Presidente Nelson pede aos santos dos últimos dias ‘que estejam à frente do abandono de atitudes e ações preconceituosas’

Após meses definidos por tensões raciais, protestos pacíficos e tumultos ilegais nos Estados Unidos e em outras nações do mundo, o Presidente Russell M. Nelson declarou que todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus.

“Hoje, peço a nossos membros, em todos os lugares, que estejam à frente do abandono de atitudes e ações preconceituosas”, disse o líder de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na manhã de domingo. “Imploro a vocês que promovam o respeito por todos os filhos de Deus.”

Em seu discurso durante a 190ª Conferência Geral Semianual, Presidente Nelson pediu aos 16,5 milhões de santos dos últimos dias no mundo todo que “ouçam atentamente o que estou prestes a dizer.”

Presidente Russell M. Nelson faz seu discurso durante a sessão da manhã de domingo da 190ª Conferência Geral Semianual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Salt Lake City, no domingo, dia 4 de outubro de 2020.
Presidente Russell M. Nelson faz seu discurso durante a sessão da manhã de domingo da 190ª Conferência Geral Semianual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Salt Lake City, no domingo, dia 4 de outubro de 2020. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

“Deus não ama mais uma raça do que outra”, enfatizou ele. “Sua doutrina sobre este assunto é clara. Ele convida todos a virem a Ele, ‘negro e branco, escravo e livre, homem e mulher’ (2 Néfi 26:33).

“Eu lhes asseguro que sua posição diante de Deus não é determinada pela cor de sua pele.

“Obter, ou não, a graça aos olhos de Deus depende de sua devoção a Ele e a Seus mandamentos, e não da cor de sua pele.”

A pergunta para todos os filhos de Deus, independentemente da raça, é a mesma, disse ele.

“Você está disposto a deixar que Deus prevaleça em sua vida? Está disposto a deixar que Deus seja a influência mais importante em sua vida? Permitirá que Suas palavras, Seus mandamentos e Seus convênios influenciem o que você faz todos os dias? Permitirá que Sua voz tenha prioridade sobre qualquer outra? Está disposto a permitir tudo que Ele precisa que você faça, prevalecer sobre qualquer outra ambição? Está disposto a ter sua vontade absorvida pela Dele?”

As palavras do Presidente Nelson seguiram uma linguagem semelhante, lamentando o racismo de outros líderes seniores da religião global.

Presidente Dallin H. Oaks, da Primeira Presidência, disse aos santos dos últimos dias que — como cidadãos e como membros da Igreja do Senhor — “devemos melhorar para ajudarmos a erradicar o racismo.”

Saber que “somos todos filhos de Deus nos dá uma visão divina do valor de todos os outros, assim como a vontade e a capacidade de nos elevarmos acima do preconceito e do racismo”, disse o Presidente Oaks.

Os Estados Unidos, disse ele, “deveriam ser melhores na eliminação do racismo, não apenas contra os negros americanos, que foram os mais visíveis nos recentes protestos, mas também contra os latinos, asiáticos e outros grupos. A história do racismo desta nação não é uma história feliz e devemos fazer algo para melhorar.”

Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, fala durante a sessão da manhã de sábado da 190ª Conferência Geral Semianual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no dia 3 de outubro de 2020.
Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, fala durante a sessão da manhã de sábado da 190ª Conferência Geral Semianual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, no dia 3 de outubro de 2020. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse na manhã de sábado que a doutrina da Igreja afirma que todos os filhos de Deus são irmãos e irmãs.  

“Com nossa doutrina inclusiva, podemos ser um oásis de união e celebrar a diversidade”, disse ele. “A união e a diversidade não são coisas opostas. Podemos alcançar uma maior união ao promovermos uma atmosfera de inclusão e respeito pela diversidade.”

As alas e os ramos na Igreja são determinados pela geografia ou pelo idioma, não pela raça ou cultura, disse ele. A raça não é identificada nos registros dos membros.

“O ministério e a mensagem do Salvador têm consistentemente declarado que [as pessoas de] todas as raças e cores são filhos de Deus”, disse ele.

