Cinco mulheres na história da Igreja que enfrentaram seus desafios

Uma marchou com seu esposo no Batalhão Mórmon. A outra estava amamentando seu pequeno recém-nascido quando as turbas invadiram sua casa. Uma mãe, guiada pela inspiração, trabalhou para ajudar seu pequeno filho ferido em Hawn’s Mill [Moinho de Hawn]. Há mulheres que buscaram praticar sua fé e estabelecer Sião e enfrentaram oposição que exigiu coragem fortalecida por sua fé. Outras viram uma necessidade, buscaram inspiração para supri-las e lidaram com os desafios até o fim.

Aqui estão cinco mulheres que fizeram parte dos primórdios de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com informações sobre suas vidas, incluindo experiências notáveis e fotos dos locais por onde passaram.

Amanda Barnes Smith: Cura após Hawn’s Mill

Quem: Após se filiar à Igreja em 1831 em Amherst, Ohio, Amanda Barnes Smith e sua família se mudaram para Kirtland. Eles sofreram uma catástrofe financeira e perderam tudo devido à falência da Sociedade de Previdência de Kirtland em 1837 e 1838. A família Smith decidiu se juntar aos santos no Missouri. 

Experiência: Enquanto passavam por Hawn’s Mill [Moinho de Hawn] em outubro de 1838, membros da família de Amanda estavam entre as vítimas de uma turba que atacou o assentamento. Seu esposo, Warren, e seu filho de 10 anos de idade, Sardius, foram assassinados a tiros. Seu filho Alma teve seu quadril dilacerado e estava prestes a morrer. Mesmo com o choque e com o sofrimento inimaginável que a tomavam, Amanda foi guiada por revelação sobre como cuidar do quadril do pequeno Alma. Ela seguiu um plano de ação que nunca teria conhecido sem auxílio divino. Após semanas deitado de bruços, Alma finalmente se recuperou. 

À medida que as ameaças continuavam por várias semanas, Amanda pediu ajuda ao Senhor, buscando forças para continuar. Ela ouviu uma voz dizer estas palavras: 

A alma que em Cristo confiante repousar, 

A seus inimigos não há de se entregar. 

Embora o inferno a queira destruir, 

Deus nunca, oh, nunca, o há de permitir. 

Elas são da sétima estrofe de “Que firme alicerce”, “Hinos”, No. 42, e foram incluídas no hinário de 1835. Sua experiência também está detalhada em “I’ll Never Forsake” [Nunca me esquecerei] por Alex Baugh que faz parte do “Women of Faith in Latter Days” [Mulheres de fé nos últimos dias], Volume 1:  1775-1820” por Richard E. Turley e Brittany Chapman Nash.  

Amanda se casou novamente e seu segundo esposo tinha o mesmo nome de seu primeiro marido, embora não fossem parentes. O casamento deles terminou em divórcio.

Falecimento: Amanda passou o resto de sua vida em Salt Lake City. Ela foi ativa na Igreja enquanto sua saúde permitiu. Durante as últimas semanas de sua vida, ela ficou com uma filha em Richmond, Condado de Cache, Utah. Ela faleceu em 1886 e foi sepultada no Cemitério de Richmond.

Drusilla Dorris Hendricks: Protegeu a família

Quem: Drusilla e James Hendricks filiaram-se à Igreja em 1835 no Tennessee e em 1836 já estavam morando no Missouri. 

Experiência: Durante a Batalha do Rio Crooked, James levou um tirou no pescoço que o paralisou do pescoço para baixo. Ele podia falar, mas havia perdido a sensibilidade no resto de seu corpo. As turbas ainda estavam atacando. Em um certo momento, os membros da turba invadiram a casa onde Drusilla estava cuidando de seu esposo e amamentando seu bebê. Os membros da turba disseram que estavam lá para matar James. Drusilla lhes disse que teriam que matá-la primeiro, conforme compartilhado em “Women’s Voices: An Untold History of the Latter-day Saints, 1830-1900” [Vozes das Mulheres: Uma história não contada dos santos dos últimos dias, 1830-1900] por Jill Mulvay Derr, Audrey M. Godfrey e Kenneth W. Godfrey. 

James melhorou um pouco, mas foi Drusilla quem levou a família do Missouri para Illinois. Ela tinha que levantar James pelo menos 50 vezes por dia, o que exigia toda a sua força. Durante este período, o corpo de James foi tomado por inúmeras feridas, lhe causando um grande desconforto.  Eles chegaram a um ponto que não tinham nenhum alimento — nem carne, nem pão ou verdura. Em um momento de desespero, ela ouviu uma voz dizer: “Aguente, o Senhor proverá.” Várias pessoas foram inspiradas a suprirem suas necessidades, como relatado em The Spirit of the Lord Has Buoyed Me Up,” [O Espírito do Senhor me ergueu] por Susan Easton Black que faz parte do “Women of Faith in the Latter Days, Vol. 1: 1775- 1820” [Mulheres de fé nos últimos dias, Volume 1: 1775-1820]. Em seguida, eles construíram uma casa de tijolos em Nauvoo, Illinois, que ainda existe.  

