinhos e que Ele está lá para nos ajudar em meio às nossas tribulações.

“Achamos que há uma forte conexão entre a história e os convênios — porque em um convênio, é preciso confiar que Deus fará Sua parte se você fizer a sua. E a história nos dá muitos exemplos Dele sempre fazendo Sua parte, então isto deveria aumentar nossa confiança de que tudo dará certo, se perseverarmos.”

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Sister Linda Hsiung, da Missão China Hong Kong, explicou como suas experiências abrangeram vários locais, do CTM de Provo a uma designação temporária, devido a protestos políticos em Hong Kong, e a uma pandemia global que a fez retornar para casa — com três horas de aviso antes da partida — e depois continuar seu serviço em Massachusetts.

Ver a sister Linda Hsiung, da Missão China Hong Kong, com suas malas por perto, foi uma visão comum — as áreas de sua missão de tempo integral incluíram o treinamento em Provo, uma designação temporária em Denver, serviço em Hong Kong, o retorno para casa na Califórnia e, então, a redesignação para Boston. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo.
Ver a sister Linda Hsiung, da Missão China Hong Kong, com suas malas por perto, foi uma visão comum — as áreas de sua missão de tempo integral incluíram o treinamento em Provo, uma designação temporária em Denver, serviço em Hong Kong, o retorno para casa na Califórnia e, então, a redesignação para Boston. Esta foto foi uma das que enviou para o projeto de documentação de experiências missionárias durante a pandemia de COVID-19 de 2020, criado pelo Departamento de História da Igreja, e que recebeu cerca de 7.000 submissões online de missionários e líderes de missão do mundo todo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Nunca poderia ter imaginado que minha experiência na missão envolveria ir de Utah para o Colorado e Hong Kong, depois de volta para casa na Califórnia e então para Boston”, escreveu, “mas não há nada de que possa reclamar a respeito. Tenho feito o trabalho mais importante da Terra agora, ao lado do Profeta e seus Apóstolos. Onde quer que estejamos, há almas que precisam ser salvas e sei que uma delas também tem sido a minha.”

Acrescentou: “Os meus três presidentes de missão são tão diferentes, mas tão inspirados para as missões específicas que presidem. Acho que porque esta é a minha terceira designação, consegui pegar o jeito de como se ajustar a uma nova missão. … Percebi que a melhor forma de se adaptar é simplesmente mergulhar no trabalho e ser tão leal quanto puder ao seu novo presidente de missão. Sirva como se fosse servir lá pelo resto de sua missão.”