O que a presidência geral da Primária ensinou sobre perfeição e valor na Conferência de Mulheres da BYU

Apesar de ter praticado a advocacia por mais de 30 anos, a presidente geral da Primária, Camille N. Johnson, nunca fez um depoimento perfeito ou conduziu um interrogatório perfeito. Ela nunca escreveu um informe perfeito. E ela nunca apresentou um argumento perfeito perante um juiz ou juízes.

“Penso que há uma razão pela qual eles se referem a isso como a ‘prática’ da lei”, disse a líder recém-chamada, à audiência da Conferência de Mulheres da BYU na quinta-feira, 29 de abril.

Embora sempre houvesse algo que ela poderia ter feito melhor, “Eu estava praticando a advocacia com o objetivo de mudar, melhorar e aperfeiçoar”, disse ela. “Meus esforços, embora imperfeitos, foram suficientes porque eu estava praticando.”

Quando Néfi e seus irmãos voltaram a Jerusalém para pegar as placas com Labão, e já haviam partido há algum tempo, “Saria reagiu de uma forma e acho que eu teria feito o mesmo”, disse a presidente Johnson. Saria se preocupava e lamentava por seus filhos. Ela se queixou.

“Mas, irmãs, Saria praticou um pouco de fé. Ela ouviu as palavras de conforto ditas por Leí. Ela praticou paciência. Ela praticou esperar no Senhor. Ela praticou o apoio ao marido, e quando seus filhos voltaram com as placas de latão, sua alegria foi completa.”

A presidente geral da Primária, Camille N. Johnson, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021.
A presidente geral da Primária, Camille N. Johnson, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021. Credit: Captura de tela

Como o Presidente Russell M. Nelson ensinou: “A per­fei­ção é incom­ple­ta nesta vida. A plena per­fei­ção só será alcan­ça­da depois da Ressurreição, e somen­te por inter­mé­dio do Senhor. Está reser­va­da a todos que O amam e guar­dam Seus man­da­men­tos.”

O Salvador torna possível a perfeição eterna, disse a presidente Johnson, e Ele “nos dá oportunidades de praticar. (…) Testifico que o Senhor as ama e deseja que vocês voltem para casa. A perfeição está pendente Nele e com Ele.”

A mensagem da presidente Johnson às irmãs para “continuar praticando” foi seguida por palavras de incentivo e segurança de suas conselheiras, irmã Susan H. Porter e irmã Amy A. Wright.

‘Eu fiz isso por você’

Certa manhã de dezembro de 2016, quando a irmã Porter e seu falecido marido, Élder Bruce D. Porter, estavam morando em Moscou, Élder Porter acordou e sentiu falta de ar. No hospital, eles descobriram que ele estava com pneumonia e que precisaria ficar alguns dias para receber antibióticos.

A irmã Porter voltou para casa para fazer as malas para a curta internação de Élder Porter. Na manhã seguinte, o consultor médico da área lhe informou que a saúde de Élder Porter havia piorado drasticamente e ele havia sido colocado em coma induzido.

“Naquele momento, tudo mudou”, disse a irmã Porter. “Não era mais uma internação de rotina no hospital, mas uma luta pela vida de Bruce, a mais de 8.000 quilômetros de distância da família.”

A irmã Susan H. Porter, primeira conselheira da presidência geral da Primária, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021.
A irmã Susan H. Porter, primeira conselheira da presidência geral da Primária, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021. Credit: Captura de tela

A irmã Porter se lembrou desta experiência ao ouvir recentemente um devocional com Élder Walter F. Gonzalez, Setenta Autoridade Geral.

Quando Élder Gonzalez convidou os participantes a compartilharem as bênçãos prometidas que haviam recebido como membros de Israel do convênio, a irmã Porter pensou nos dias frios e sombrios em que viajou sozinha no metrô para o hospital, sem nunca ter sentido medo. Ela se lembrou da paz que sentiu ao se sentar ao lado da cama de Élder Porter, e mais tarde em casa, sozinha, mas não solitária.

“Enquanto eu estava envolvida nessas memórias”, disse a irmã Porter, “o Senhor falou claramente em minha mente: ‘Eu fiz isso por você’.”

Uma das muitas bênçãos que o Salvador prometeu a Israel do convênio foi que “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (João 14:18).

A irmã Porter testificou: “Quer sintamos esse consolo no momento ou apenas reconheçamos Sua ajuda mais tarde, presto testemunho de que Ele virá e nos dará consolo e forças em momentos de necessidade.”

‘Jesus Cristo é o suficiente’

Há alguns meses, a irmã Wright recebeu um telefonema convidando ela e o marido para uma reunião com um membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Ela era membro do conselho consultivo geral das Moças na época, e esperava que fosse desobrigada.

No entanto, durante o trajeto de carro até a sede da Igreja, ela teve uma impressão distinta: “Você será chamada para servir como a segunda conselheira na presidência geral da Primária.”

Quase instantaneamente, vários pensamentos indesejados começaram a inundar sua mente. “Você não é boa o suficiente.” “Você não é talentosa o suficiente.” “Você não é inteligente o suficiente.” “Você não é digna o suficiente.”

A irmã Amy A. Wright, segunda conselheira da presidência geral da Primária, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021.
A irmã Amy A. Wright, segunda conselheira da presidência geral da Primária, fala durante a Conferência de Mulheres da BYU, dia 29 de abril de 2021. Credit: Captura de tela

Ela fez uma oração silenciosa por paz e conforto, na esperança de validações de que ela era o suficiente.

Em vez disso, ela recebeu uma impressão diferente: “Você tem razão. Você não é o suficiente. E você nunca será sua definição de suficiente. Mas Jesus Cristo é o suficiente. Ele é mais do que suficiente e, portanto, tudo ficará bem.”

A experiência foi um terno lembrete de que esta é a obra do Salvador, não dela. “Cristo é perfeitamente capaz de fazer Sua própria obra”, disse a irmã Wright. “No entanto, o extraordinário é que Ele compartilha Seu trabalho sagrado conosco para que possamos ter oportunidades de aprender e crescer.”

O valor de uma pessoa não pode ser quantificado por qualquer forma de medição de nossa vida terrena, disse a irmã Wright, referindo-se a Doutrina e Convênios 18:10.

“Nosso valor vem de nossa identidade como filhas amadas de Pais Celestiais. Faz parte de nosso DNA espiritual. Nosso valor também deriva de quem, por meio de nosso Salvador Jesus Cristo, podemos nos tornar.”