10 pioneiros santos dos últimos dias, cuja influência se estende por décadas e pelo mundo

Embora Brigham Young, Eliza R. Snow, Heber C. Kimball e outros pioneiros sejam nomes conhecidos, as histórias de conversão de outros pioneiros abrangem tanto décadas quanto o mundo. O Church News compilou uma lista de 10 histórias representativas, utilizando as Histórias globais da Igreja, assim como outras fontes.

Mischa Markow: Um dos primeiros santos da Europa Oriental

Dentro dos 15 anos de sua conversão como um dos primeiros conversos na Europa Oriental, Mischa Markow serviu duas missões para a Igreja em países representados hoje pela Hungria, Rússia, Romênia, Bulgária, Turquia, Sérvia, Croácia, Alemanha, Bélgica e Letônia.

Sua pregação e batismo criaram o alicerce para vários ramos que, no início do século XXI, haviam se tornado em quase 350 congregações com mais de 80.000 membros, de acordo com a Sala de Imprensa. 

Fotografia de Mischa Markow, cerca de 1903.
Fotografia de Mischa Markow, cerca de 1903. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Criado no cristianismo ortodoxo oriental por um pai sérvio e uma mãe romena, Markow sentiu a necessidade de encontrar a verdadeira igreja de Jesus Cristo. Partiu em um navio com destino a Constantinopla para investigar várias igrejas protestantes assim que chegasse. 

No navio, conheceu Jacob Spori, o primeiro missionário santo dos últimos dias a fazer proselitismo no Império Otomano. Conforme Spori ensinava o evangelho, para Markow ele parecia como um anjo. Missionários batizaram Markow no Mar Negro em 1887. 

Após pregar na Bélgica, imigrou para Utah. Quase 10 anos depois, Markow retornou para a Europa Oriental como um missionário oficial. Esta foi a primeira de duas missões que serviria na Europa Oriental.

Apesar dos esforços fervorosos para pregar, a Sérvia, Hungria, Romênia e Bulgária baniram Markow de seus países. No entanto, ele encontrou sucesso na atual Timişoara, na Romênia, e em Riga, na Letônia. Retornou para Utah em 1905, onde trabalhou como barbeiro até sua morte em 1934.

Dra. Martha Hughes Cannon: Primeira senadora estadual mulher dos Estados Unidos

Dra. Martha Maria Hughes Cannon.
Dra. Martha Maria Hughes Cannon. Credit: Banco de dados de Pioneiros da História da Igreja

Nascida em Gales no dia 1º de julho de 1857, Martha Maria Hughes Cannon imigrou para Utah com 3 anos, acompanhada por seus pais e dois irmãos. Com 16 anos, se matriculou na Universidade de Deseret (atual Universidade de Utah). Lá recebeu seu bacharelado em química, e na Universidade de Michigan recebeu o mestrado. 

Uma esposa polígama e ativista dos direitos das mulheres em Utah, Cannon trabalhou como médica no Hospital Deseret. Em 1896, a população de Utah a elegeu como a primeira senadora estadual mulher dos Estados Unidos, derrotando seu marido, Angus M. Cannon, e outros candidatos nas urnas. Ela escreveu as leis de saneamento de Utah e fundou o primeiro Conselho Estadual de Saúde de Utah.

Jonathan Napela: Tradutor havaiano e criador da ideia do CTM

Os leitores de “Santos: A História da Igreja de Jesus Cristo nos Últimos Dias” reconhecem o nome de Jonathan Napela por sua amizade com George Q. Cannon, um dos primeiros missionários santos dos últimos dias nas ilhas havaianas.

Após ensinar a linguagem havaiana a Cannon, Napela e Cannon trabalharam juntos para traduzir o Livro de Mórmon para o idioma havaiano — a primeira tradução do livro para uma linguagem não-europeia. 

Uma foto de Jonathan H. Napela, que aparece no novo livro “Santos, Volume 2”, que foi lançado no dia 12 de fevereiro, 2020.
Uma foto de Jonathan H. Napela, que aparece no novo livro “Santos, Volume 2”, que foi lançado no dia 12 de fevereiro, 2020. Credit: Biblioteca de História da Igreja

Napela também propôs o primeiro plano de um programa para treinar missionários no idioma da área para onde haviam sido designados: uma escola onde missionários passariam dois meses estudando a linguagem antes de se dispersarem para cumprirem suas designações. Soa familiar? Hoje, 10 centros de treinamento missionário estão espalhados pelo mundo fazendo exatamente isto. 

Em 1869, após quase 10 anos tentando, ele finalmente visitou um templo de Utah, se tornando o primeiro santo dos últimos dias havaiano a receber ordenanças do templo e a realizar ordenanças vicárias por ancestrais falecidos.

Pouco depois de retornar para o Havaí, sua esposa, Kitty, contraiu lepra. Napela decidiu se juntar a Kitty em Molokai, um povoado de lepra estabelecido pelo governo. Mesmo depois de contrair lepra, Napela presidiu um ramo santo dos últimos dias em Molokai até sua morte, em 1879. Kitty morreu duas semanas depois.

