Élder Soares, irmã Aburto e outros líderes prometem paz aos nativo-americanos que enfrentam dias difíceis

Mesmo em meio à tristeza e desafios causados pela pandemia contínua, assim como outros desafios diários, os nativo-americanos podem encontrar “esperança renovada no Salvador e em Seu evangelho maravilhoso.”

Essa foi a mensagem consoladora que Élder Ulisses Soares, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilhou na sexta-feira, dia 26 de fevereiro, em um devocional especial para os santos dos últimos dias nativo-americanos na região de Chinle, Arizona.

A Nação Navajo e outras tribos nativas no sudoeste dos EUA foram atingidas de forma particularmente difícil pela pandemia.

“Sei que muitos de nós nesta audiência estamos sentindo os efeitos preocupantes na economia e saúde resultantes da COVID-19”, disse Élder Soares em uma transmissão ao vivo do Pequeno Teatro do Centro de Conferências. “Estamos cientes de que muitos dos nossos queridos membros da Nação Navajo testaram positivo para a COVID-19 e, infelizmente, alguns morreram. Talvez alguns de vocês nesta audiência tenham perdido familiares durante esta pandemia. Nós sentimos muito por isso.

“Pelo que ouvi de seus líderes locais, vocês são muito resistentes e muito fiéis enquanto continuam a seguir os impulsos cristãos de cuidarem uns dos outros.”

O apóstolo disse que ficou animado ao saber que muitos membros nativo-americanos compartilham mensagens do evangelho, vídeos, testemunhos e histórias de conversão pessoal para ajudarem a fortalecer a fé de outros membros, em uma época quando as reuniões regulares da Igreja não eram possíveis.”

“Sei que estamos muito ansiosos para voltar à vida normal e continuar nosso discipulado, e assim o faremos”, disse ele. “Esta pandemia vai passar, assim como todas as outras provações e desafios que enfrentamos em nossa vida. E voltaremos mais fortes em nossa fé e desejo de viver este evangelho maravilhoso.”

A frase de abertura do Livro de Mórmon de Néfi revela que ele e seu povo conheceram muitas aflições. As dificuldades continuam hoje. Sempre fez parte da experiência humana.

Élder Soares convidou sua audiência na sexta-feira a seguirem o exemplo de Néfi e verem o desapontamento e o desânimo “através dos olhos da fé”.

“Quero assegurar-lhes que Cristo está sempre ciente das adversidades que enfrentamos na mortalidade”, disse ele. “Ele entende toda a amargura, agonia e dor física, bem como os desafios emocionais e espirituais que enfrentamos. Ele tem um coração cheio de misericórdia e está sempre pronto para nos ajudar, porque Ele mesmo passou por tudo isso na carne.”

Élder Kyle S. McKay, Setenta Autoridade Geral, fala a várias pessoas reunidas remotamente para o devocional aos membros nativo-americanos, no dia 26 de fevereiro de 2021.
Élder Kyle S. McKay, Setenta Autoridade Geral, fala a várias pessoas reunidas remotamente para o devocional aos membros nativo-americanos, no dia 26 de fevereiro de 2021. Crédito: Captura de tela

O ano passado foi repleto de desafios —  incluindo a pandemia, dificuldades econômicas, divisões raciais e políticas, e violência. Tem havido medo e incerteza. Valores eternos, para muitos, tornaram-se incertos.

“O mundo está se esquecendo de quem é Jesus Cristo e o que Ele fez por nós”, disse Élder Soares. “Penso que isto é parte do motivo pelo qual o mundo está se tornando mais confuso sobre nossa identidade divina. Além disso, o adversário está aproveitando todas as oportunidades para criar confusão nas mentes das pessoas por meio de seus ataques à fé, a nós e a nossas famílias em uma velocidade exponencial.”

A dor e os desafios da mortalidade são uma certeza para todos —  inclusive para aqueles que mantêm sua vida alinhada ao Salvador e Seus mandamentos, acrescentou ele. É parte da vida e do progresso eterno de uma pessoa. Existe oposição em todas as coisas.

Certa vez, o Senhor disse a Joseph Smith que, se nunca tivéssemos o amargo, não poderíamos conhecer o doce.

“Sei que mesmo conhecendo esses princípios importantes, ainda é difícil entender por que estas coisas acontecem, não é? E acho que não entenderemos perfeitamente até cruzarmos para o outro lado do véu. Quando chegarmos lá, acredito que nossos olhos se abrirão para muitas coisas que não podemos ver agora.”

Élder Soares observou a importância dos cuidadores durante a recuperação de uma doença. O Senhor é o nosso “cuidador espiritual”.

“Devemos nos render a Ele. Ao fazermos isto, renunciamos a tudo que esteja nos causando dor e entregamos tudo a Ele.”

O Apóstolo falou então sobre a dor e o isolamento de Joseph Smith enquanto estava preso na Cadeia de Liberty, em 1839. O Profeta provavelmente se sentiu abandonado, rejeitado e injustiçado — causando-lhe sentimentos de diminuição de sua autoestima. O adversário provavelmente tentou aproveitar aquele momento para fazer Joseph se esquecer de seu potencial divino como filho de Deus.

