Élder Cook diz que esforços na BYU devem ser impulsionados por “um foco como um raio laser” para ajudar a edificar a fé

A Universidade Brigham Young “deve edificar a fé em Jesus Cristo e em Sua Igreja de uma maneira poderosa”, disse Élder Quentin L. Cook antes de desafiar professores e funcionários da BYU — individualmente e como universidade — a “enfrentarem os ventos predominantes de incredulidade e divisão”.

“Vocês saberão melhor, em seus próprios campos e em suas próprias esferas, como aplicar este conselho e permanecer como um farol de crença e união em um mundo que muitas vezes desvaloriza ambos”, disse ele em uma mensagem pré-gravada transmitida durante a conferência da universidade anual da BYU, no dia 24 de agosto. “A BYU precisa elevar a visão de todos.”

Élder Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, tirou o título de seu discurso de Doutrina e Convênios 64:33: “Portanto não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra.”

Enfatizando que os esforços na BYU devem ser impulsionados por “um foco como um raio laser em nossa responsabilidade de ajudar a edificar a fé”, Élder Cook destacou três das muitas estratégias do adversário para destruir a fé. 

“Primeiro, o adversário constantemente lança obstáculos à fé”, disse ele. “Em segundo lugar, ele cria visões alternativas e sedutoras, com base na sabedoria do mundo e que serão vistas favoravelmente por muitos que são bem educados. Em terceiro lugar, ele tenta confundir os fiéis e adeptos quanto ao que devem fazer e ao que devem dizer.” 

Ao longo da história, sempre houve desafios à fé, disse Élder Cook. 

“Algumas pessoas são desrespeitosas, altamente críticas ou depreciativas para com os líderes anteriores, sejam governamentais, da classe acadêmica ou líderes religiosos, incluindo os nossos”, disse ele.

O presidente da BYU, Kevin J. Worthen, discursa durante a Conferência da Universidade anual da BYU, no dia 24 de agosto de 2020.
O presidente da BYU, Kevin J. Worthen, discursa durante a Conferência da Universidade anual da BYU, no dia 24 de agosto de 2020. Credit: Captura de tela da transmissão da BYU

Citando Matt Grow, diretor geral de História da Igreja, Élder Cook advertiu: “Tenham cuidado com fontes de informação que buscam difamar as pessoas. Em vez disso, procurem fontes de informação que tenham como base os registros deixados pelas próprias pessoas e que buscam ser justos com elas.”

Élder Cook disse aos educadores que eles podem edificar a fé sendo “particularmente sensíveis ao criarem unidade e sendo gratos pela diversidade.” Isto pode ser feito seguindo o conselho do Presidente Russell M. Nelson, que nos pediu “para construir[mos] pontes de cooperação em vez de muros de segregação”, disse ele.   

Sempre foi difícil para as instituições e seus líderes saberem lidar com as críticas, continuou.   

Élder Cook, que serviu missão na Inglaterra de 1960 a 1962, usou a literatura britânica para ilustrar a caracterização, tanto de críticos como de defensores da fé. Na cidade fictícia da catedral de Barchester, criada pelo autor britânico Anthony Trollope e que aparece em seis romances, líderes religiosos locais respondem de forma diferente às acusações de um crítico da igreja e de um jornal. Um advogado renomado é contratado para defender vigorosamente a Igreja, focando em tecnicalidades sem julgar pelo mérito. Um segundo “homem com uma mente generosa e justa” — descrito como tendo “persistentes ataques de cristianismo” — examina o caso como um verdadeiro cristão, com a intenção de ser “moral e certo com o Senhor”. 

Élder Cook disse que uma das razões pelas quais ele gosta do segundo personagem é porque a abordagem cristã ajuda a explicar por que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias lida com a crítica da maneira como faz. “Estamos certamente entre os menos agressivos ao nos defendermos de críticas obviamente falsas e/ou injustas”, disse ele.

Por exemplo, em vez de organizar um protesto ou boicotar o Musical Livro de Mórmon por seu retrato injusto da fé e dos missionários santos dos últimos dias, a Igreja comprou anúncios com o cartaz da produção, que simplesmente dizia: “Você viu a peça… Agora leia o livro.”

“Talvez ‘persistentes ataques de cristianismo’, um desejo sincero de serem verdadeiros cristãos e uma determinação para virarem a outra face, são as únicas respostas plausíveis para meus amigos que levantam esta questão”, disse ele.

No entanto, continuou o Élder Cook, haverá algumas ocasiões em que os santos dos últimos dias precisarão falar publicamente para protegerem a fé. 

“Um objetivo principal para mim hoje é incentivá-los em seus esforços para abençoarem e guiarem a nova geração, corrigirem a falsidade e as questões fora de contexto, de forma amorosa e gentil”, disse ele.

O relato de Trollope ilustra que estes tipos de questões têm estado presentes por um longo período de tempo e contra todas as crenças, disse ele.