Até o momento de suas mortes, aproximadamente 1 em 10 nativos havaianos eram membros da Igreja.

Élder Helvécio Martins: Primeira Autoridade Geral negra

Élder Helvécio Martins com a esposa, Rudá, fotografados em Salt Lake City no ano de 1990.
Élder Helvécio Martins com a esposa, Rudá, fotografados em Salt Lake City no ano de 1990. Credit: Foto de arquivo do Deseret Morning News

Enquanto vivia no Rio de Janeiro, Brasil, o Élder Helvécio Martins e sua esposa, Rudá, sentiram um “desejo espiritual” por algo que trouxesse alívio, satisfação e alegria. Quando os missionários santos dos últimos dias bateram à sua porta em 1972, o casal Martins lhes perguntou: “Como sua religião trata os negros?”

Os missionários pediram para orar primeiro com eles, depois explicaram os ensinamentos da Igreja sobre o sacerdócio e o templo. “As explicações dos missionários me pareceram claras”, disse Helvécio mais tarde. Pouco tempo depois, o casal entrou nas águas do batismo.

Em 1978, quando a Primeira Presidência estendeu as bênçãos do templo a todos os membros dignos, independentemente da raça, a família Martins chorou de gratidão a Deus. Logo foram selados no Templo de São Paulo Brasil. O Élder Martins se tornou a primeira Autoridade Geral negra no dia 31 de março de 1990.

Carmen Gálvez O’Donnal: Pioneira guatemalteca que impactou a Igreja como um todo

Quando Carmen Gálvez e seus amigos jogavam tênis juntos em uma noite em 1942, sua amiga disse: “Ei, Carmen, venha aqui. Este gringo quer lhe conhecer.” Ela se referia a John F. O’Donnal, um jovem americano que trabalhava na Guatemala.

“Por que cargas d’água uma mulher tem que procurar o homem?” ela respondeu sucintamente em espanhol, pensando que O’Donnal não entenderia. “Se ele for um cavalheiro”, disse, “pode vir e me encontrar.”

O’Donnal a surpreendeu atravessando a sala e respondendo em perfeito espanhol: “Em que cargas d’água você tem estado?”

Começaram a namorar pouco depois. A família e amigos de Carmen não aprovaram John por ser um santo dos últimos dias, mas ela e John se casaram mesmo assim em 19 de junho de 1943.

John trabalhou incansavelmente para trazer a Igreja para a Guatemala; Carmen queria entender a dedicação de seu marido pela Igreja, mas quando orou sobre o Livro de Mórmon, uma “presença escura” a rodeou.

Missionários lhe deram uma bênção do sacerdócio que acalmaram seus medos; ela sabia que precisava ser batizada. Após seu batismo, em 13 de novembro de 1948, foi chamada como presidente da Sociedade de Socorro na Cidade da Guatemala.

Aquele foi apenas o início do serviço dedicado de O’Donnal na Igreja.

Batismo de Carmen de O’Donnal em 13 de novembro de 1948.
Batismo de Carmen de O’Donnal em 13 de novembro de 1948. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Em 1976, John e Carmen O’Donnal presidiram a Missão da Cidade da Guatemala, seguida pela Missão Guatemala Quetzaltenango. John também ajudou a Igreja a adquirir o terreno para a construção do Templo da Cidade da Guatemala Guatemala. Ele e Carmen serviram como o primeiro presidente e diretora do templo após sua dedicação em 1984.

Carmen e John desenvolveram programas que mais tarde impactaram a Igreja no mundo todo: propuseram um cronograma consolidado de três horas para reuniões de domingo; desenvolveram lições simplificadas da Escola Dominical para novos membros (agora chamado de Princípios do Evangelho); e supervisionaram a construção de capelas locais menores e mais baratas.

Nowah Afangbedji: Missionário pioneiro de Togo, oeste da África

Quando Nowah Afangbedji ouviu sobre o Profeta Joseph Smith no início da década de 90 passada quando tinha 14 anos, ficou chocado que alguém da sua idade “fosse tão forte e confiante, e que fosse ao Senhor e Lhe fizesse perguntas.” 

Após Afangbedji seguir o exemplo de Joseph e orar com fé sobre a Igreja de Jesus Cristo, ele e 13 outros recém-conversos foram batizados em setembro de 1997.

“Foi maravilhoso”, disse sobre seu batismo. “Os sentimentos que tive, o poder de limpeza que senti, e o Espírito do Senhor que percorreu minha alma e toda a congregação — a alegria que tivemos naquele dia foi especial, muito especial.”

Primeira reunião de ramo em Togo em 1999.
Primeira reunião de ramo em Togo em 1999. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Em 2009, apenas duas semanas após retornar de sua missão de tempo integral na Nigéria, Afangbedji viu a Igreja criar o primeiro distrito em seu país, Togo, que fica no oeste da África. Quatro anos depois, se tornou uma estaca. 

“Hoje posso perceber que aquelas pequenas coisas que estávamos fazendo foram uma base forte para o excelente trabalho que estamos desfrutando agora”, disse.