Ao seguirem rumo ao oeste, o filho de Drusilla serviu no Batalhão Mórmon. Ela e o restante de sua família chegaram ao Vale do Lago Salgado em 1847. James continuou a melhorar e serviu como bispo. Eles se mudaram para Richmond, Condado de Cache em Utah, em 1860. 

Falecimento: James faleceu em 1870. Drusilla faleceu em 1881 aos 71 anos de idade. Ambos estão sepultados no Cemitério de Richmond. Black cita Drusilla da seguinte maneira: “O evangelho é verdadeiro… Regozijei-me nele durante todas as minhas provações, pois o Espírito do Senhor me ergueu, do contrário eu teria falhado.”

Eliza Carter Snow: Enfrentou uma turba no Missouri

Quem: Eliza Carter Snow foi criada em Maine. Ela se filiou à Igreja e, em seguida, se mudou para o Missouri. 

Experiência: No dia 30 de outubro de 1838, dia do massacre em Hawn’s Mill [Moinho de Hawn], Condado de Caldwell, Missouri, Eliza deu à luz sua primeira filha, Sarah Jane. Aqui está uma das versões de sua experiência, registrada em “Valiant in the Faith: Gardner and Sarah Snow and Their Family” [Valentes na fé: Gardner e Sarah Snow e sua família] por Archibald F. Bennett e Ella M. Bennett. Consulte também o esboço autobiográfico de Eliza Ann Carter Snow, localizado na Biblioteca de História da Igreja. 

“Devido às circunstâncias, James [seu esposo] foi forçado a estar longe de seu lar durante os primeiros dias após o nascimento de seu primogênito; e estava ausente no dia em que a turba invadiu várias casas. Diantha Billings, a parteira, tinha que proteger seus próprios filhos e deixou Eliza Ann, assim que o bebê, que pesava apenas 1,135 quilogramas, nasceu. A turba, liderada por John F. Boynton — um ex-missionário que havia visitado o lar da família Carter em Maine e outrora Apóstolo — entrou no chalé onde a doente e enfraquecida mãe, e seu indefeso bebê foram deixados sozinhos. Ela reconheceu a voz do líder quando ele demandou:  

“’Madame, qual é a idade do seu bebê?’ 

“’Calcule você mesmo’”, retrucou a destemida mãe. 

“Ela chamou John F. Boyton pelo nome, e o reprendeu por sua apostasia da verdade que um dia havia ensinado a ela e a sua família. Ele saiu rápida e timidamente, levando a turba consigo. Sua atitude corajosa provavelmente salvou sua vida e a da criança.”  

Após fugir do Missouri para o Illinois, Eliza se estabeleceu em Lima, Illinois, ao sul de Nauvoo. Sua casa lá também foi totalmente queimada por uma turba. 

Caminhos cruzados: Eliza chegou ao oeste em 1852. Seu esposo, James era o capitão da companhia. Durante o percurso, Rebecca Winters, membro da companhia, faleceu e foi enterrada com seu nome gravado na roda de um carroção próximo a Scotts, Bluff, Nebraska. 

Falecimento: Eliza faleceu no dia 9 de março de 1897 em sua casa em Provo, Utah.

Ellis Reynolds Shipp: Médica pioneira

Quem: Com 5 anos de idade, a jovem Ellis Reynolds Shipp viajou para o oeste com a Companhia de James C. Snow de 1852. Próximos a Scotts Bluff, Nebraska: “Naquela noite, Rebecca Winters faleceu. Avó Hawley tirou de sua própria cômoda o material para as roupas do enterro. Ela e Ann costuraram juntas a noite toda. Ellis ficou com seu pai [William] na noite fria, segurando a lanterna bem alto para que ele pudesse trabalhar e realizar seu próprio ato de amor e serviço. … Quando chegou a hora do enterro, William Reynolds trouxe a sua oferta. Ele gravou o nome de Rebecca nas velhas rodas de um carroção.  … Esta será a maneira de identificarmos este túmulo nos anos vindouros. O tempo diria quão verdadeira foi sua profecia” escreve Susan Evans McCloud em “Not in Vain: The inspiring story of Ellis Shipp, pioneer woman doctor” [Não foi em vão: A história inspiradora de Ellis Shipp, médica pioneira.]