No início deste ano, depois de protestos, tumultos e violência nos Estados Unidos após a morte de George Floyd no dia 25 de maio — um homem negro que morreu depois que um policial branco se ajoelhou em seu pescoço enquanto o prendia —, Presidente Nelson condenou o racismo e defendeu a paz nas mídias sociais.

“Nós nos unimos a muitos em toda esta nação e através do mundo, que estão profundamente entristecidos com as recentes evidências de racismo e um desrespeito flagrante pela vida humana”, escreveu ele. 

“Abominamos a realidade de que alguns negam a outros o respeito e a mais básica das liberdades por causa da cor de sua pele. Também nos entristece quando estas agressões à dignidade humana levam a uma escalada de violência e agitação.”

O Criador pede a todos que abandonem atitudes de preconceito contra qualquer grupo de filhos de Deus, escreveu Presidente Nelson. “Qualquer um de nós, que tenha preconceito em relação a outra raça, precisa se arrepender!” 

Presidente Nelson enfatizou o exemplo do Salvador de ministrar aos excluídos e marginalizados durante Seu ministério terreno. “Como Seus seguidores, podemos fazer menos do que isso? A resposta é não! Acreditamos na liberdade, na bondade e na justiça para todos os filhos de Deus!

“Sejamos claros. Somos irmãos e irmãs, cada um de nós é filho [ou filha] de um Pai Celestial amoroso. Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, convida a todos a virem a Ele — ‘negro e branco, escravo e livre, homem e mulher’. Cabe a cada um de nós fazer o que pudermos em nossas esferas de influência para se preservar a dignidade e o respeito que cada filho e filha de Deus merece.”

Qualquer nação só pode ser tão grande quanto seu povo, continuou o Presidente Nelson. Os cidadãos devem cultivar uma bússola moral que os ajude a distinguir entre o certo e o errado. 

“Atos ilegais como saques, depredação ou destruição de propriedades públicas ou privadas, não podem ser tolerados. Jamais um erro foi corrigido com outro. O mal nunca foi resolvido com um mal maior”, escreveu ele. 

“Precisamos promover nossa fé na Paternidade de Deus e na fraternidade dos homens. Precisamos promover um respeito fundamental pela dignidade de cada alma humana, independentemente de sua cor, credo ou causa. E precisamos trabalhar incansavelmente para construirmos pontes de entendimento, em vez de criarmos muros de segregação.”

Presidente Nelson concluiu exortando todos a se unirem em prol da paz. “Suplico que trabalhemos juntos pela paz, pelo respeito mútuo e por uma efusão de amor por todos os filhos de Deus.”

Um ano antes, no dia 21 de julho de 2019, Presidente Nelson fez uma chamada para ação aos membros da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP). “De braços dados e ombro a ombro, que possamos nos esforçar para edificarmos nossos irmãos e irmãs em todos os lugares, de todas as maneiras possíveis”, disse ele durante a convenção nacional da NAACP em Detroit, Michigan. “Este mundo jamais será o mesmo.”

Durante seu discurso de 10 minutos, Presidente Nelson elogiou o trabalho da NAACP — a mais antiga e maior organização não partidária de direitos civis dos Estados Unidos. “Em resumo, nós nos esforçamos para construirmos pontes de cooperação em vez de muros de segregação”, disse o Presidente Nelson.

Em 2018, os líderes da NAACP, acompanhando seu Diretor Executivo, Leon Russell, visitaram Salt Lake City e se encontraram com a Primeira Presidência. 

Em uma entrevista coletiva após aquela reunião de 2018, o Presidente Nelson explicou que uma das doutrinas fundamentais da Igreja é que todas as pessoas são filhos de Deus — todos fazem parte da mesma família divina. O presidente da NAACP, Derrick Johnson, e o Presidente Nelson fizeram, naquela ocasião, um convite conjunto para que todas as pessoas, organizações e unidades governamentais “trabalhem com maior civilidade, para eliminarem preconceitos de todo tipo e se concentrarem nos importantes interesses que temos em comum.”