Maxine Tate Grimm: Fundamental no estabelecimento da Igreja nas Filipinas

Durante a Segunda Guerra Mundial, Maxine Tate se juntou à Cruz Vermelha para cumprir um de seus “maiores desejos de fazer o bem às pessoas”. Enquanto morava nas Filipinas, reuniu outros santos dos últimos dias nos domingos para adorarem juntos.

Foto de Maxine T. Grimm quando era jovem, copiada na terça-feira, dia 6 de agosto de 2013.
Foto de Maxine T. Grimm quando era jovem, copiada na terça-feira, dia 6 de agosto de 2013. Credit: Fornecida por Maxine T. Grimm

Naquela época, a Igreja não tinha reconhecimento legal ou congregações locais nas Filipinas, mas ela resolveu ajudar a mudar isto. Casou-se com Pete Grimm e se estabeleceu em Manila, no final dos anos de 1950, e organizou classes não-oficiais da Escola Dominical e Primária. 

“Fez tudo o que podia para ensinar o evangelho a outros”, o então-Élder Gordon B. Hinckley disse sobre Grimm. “Ela implorou que missionários fossem enviados.”

A Igreja ouviu suas súplicas: os primeiros missionários nas Filipinas chegaram em 5 de junho de 1961.

Os filipinos rapidamente aceitaram a mensagem do evangelho enquanto Grimm e seu marido apoiavam os esforços missionários. Muitos dos primeiros 2000 batismos aconteceram na piscina de sua casa. Até o fim da vida de Grimm, a quantidade de membros da Igreja nas Filipinas tinha chegado a mais de 700.000.

Élder Ángel Abrea: Primeiro Setenta Autoridade Geral argentino

Élder Abrea em seu escritório.
Élder Abrea em seu escritório. Credit: Marty Mayo

Um dia na Argentina, enquanto entregava leite a uma cliente, Ángel Abrea, de 10 anos, cantou sua nova música favorita: “Brilhando Brilhando.” Quando sua cliente perguntou sobre a música, Abrea disse que era da sua igreja.

“Por que não me fala algo sobre a sua igreja?” perguntou. Sua resposta levou ela e sua família a frequentarem as reuniões. 

Abrea se tornou um conselheiro na presidência do distrito com 17 anos. Em 20 de março de 1981, Élder Ángel Abrea se tornou o primeiro nativo argentino apoiado como Setenta Autoridade Geral.

Lydie Zebo Bahie: Uma das primeiras missionárias da República Democrática do Congo

Após ambos seus pais falecerem quando ainda morava em casa, um membro da família apresentou Lydie Zebo Bahie à Igreja de Jesus Cristo.

“Quando fui para a igreja pela primeira vez, as irmãs da Sociedade de Socorro e das Moças me receberam tão calorosamente”, Bahie disse. “Senti como se quase tivesse encontrado os meus pais novamente.”

Originalmente da Costa do Marfim, um país do oeste da África, Bahie se tornou uma das primeiras missionárias a servir na Missão República Democrática do Congo Kinshasa. “As experiências que tive, tanto positivas quanto negativas, me ajudaram a desenvolver uma capacidade cristã maior para amar e servir”, disse. “Minha alegria era completa.”

Ana Cumandá Rivera: ‘Instrumento de progresso’ nas mãos de Deus’

Ana Cumandá Rivera e outras missionárias servindo em Otavalo.
Ana Cumandá Rivera e outras missionárias servindo em Otavalo. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Em 1977, Ana Cumandá Rivera de Quito, Equador, foi chamada para servir como missionária na área de Otavalo, no Equador. Ela viu ser cumprida a profecia do Velho Testamento de que os jovens teriam visões e profetizariam (Joel 2:28–29). 

Uma de suas companheiras sonhou que elas deviam ir “a uma comunidade chamada Punyaro porque há muita gente esperando por nós”, disse ela. Como era de se esperar, lá elas encontraram três famílias que receberam o evangelho.

Outra companheira pediu a Cumandá para ensiná-la a ler e escrever. Depois de ver seu progresso, Cumandá ansiava por fazer mais. Depois de sua missão, ela orou para ser um “instrumento de progresso” para os filhos de Deus. A Igreja logo lhe pediu que retornasse a Otavalo — desta vez como coordenadora de alfabetização.

Histórias adicionais:

Neste vídeo, Julia Mavimbela vivenciou as dificuldades de ser uma mulher negra na África do Sul durante a época do Apartheid. Ela explica como encontrou paz.

Em março de 1897, o Presidente Wilford Woodruff, o quarto presidente da Igreja, prestou seu testemunho em uma “máquina de falar”. Ouça sua própria voz testificando sobre a Restauração neste vídeo.

Este vídeo emocionante descreve os 3000 quilômetros que um grupo de santos dos últimos dias brasileiros viajou para irem ao Templo de São Paulo em 1992.

Em junho de 1989, o governo de Gana baniu as reuniões da Igreja. Este vídeo destaca as experiências de membros se reunindo em suas próprias casas para a reunião sacramental.