Experiência: Ellis passou algum tempo na Beehive House [casa de Brigham Young] e frequentou a escola com alguns dos filhos de Brigham Young. Como esposa e mãe pioneira, Ellis regressou ao leste para frequentar a faculdade de Medicina, o que foi um grande sacrifício para ela e para sua família. Em casa com seu esposo e seus filhos durante uma pausa entre os anos acadêmicos, Ellis ficou grávida e ponderou se deveria ou não continuar com seu treinamento. Ela estaria sozinha na faculdade para lidar com o parto, cuidar de um recém-nascido, fazer suas provas finais e completar seu treinamento. Dois episódios curtos relacionados a essa experiência seguem abaixo: 

“De volta à faculdade, Ellis teve que poupar o pouco dinheiro que tinha. Em troca de alimentos, ela começou a ensinar costura às filhas de um padeiro. Ela ficou profundamente tocada quando seu pequeno filho lhe enviou uma carta com uma flor prensada e um dólar que ele ganhara.  

“Preocupada que sua gravidez interromperia seus estudos, Ellis orou ao Senhor durante uma noite inteira para que pudesse ter forças para terminar suas aulas antes do bebê nascer. Ellis não perdeu nenhuma aula! No dia 25 de maio de 1877, um dia após ter passado em suas provas, ela deu à luz uma menina. Ellis ficou feliz em ter uma filha e escreveu em seu diário: ‘Para mim, a maior alegria da vida de uma mulher é ser mãe’”, conforme registrado em “Heroes and Heroines:  Ellis Reynolds Shipp — Mother and Doctor” [Heróis e heroínas: Ellis Reynolds Shipp — mãe e médica], por Julie Wardell na revista “O Amigo” de abril de 1984. 

Falecimento: Ellis realizou milhares de partos. Ela também treinou muitos estudantes de Medicina, recebendo vários prêmios e honras. Ela faleceu no dia 31 de janeiro de 1939 aos 92 anos de idade. Ela foi sepultada no Cemitério de Salt Lake City.

Melissa Burton Coray Kimball: Marchou com o Batalhão Mórmon

Quem: Melissa Burton nasceu no Canadá, em 1828. Ela se casou com William Coray em Nauvoo, Illinois, em 1846. Três meses depois, eles começaram seu serviço no Batalhão Mórmon e sua longa marcha de 1846 a 1848. 

Experiência: Melissa viajou toda a extensão da rota do Batalhão Mórmon com seu esposo, William. Ela era lavadeira oficial que tinha que lavar roupas, além de marchar 3.200 quilômetros sem água e alimento suficientes. Às vezes, ela mantinha uma pedra na boca para ajudar a lidar com a sede avassaladora que todos sentiam de tempos em tempos. Ela guardou a pedra pelo resto de sua vida (“The Mormon Battalion: U. S. Army of the West, 1846-1848” [O Batalhão Mórmon: O Exército dos EUA do Oeste, 1846-1848] por Norma Baldwin Ricketts, págs. 186 e 208.)  

Após a dispensa formal do Batalhão em julho de 1847 em Fort Moore, Los Angeles, Melissa e William seguiram em direção ao norte para passarem algum tempo com os santos do navio Brooklyn, os quais estavam se estabelecendo em Yerba Buena, atual San Francisco. Em Monterey, Melissa deu à luz um filho no dia 2 de outubro de 1847. Eles lhe deram o nome de William, em homenagem a seu pai. A criança não viveu por muito tempo, falecendo enquanto eles ainda estavam em Monterey. 

Depois de um tempo em San Francisco, o grupo de Melissa seguiu rumo ao leste no verão de 1848. Eles tinham a árdua tarefa de abrir um caminho para carroções pela Sierra Nevada. No dia 19 de julho, encontraram uma cova rasa com três de seus escoteiros que iam à frente do grupo. Eles haviam sido mortos por índios. (Veja Melissa Burton Coray Kimball in “Utah Woman’s 2,000-Mile March Fifty-five Years Ago,” [A marcha de 3.200 quilômetros de uma mulher de Utah cinquenta e cinco anos atrás] Salt Lake Herald, 26 de maio de 1901, 2, em history.churchofjesuschrist.org.) 

Melissa escreveu e compartilhou em “O Batalhão Mórmon”: “Em todas as minhas jornadas com o batalhão, essa foi a pior noite.” Eles chamaram o local de Tragedy Spring [Nascente da Tragédia]. 

Melissa e William chegaram a Salt Lake City em segurança, mas William faleceu no ano seguinte, logo após o nascimento de sua filha. Melissa acabou se casando com William Kimball. Ela gerenciou o Hotel Kimball, uma estação de parada de passageiros e de correio perto de Park City, Utah. A estrutura ainda existe e pode ser vista da rodovia I-80, próximo à saída Kimball Junction, nomeada em homenagem ao seu segundo esposo. 

Falecimento: Melissa Burton Coray Kimball teve sete filhos com seu segundo esposo. Ela faleceu no dia 21 de setembro de 1903. Ela está sepultada no Cemitério de Salt Lake City. Há um pico de montanha na Sierra Nevada que recebeu seu nome em sua homenagem.  

— Kenneth Mays é um instrutor aposentado do Departamento de Seminários e Institutos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sua coleção de imagens está disponível em catalog.churchofjesuschrist.org.