Jenny Reeder: União com as irmãs da Sociedade de Socorro do passado e do presente

Em 8 de junho de 1876, Eliza R. Snow visitou Alpine, Utah. “Esta organização da Sociedade de Socorro é uma grande coisa”, ela ensinou à congregação de homens e mulheres. “É um forte poder.”

Eu não tinha entendido realmente como a Sociedade de Socorro é uma força para o bem no mundo, até que soube de seu passado e participei com as mulheres do presente. Essa compreensão aconteceu simultaneamente enquanto eu lia, servia e recebia.

Senti a força do bem quando trabalhei no turno das noites de terças-feiras, no Templo de Salt Lake City por 18 meses antes de fechar para reconstrução. Subi as mesmas escadas, passando pelas salas sagradas onde Zina Young e Bathsheba Smith atuaram como oficiantes do templo, ao mesmo tempo em que serviam como presidentes gerais da Sociedade de Socorro. Eu sabia onde o retrato de Eliza R. Snow estava pendurado e onde Emmeline B. Wells teve um encontro sagrado com o Salvador.

Emmeline B. Wells (1828-1921) foi presidente geral da Sociedade de Socorro, assim como escritora e editora de um periódico quinzenal, Woman’s Exponent, criado para as mulheres santos dos últimos dias. Ela também foi ativa na política e no movimento do sufrágio feminino.
Emmeline B. Wells (1828-1921) foi presidente geral da Sociedade de Socorro, assim como escritora e editora de um periódico quinzenal, Woman’s Exponent, criado para as mulheres santos dos últimos dias. Ela também foi ativa na política e no movimento do sufrágio feminino. Crédito: Biblioteca de História da Igreja

Também senti essa força entre as mulheres com quem servi. Compartilhamos laços sagrados, literalmente conectando o passado com o presente e com o futuro por meio das ordenanças de salvação do templo. E nós nos importamos profundamente — e continuamos a cuidar — umas das outras. Nós comemoramos e lamentamos umas pelas outras. Mesmo agora, com o templo fechado, nos encontramos no Zoom e oramos, rimos e choramos juntas.

Gerações de mulheres têm praticado a santidade de diversas maneiras, tempos e lugares. Elas usam os recursos de que dispõem em suas várias situações. Elas buscam a força de seus convênios do templo. Suas histórias me ligam às mulheres em meu ministério e à Sociedade de Socorro hoje.

Neste 179º aniversário da organização da Sociedade de Socorro — 17 de março de 1842, em Nauvoo, Illinois — eu também experimentei o que torna a associação de mulheres e sua conexão com o templo tão forte. Adoro saber que Emma Smith foi a primeira mulher a receber sua investidura do templo na Restauração e a ajudar a conferi-la a outras mulheres, e que ela foi a primeira presidente da Sociedade de Socorro em Nauvoo. O templo e a Sociedade de Socorro estão intimamente conectados.

Retrato de Emma Hale Smith, esposa do Profeta Joseph Smith e primeira presidente geral da Sociedade de Socorro, por Lee Richards.
Retrato de Emma Hale Smith, esposa do Profeta Joseph Smith e primeira presidente geral da Sociedade de Socorro, por Lee Richards. Crédito: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

As mulheres se reuniram desde o início, para cuidar dos pobres de corpo e de espírito. Em uma época de pandemia global, amei ver a Sociedade de Socorro se unir sob a direção da Presidente Geral da Sociedade de Socorro, Jean B. Bingham, para costurar máscaras: três milhões no Brasil, 2.000 na Polinésia Francesa, centenas na Colômbia, cinco milhões em Utah.

Ao visitar uma irmã a quem ela ministrava, minha mãe percebeu seu esforço para costurar máscaras em sua máquina de costura de pedal antiga. Era um trabalho árduo — e minha mãe imediatamente levou metade delas para casa para ajudar a aliviar o fardo daquela irmã. Elas estavam determinadas!

A irmã Sharon Eubank, primeira conselheira na presidência geral da Sociedade de Socorro, disse: “Nosso nome diz Sociedade de Socorro e esta é uma oportunidade em que podemos viver de acordo com este nome e prestar socorro”.

