‘Adicionar e adaptar — e retornar ao futuro’, diz Élder Uchtdorf sobre a obra missionária durante a pandemia

Para os missionários de tempo integral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e seus líderes, a mera menção da pandemia de COVID-19 pode suscitar pensamentos de desobrigações antecipadas, retorno aos países de origem, mudanças de designações, quarentenas e confinamento — apenas alguns dos grandes e repentinos impactos sobre os missionários e seu trabalho.

Porém, recordando o pouco mais de um ano de obra missionária, Élder Dieter F. Uchtdorf, membro do Quórum dos Doze Apóstolos, diz que a mão de Deus tem sido evidente — antes e durante a pandemia.

“Compreendemos que poderíamos ter ficado surpresos, mas Deus não estava. Ele havia nos preparado de uma maneira maravilhosa — Ele havia nos preparado com a tecnologia. … Então, aprendemos que o Senhor nos forneceu os meios que abriram novas dimensões.”

Élder Uchtdorf — que preside o Conselho Executivo Missionário da Igreja — detalhou, durante uma recente entrevista com o Church News, os impactos e os avanços do trabalho missionário durante a pandemia.

Élder Dieter F. Uchtdorf, membro do Quórum dos Doze Apóstolos e diretor do Conselho Executivo Missionário da Igreja, discursa na sexta-feira, dia 26 de junho, durante o Seminário para a Liderança de Missão de 2020. Novos líderes de missão participam do seminário por meio da tecnologia.
Élder Dieter F. Uchtdorf, membro do Quórum dos Doze Apóstolos e diretor do Conselho Executivo Missionário da Igreja, discursa na sexta-feira, dia 26 de junho, durante o Seminário para a Liderança de Missão de 2020. Novos líderes de missão participam do seminário por meio da tecnologia. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Com a geração experiente em tecnologia que cresceu com telefones celulares, tablets e Wi-Fi, transferir o trabalho missionário para a era digital não foi difícil. “Apenas os ajudamos agora a usarem isso com o objetivo certo, para levarem e compartilharem o evangelho de Jesus Cristo com aqueles que estão buscando um propósito na vida”, disse Élder Uchtdorf, acrescentando: “Só precisamos usar a tecnologia e o que aquilo Senhor nos deu, de maneira adequada.”

Estima-se que a aprendizagem e modificações continuem por muito tempo após a amenização da pandemia, disse ele. “Temos que manter e cultivar os princípios e as maneiras comprovadas de como as coisas eram feitas antes da pandemia. Contudo, também temos que adicionar e adaptar — precisamos voltar ao futuro.”

Atendendo às expectativas

Com quase 62 mil missionários de tempo integral espalhados pelo mundo, o ataque da pandemia de COVID-19 de março de 2020 foi perturbador e um tanto apavorante para os líderes da Igreja e das missões, dados os cuidados com a saúde e com a segurança dos élderes e sísteres, das pessoas que eles estavam ensinando, bem como as preocupações dos familiares dos missionários, disse Élder Uchtdorf.

“Em 10 dias, tínhamos cerca de 30 mil missionários viajando — de avião, de carro, de trem, de navio e de qualquer outro meio imaginável”, disse ele. Desobrigações antecipadas devido a problemas de saúde, limitações à duração do chamado e o fato de que nenhum missionário estava viajando para novas designações, reduziu a força para 42 mil. 

Ele expressou apreciação a todos os envolvidos e impactados pelas desobrigações antecipadas, pelos retornos e pelas mudanças de designações, reconhecendo os missionários pelo seu empenho entusiástico e sacrifício, e às suas famílias pela compreensão e pelo apoio.

“Eles cumpriram o que Senhor esperava deles”, disse ele, acrescentando: “O Senhor aceita o seu sacrifício e os abençoará — não somente agora, mas para sempre. E Ele os abençoará assim como suas famílias.”

Uma geração resiliente

Élder Uchtdorf disse que vê uma geração atual de missionários — élderes e sísteres — resilientes que passaram por quarentenas, mudanças de designações, desobrigações antecipadas, entre outras situações durante a pandemia.

“Nós lhes dissemos quando eram crianças na Primária: ‘Vocês podem fazer coisas difíceis’”, disse ele. Mesmo assim, familiares e amigos ficaram preocupados, com pena ou desapontados com o confinamento em apartamentos, com a limitação das interações e das reuniões, e com o fato de que os missionários não estavam tendo as experiências no campo consideradas “tradicionais”.

“Ficamos tão cheios de compaixão por eles que nem percebemos a tamanha oportunidade que estavam tendo para fazerem coisas difíceis. … As gerações futuras olharão para eles e dirão: ‘Nossa! Você serviu sua missão durante a pandemia de 2019, 2020, 2021? ‘Uau, você é um dos nossos grandes heróis.’”

Élderes Noah Deckard, Nathan Budge e Jackson Nielsen recolhem suas bagagens à medida que centenas de missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias chegam das Filipinas ao Aeroporto Internacional de Salt Lake City no domingo, dia 22 de março de 2020.
Élderes Noah Deckard, Nathan Budge e Jackson Nielsen recolhem suas bagagens à medida que centenas de missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias chegam das Filipinas ao Aeroporto Internacional de Salt Lake City no domingo, dia 22 de março de 2020. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Expressando seu amor e admiração pelos missionários que estão enfrentando e sobrepujando dificuldades, Élder Uchtdorf disse: “Deixem-nos fazer coisas difíceis e as fazerem de uma maneira alegre, e eles serão gratos por isso pelo resto de suas vidas.”