“Acredito que todos nós, com mais ou com menos intensidade, já experimentamos este tipo de sentimento, especialmente quando nos sentimos discriminados por qualquer motivo”, disse Élder Soares. “Se este for o caso de qualquer um de nós, lembremo-nos dos ensinamentos do Salvador: ‘Se alguém quer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por causa de mim, achá-la-á.’”(Mateus 16: 24-25).

Para alguns que lutam contra esses sentimentos, abraçar “a própria cruz” e seguir o Salvador significa se esforçar para deixar de lado os sentimentos negativos, e se voltar para o Senhor em busca de liberdade e paz.

“Infelizmente, se nos apegarmos a estes sentimentos e emoções negativas, podemos ver que estamos vivendo sem a influência do Espírito do Senhor em nossas vidas”, disse ele. “Não podemos nos arrepender por outras pessoas, mas podemos perdoá-las, recusando sermos mantidos como reféns por aqueles que nos feriram.”

Élder Soares acrescentou que aprendeu, por meio de experiências pessoais e familiares, que a cura vem no tempo do Senhor e da maneira do Senhor.

“O Senhor cuida de nós, e nosso coração é curado quando nos rendemos ao Senhor. Decidimos renunciar a nossa dor e dar tudo ao Salvador Jesus Cristo. Ele deu Sua vida, não apenas por nossos pecados, mas por todos os sofrimentos e agonias que enfrentamos nesta vida mortal. Portanto, Ele espera que nos voltemos a Ele e nos entreguemos a Ele.”

Conforme ensinou o Presidente Russell M. Nelson, a alegria vem de Jesus Cristo e de Seu evangelho.

Élder Soares concluiu seu discurso na sexta-feira com seu testemunho de Cristo, o Curador.

“Ele nos dará descanso para nossas almas e tornará nossos fardos leves de suportar.”

A linguagem do Pai

Élder Kyle S. McKay, Setenta Autoridade Geral, expressou gratidão por poder passar a noite de sexta-feira “entre pessoas a quem o Senhor fez grandes promessas e pelas quais o Senhor expressou grande amor e preocupação.”

Élder McKay ensinou sobre a importância das crianças indígenas nativo-americanas aprenderem as línguas de seus pais. Ele mesmo também obteve força, estabilidade e direção através da linguagem de seus próprios pais, que vieram dos vales férteis e das montanhas rochosas da Escócia.

“Meu nome é MacKay,” ele disse. “Na língua de meus antepassados, o nome significa ‘filho do fogo’. O lema da nossa tribo, ou clã, é manu forti, que significa “com mão forte”. Foi um grito de guerra, com a intenção de inspirar meus antepassados a lutarem com força esmagadora na defesa da família e da liberdade. O slogan de nosso clã, bi trein, significa “ser verdadeiro”, pois a força é mais forte quando usada em defesa da verdade. Oro para que a linguagem e as lições de meus ancestrais sejam sempre preservadas.”

Uma “linguagem”, declarou Élder McKay, é superior a todas as outras: a linguagem do Pai — Aquele que é o Pai de todos. Durante sua missão de tempo integral, mais de quatro décadas atrás, ele aprendeu a reconhecer a linguagem do Pai, conforme ela se comunicava com ele em sua mente e coração. O jovem missionário descobriu que era a língua mais importante que aprenderia.

“E desde então, tenho me esforçado para me tornar sempre fluente na linguagem do Espírito, que é a linguagem do Pai.”

Élder McKay testificou que os nativos americanos são um povo do convênio do Senhor.

“Vocês são conhecidos por Deus e serão fortalecidos em Cristo”, disse ele. “O Livro de Mórmon foi escrito por vocês e para vocês. Vocês são filhos de Leí, por linhagem ou herança, ou ambos.

“Vocês devem sempre se orgulhar de serem membros das tribos Navajo, Apache ou Hopi, ou qualquer tribo a que pertençam, assim como eu sou um orgulhoso membro do clã Mackay. Mas quero lembrá-los de que as maiores bênçãos que vocês e eu receberemos virão a nós por sermos todos membros de uma tribo de Israel; nós somos os filhos de Abraão.”

Cristo é o remédio para o vício e abuso

No início de seu discurso, a irmã Reyna I. Aburto, segunda conselheira na presidência geral da Sociedade de Socorro, se apresentou como uma nicaraguense da tribo Nicarao — um ramo de um grupo maior de indígenas do norte.

“Somos primos”, disse ela, “e mais do que isso, somos todos irmãos e irmãs no evangelho de Jesus Cristo.”

O ano passado, reconheceu a irmã Aburto, foi um ano difícil. O mundo “virou de cabeça para baixo” e alguns perderam entes queridos para a pandemia. “No entanto, sei que nosso Pai Celestial e nosso Senhor Jesus Cristo estão nos sustentando neste momento difícil. Eles também estão nos ensinando para que possamos nos tornar mais fortes e mais sábios. Eles nos capacitam a fazer coisas que não podemos fazer por nós mesmos.”