O esforço das máscarsa me lembra do programa de armazenamento de grãos, liderado por mulheres no Território de Utah de 1876 a 1918. Depois que os irmãos não conseguiram implementar um plano para economizar alimentos para uma época de fome, Brigham Young chamou Emmeline B. Wells para administrar o empreendimento. Com a ajuda de Eliza R. Snow e outras pessoas, Emmeline coordenou os esforços da Sociedade de Socorro em cada ala e ramo, e as mulheres locais pesquisaram, planejaram e construíram depósitos seguros, e compraram ou colheram grãos. Eliza viajou para vários ramos e as incentivou a fazerem o mesmo. As irmãs aprenderam sobre o mercado de grãos enquanto agiam de acordo com a inspiração divina. Quando Emmeline serviu como presidente geral da Sociedade de Socorro, aquele grão foi transferido para americanos necessitados durante a Primeira Guerra Mundial.

A irmã Jean B. Bingham, presidente geral da Sociedade de Socorro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, participa de uma campanha de coleta de máscaras clínicas caseiras nas Indústrias Deseret em Ogden, Utah, como parte da iniciativa ProjectProtect dos Serviços de Caridade dos Santos dos Últimos Dias e redes locais de saúde, em 25 de abril de 2020.
A irmã Jean B. Bingham, presidente geral da Sociedade de Socorro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, participa de uma campanha de coleta de máscaras clínicas caseiras nas Indústrias Deseret em Ogden, Utah, como parte da iniciativa ProjectProtect dos Serviços de Caridade dos Santos dos Últimos Dias e redes locais de saúde, em 25 de abril de 2020. Crédito: Spenser Heaps, Deseret News

Muitas hoje se reúnem virtualmente como irmãs da Sociedade de Socorro. Vemos rostos surgindo, enchendo a tela, e reconhecemos amigas queridas. Meu escritório em casa se tornou um lugar sagrado quando ouço minhas irmãs ensinando e testificando na tela do meu computador. Eliza assistiu a uma conferência da Sociedade de Socorro da estaca em Ogden, Utah, em 30 de outubro de 1877, e ensinou às irmãs que “união é força”. Se todas as mulheres unissem sua energia, fé e orações, ela disse, elas poderiam “realizar muito”. Às vezes, realizar muito significa apenas estar juntas. “Se cada um de nós tiver um pouco do espírito certo e ficarmos juntas, é como colocar brasas no fogo”, disse Eliza a uma Sociedade de Socorro de Salt Lake City em 1872. “Quando estão separadas, não irão queimar e logo vão se extinguir, mas quando são colocadas juntas, logo explodem em chamas.”

Lembro-me de uma época em que lutei com graves problemas de saúde enquanto morava longe da família. Certa tarde, uma de minhas irmãs da Sociedade de Socorro, Marian Anderson, me visitou. Sentamos juntas na minha escada, onde ela colocou o braço em volta de mim, inclinou a cabeça e chorou comigo. Foi apenas o suficiente para reacender minha centelha. Em um momento de grande aflição, Emmeline registrou em seu diário, em 31 de agosto de 1887, como foi revigorante ir para a Sociedade de Socorro e encontrar companhia. Emmeline escreveu frequentemente sobre a “satisfação” que sentia por suas irmãs. Ela costumava viajar com Eliza da sede da Igreja em Salt Lake City, para espalhar a chama em pequenas reuniões em pequenos povoados. Eliza captou essa ideia em Gunnison, Utah, ao encorajar as mulheres “a se tornarem, como antigamente, mulheres santas de Deus; a influenciarem a sociedade, a elevarem-na, a darem-lhe um tom”. Ela continuou: “Se quiserem ser felizes, venham às reuniões [da Sociedade de Socorro]”.

Fotografia de Eliza R. Snow, de Edward Martin.
Fotografia de Eliza R. Snow, de Edward Martin. Crédito: Biblioteca de História da Igreja

Eu irei. Sintonizarei essa energia quando fizer login em minha conta do Zoom e, além disso, enquanto eu contribuir com minha comunidade e meu grupo de irmãs. Quando ministro, quando envio um pouquinho da minha chama por meio de um texto ou cartão pelo correio, eu também sou aquecida. E juntas estabeleceremos lares sagrados, abrigos contra as tempestades da vida e sustentaremos umas as outras.

A Editora Church Historian anunciou em 16 de março, a publicação online de 141 discursos adicionais de Eliza R. Snow, datados de junho de 1875 a dezembro de 1877, e três anos dos diários de Emmeline B. Wells, de 1889 a 1891. Estes, junto com discursos adicionais de Eliza e diários de Emmeline estão disponíveis gratuitamente para o público em https://www.churchhistorianspress.org. [Alguns destes volumes ainda não foram traduzidos para o português].

—  Jenny Reeder é especialista em história das mulheres no Departamento de História da Igreja.