Concentrem-se no possível

Desde os primórdios da Igreja, a obra missionária tem sido realizada por meio do contato presencial, com missionários indo de porta em porta, ou encontrando pessoas nas ruas. Contudo, condomínios fechados, grandes edifícios com muitos apartamentos e outras restrições e suspeitas têm limitado a abordagem presencial dos missionários.

Com a pandemia global eliminando primeiramente o contato presencial e, em seguida, restringindo-o por vários meses, os élderes e sísteres foram forçados a recorrerem à tecnologia para cumprirem seu propósito missionário de encontrar, ensinar e converter. Os missionários e as pessoas que eles ensinam descobriram que o contato e o ensino digital são seguros, convenientes, confortáveis — e muito possíveis.

“Durante a pandemia, nós aprendemos rapidamente esta lição: não se concentrem nas coisas que não podem fazer. Concentrem-se nas que podem fazer”, disse Élder Uchtdorf.

Missionárias em Livingston, Montana, assistem a uma sessão da 191ª Conferência Geral Anual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que foi transmitida de Salt Lake City no sábado, dia 3 de abril, e no domingo, dia 4 de abril de 2021.
Missionárias em Livingston, Montana, assistem a uma sessão da 191ª Conferência Geral Anual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que foi transmitida de Salt Lake City no sábado, dia 3 de abril, e no domingo, dia 4 de abril de 2021. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Assim como os missionários nos últimos anos aprenderam a trabalhar com as restrições governamentais em partes da Europa Leste, a pandemia os forçou, assim como seus líderes no mundo todo, a recorrerem às novas maneiras de continuar o contato e o ensino — usando dispositivos digitais, mensagens de texto e mídia social.

“Se trabalharmos dentro desta estrutura, podemos ser criativos e o Senhor nos guiará”, disse Élder Uchtdorf.  Quando os missionários confiam no Espírito, cumprem os mandamentos, seguem as regras da missão e se esforçam para terem o Espírito consigo, “sua criatividade realmente florescerá e trará grandes bênçãos para a obra.”

Élder Uchtdorf tem exemplos pessoais disso. Uma de suas netas se juntou aos missionários em Paris para criarem um vídeo deles cantando uma música da Primária sobre o amor, para o Dia de São Valentim que foi bem recebido no Facebook. E um neto, servindo na Alemanha, ajudou um converso do outro lado do mundo. “Seu primeiro batismo durante a pandemia não aconteceu em Berlim — foi em Provo, Utah, porque a tecnologia não tem fronteiras”, disse Élder Uchtdorf.

‘Uma situação em constante mudança’

A designação dos missionários hoje “é uma situação em constante mudança — é realmente um alvo em movimento”, disse Élder Uchtdorf. Mais missionários estão sendo enviados diretamente aos seus campos designados, em vez de designações temporárias, com missões internacionais dependendo da disponibilidade de vistos, fronteiras abertas e oportunidades de viagem.

Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e sua esposa, a irmã Harriet R. Uchtdorf, discursam para missionários durante um devocional, transmitido no dia 25 de fevereiro de 2021. Eles foram acompanhados pelo Élder Marcus B. Nash, Setenta Autoridade Geral e diretor executivo do Departamento Missionário.
Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e sua esposa, a irmã Harriet R. Uchtdorf, discursam para missionários durante um devocional, transmitido no dia 25 de fevereiro de 2021. Eles foram acompanhados pelo Élder Marcus B. Nash, Setenta Autoridade Geral e diretor executivo do Departamento Missionário. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

O Apóstolo disse que os atuais e futuros missionários devem “compreender que o Senhor quer que o sirvamos” e que não nos preocupemos com nenhuma limitação relacionada à pandemia quanto à hora, idioma e local. Ao contrário, devemos nos inscrever para servir, aceitar o chamado e seguir adiante — onde quer que seja.

Ele enfatizou a confiança e a gratidão pelos atuais e futuros missionários no mundo todo. “Confiem no Senhor e preparem-se … Para ver que o que estão prestes a ensinar, ou o que estão ensinando, é o que sentem em seu coração”, disse ele.

“Os desejos de seu coração farão toda a diferença. … Quando sentimos que o evangelho e a Igreja de Jesus Cristo são o que amamos e o queremos compartilhar, não precisamos ser perfeitos em nossas palavras. Não precisamos ser perfeitos em nossas atividades, porque o Espírito Santo nos preparará e nos dará o que falta para tocarmos o coração das pessoas.

Ligando os pontos

Élder Uchtdorf compara a obra missionária durante a pandemia a uma conhecida atividade infantil. Mas, neste caso, ligar os pontos funciona melhor quando se olha para trás, não para frente.

“No momento, quando certas coisas acontecem, nos questionamos. Confiamos no Senhor, e damos tudo o que temos — e que o Senhor nos deu — para resolvermos a situação, por mais desafiadora que seja”, disse ele. “Mas confiamos no Senhor, seguimos o conselho que recebemos — especialmente a orientação do Espírito — e seguimos adiante.

“E aprendi que, quando olhamos para trás, podemos ver como os pontos estão ligados.  … O Senhor nos permite que sigamos adiante com fé e confiança Nele, usando aquilo que Ele nos concede.”