Conforme ensinou o Presidente Russell M. Nelson, todos podem recorrer ao poder de Deus, por meio de seus convênios, para receberem a força necessária para fazerem a diferença na vida das pessoas ao seu redor.

Barreiras podem impedir que algumas comunidades nativo-americanas alcancem seu potencial divino. Existem problemas com vícios e abusos, e o adversário pode levar alguns a acreditarem que são impotentes contra tais doenças.

“No entanto, isso não é verdade”, disse a irmã Aburto. “Vícios e abusos podem ser interrompidos e evitados. Cada um de nós pode fazer a diferença. E para isso, precisamos de todos nós —  especialmente adultos, que devem agir em nome e proteger os jovens e as crianças. Qualquer tipo de abuso é contrário aos ensinamentos de Jesus Cristo, bem como às leis do homem.”

Converse com a “nova geração” sobre as tentações que podem prendê-los ao vício ou ao abuso, ela aconselhou.

“Vamos romper o ciclo dos danos, construindo locais de segurança”, disse ela. “Vamos ‘fazer de [nossos] lares verdadeiros santuários de fé, onde o Espírito do Senhor possa habitar’. Vamos ‘libertar o poder das famílias’, como o Presidente Russell M. Nelson nos convidou a fazer. ”

A irmã Aburto testificou que Jesus Cristo chora por todos os que sofreram abusos. O Senhor conhece sua dor.

“Ele quer que vocês saibam que têm um valor infinito para Ele”, disse ela. “Ele vai curá-los — não por causa de qualquer coisa que tenham feito, mas por terem sido feridos por outras pessoas. Ele envia anjos para rodeá-los.”

A irmã Aburto disse que, alguém que foi abusado, talvez sinta vergonha, culpa, indignidade e distante de Deus. Mas não hesite em orar e pedir o amor inclusivo de Deus.

“Reconheça e lamente sua perda. Compartilhe seu fardo com os outros. Busque uma bênção do sacerdócio. Leia e pondere sua bênção patriarcal. Obtenha aconselhamento profissional para ajudá-lo. Sua experiência de abuso não o define. Você é muito maior do que essa experiência. Confie na capacidade de Jesus de curá-lo por meio de Sua Expiação redentora.”

A Expiação de Jesus Cristo pode proporcionar cura e paz, disse ela, “porque todos nós precisamos de Sua suave cura. Testifico que, para Deus, nada é impossível e que Jesus Cristo tem perfeita empatia por nós.”

Por meio de Cristo, corações quebrantados podem ser curados. A angústia pode se tornar paz.

A prometida coligação de Israel está acontecendo em vidas individuais

Élder Todd S. Larkin, setenta de área, dirigiu o devocional e também compartilhou uma mensagem. Sua esposa, irmã Laura Larkin, também falou.

Élder Larkin testificou que a dispersão e coligação de Israel é a história de todos que, conforme ensina o Presidente Nelson, “permitem que Deus prevaleça em sua vida”.

“Cada um de nós presente neste devocional esta noite — independentemente de nossa herança ou ancestralidade — está aqui porque Deus prevaleceu na vida de alguém em sua família, e Ele está prevalecendo em cada uma de suas vidas hoje. Vocês todos são a Israel dispersa.”

Agora é a hora de todos se unirem e continuarem com a coligação de Israel, “para que o desabrochar dos filhos de Leí continue e se expanda exponencialmente. E assim pode chegar o dia glorioso em que daremos início ao retorno de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.”

A irmã Larkin falou sobre o impacto que os missionários tiveram na vida de sua família. O evangelho, disse ela, ajudou seus avós, Raymond e Lydia Cornelius, a compreenderem sua identidade e propósito. “[Os missionários] os ensinaram que existe um Deus no céu que os ama, e que são Seus filhos. (…) Eles ensinaram sobre Jesus Cristo e Sua expiação.”

A vida dos novos conversos mudou para sempre. Eles moravam na mesma casa. Eles ainda tinham o mesmo emprego. Eles ainda ganhavam a mesma quantia de dinheiro.

“Mas agora eles estavam felizes”, disse a irmã Larkin, emocionada.

Como o Presidente Nelson ensinou, alegria tem pouco a ver com as circunstâncias da vida de uma pessoa — e tudo a ver com o foco de sua vida. “Quando o foco de nossa vida está no Plano de Salvação de Deus, Jesus Cristo e Seu evangelho, podemos sentir alegria, independentemente do que está, ou não, acontecendo em nossa vida.”

Os ancestrais nativo-americanos da própria irmã Larkin (Oneida) conheciam bem a dor da rejeição e da humilhação. Mas eles encontraram força e determinação por meio de seu testemunho de Cristo.

As promessas do Livro de Mórmon feitas por Samuel, o lamanita — que Seu povo terá o verdadeiro conhecimento do evangelho — estão sendo cumpridas.

“Somos contados entre Suas ovelhas. Estamos deixando Deus prevalecer em nossas vidas. Israel está sendo coligada”, disse ela.