O coro BYU Singers apresenta o hino “Louvai a Deus” durante a Conferência anual da Universidade, no 24 de agosto de 2020.
O coro BYU Singers apresenta o hino “Louvai a Deus” durante a Conferência anual da Universidade, no 24 de agosto de 2020. Credit: Captura de tela da transmissão da BYU

Élder Cook disse que aqueles que criticam a Igreja e seus líderes, muitas vezes baseiam suas críticas em palavras ou ações que estão fora de contexto. “Raramente a visão geral é considerada”, disse ele, observando que a Igreja tem feito muito nos últimos anos para promover a compreensão de temas potencialmente difíceis no contexto da visão geral, incluindo a publicação da história narrativa “Santos”, o projeto “Documentos de Joseph Smith” e os Textos sobre os Tópicos do Evangelho.

Élder Cook falou de algumas questões em que a história da Igreja é ignorada ou deturpada por críticos. “Entender os momentos em que fomos marginalizados e perseguidos deve nos dar coragem para ficarmos ao lado dos marginalizados hoje…”, disse ele. “Além disso, reconhecermos quando falhamos deve criar mais desejo para fazermos o nosso melhor hoje.”

Por exemplo, no início da década de 1830, quando os santos dos últimos dias se mudaram para o Condado de Jackson, Missouri, para estabelecerem Sião, a oposição surgiu de outros colonos, baseados em diversas questões — incluindo as empáticas opiniões dos santos em relação aos nativos americanos e a reprovação dos santos à escravidão.

Os santos foram violentamente expulsos do Condado de Jackson no final daquele ano, e novamente de Nauvoo, uma década depois.

“Brigham Young – o profeta de Deus cujo nome foi dado a esta universidade – liderou os santos durante um período tumultuado e difícil de mais de três décadas. Ele era um gênio prático e organizacional …. Mas mais do que isso, ele era um líder profundamente espiritual, que testificou corajosamente sobre a vida e missão de Jesus Cristo, que se preocupava profundamente com o bem-estar espiritual e físico dos santos dos últimos dias, e que enviou missionários para o mundo todo. 

“Brigham Young também disse coisas sobre a raça que estão aquém dos nossos padrões atuais. Algumas de suas crenças e palavras refletiram a cultura de seu tempo. Durante esse período, Brigham também ensinou, no que diz respeito à raça: ‘De um sangue, Deus fez toda a carne’. ‘Não nos importamos com a cor’”.

Élder Cook disse que Brigham Young também expressou admiração pelos nativos americanos. “Ele disse que tinham entre eles ‘espíritos tão nobres quanto há sobre a terra.’” 

O Élder Cook compartilhou então suas próprias experiências com questões de raça, incluindo uma poderosa lição de seu presidente de missão, Marion D. Hanks, que pediu a seus missionários para lerem e estudarem o Livro de Mórmon. Quando leram 2 Néfi 5:21, descrevendo o “escurecimento da pele” associado a serem expulsos da presença do Senhor aproximadamente 600 anos antes do nascimento de Cristo, o presidente Hanks foi categórico ao afirmar que a frase “era relacionada apenas àquelas pessoas durante aquele período de tempo.”

O presidente Hanks fez com que os missionários abrissem imediatamente 2 Néfi 26:33 — “e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios.”

“Esta era nossa doutrina na época, e esta é nossa doutrina agora”, disse Élder Cook. “O presidente Hanks deixou claro que se alguém tivesse sentimentos de superioridade racial, precisava se arrepender.”

Tendo servido na liderança local e depois geral da Igreja desde 1975, Élder Cook disse que “nunca ouviu qualquer comentário racialmente depreciativo de um único líder da Igreja. O que ouvi foi amor, bondade e respeito pelos povos de todas as raças e de todas as culturas.” 

Em uma mensagem pré-gravada transmitida durante a Conferência da Universidade anual da BYU no dia 24 de agosto de 2020, Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, desafia professores e funcionários da universidade a edificarem a fé em Jesus Cristo.
Em uma mensagem pré-gravada transmitida durante a Conferência da Universidade anual da BYU no dia 24 de agosto de 2020, Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, desafia professores e funcionários da universidade a edificarem a fé em Jesus Cristo. Credit: Captura de tela da transmissão da BYU

Em contraste com o movimento pelos direitos civis da década de 1960, quando os líderes foram motivados por sua devoção ao cristianismo, vários movimentos hoje se opõem profundamente à religião e às pessoas de fé, disse Élder Cook. “Isto não diminui as razões religiosas e seculares para o tratamento igualitário de todos os filhos de Deus que ressoa comigo até as profundezas de minha alma. No entanto, estou preocupado quando grande parte da discussão é um ataque à fé e à crença, muitas vezes modificando e distorcendo nossa história. …

“Todos apoiamos esforços pacíficos para superar a injustiça racial e social. Isto precisa ser feito. Minha preocupação é que alguns também estão tentando subverter a Constituição e a Declaração dos Direitos Humanos dos EUA, que têm abençoado este país e protegido pessoas de todas as crenças. Precisamos proteger a liberdade religiosa.”

Élder Cook desafiou então o corpo docente e os funcionários da BYU a “edificarem e abençoarem” os alunos que frequentam a Universidade Brigham Young.  Parafraseando e adaptando uma citação de Winston Churchill, Élder Cook pediu aos educadores que “acendam faróis espirituais que queimam intensamente na vida dos alunos, e soem um trompete doutrinário que ecoará no coração e na mente deles ao longo de sua vida.

Se fizerem isto para todos os jovens que frequentam esta grande universidade, haverá uma forte base de fé, serviço e justiça que abençoará a Igreja e o mundo.”