Dentro da sede da Igreja: O que Presidente Oaks e Presidente Eyring aprenderam sobre a revelação nos conselhos

Nota do editor: Este artigo é o primeiro de uma série de quatro partes sobre o papel essencial dos conselhos na Igreja, a começar pelo Conselho da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze Apóstolos, até os conselhos de estaca, ala e família. 

Quando lhe perguntam o que aprendeu a respeito da importância dos conselhos em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, se recorda de uma experiência que teve em seus 20 e tantos anos de idade. 

Na época, Presidente Oaks havia sido chamado recentemente como segundo conselheiro na presidência de uma estaca em Chicago, Illinois. Em uma das primeiras reuniões em que participou, o presidente da estaca propôs que uma sede da estaca fosse construída para acomodar o grande número de unidades na estaca. 

O presidente da estaca sugeriu que a sede da estaca pudesse ser no subúrbio oeste de Naperville, e pediu a opinião de seus conselheiros. “O primeiro conselheiro disse que achava que era uma boa ideia”, recordou Presidente Oaks. “E eu disse: ‘Creio que é uma má ideia.’”  

Após alguns minutos de discussão, em que Presidente Oaks descreveu suas preocupações com o local, o presidente da estaca convidou seus conselheiros a orarem a respeito da decisão e a planejarem conversar sobre isso em sua próxima reunião. 

“No instante em que apresentei esse assunto ao Senhor”, disse Presidente Oaks, “Tive a impressão mais forte que já havia recebido: “Você está errado. Saia do caminho.” 

Na próxima reunião, ele concordou com a construção da sede da estaca em Naperville.

“O propósito do conselho foi introduzir um assunto e me estimular a orar, e com o benefício da revelação, eu concordei”, disse Presidente Oaks. “Nós alcançamos o que o Senhor queria — união — e a sede da estaca foi construída. E sim, ela pode ser encontrada nos subúrbios ao oeste de Chicago.  Não é onde pensei que deveria estar localizada, mas é onde o Senhor queria que estivesse.”

Sentados lado a lado no escritório do Presidente Eyring no Edifício Administrativo da Igreja, Presidente Oaks e Presidente Eyring, segundo conselheiro na Primeira Presidência, conversaram recentemente com o Church News sobre o papel essencial dos conselhos na Igreja e o processo de revelação que vem por meio de conselhos realizados à maneira do Senhor.

Presidente Russell M. Nelson, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e seus conselheiros, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, e Presidente Henry B. Eyring, segundo conselheiro na Primeira Presidência, participam de sua reunião semanal da Primeira Presidência no Edifício Administrativo da Igreja em Salt Lake City, na quarta-feira, dia 16 de junho de 2021.
Presidente Russell M. Nelson, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e seus conselheiros, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, e Presidente Henry B. Eyring, segundo conselheiro na Primeira Presidência, participam de sua reunião semanal da Primeira Presidência no Edifício Administrativo da Igreja em Salt Lake City, na quarta-feira, dia 16 de junho de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Convite a um processo de revelação

Ao refletir sobre sua experiência em Chicago, Presidente Oaks disse que continua sendo grato pelo presidente da estaca ter solicitado opiniões, em vez de ter imposto uma decisão. 

Se o presidente da estaca tivesse dito algo deste tipo: “O Senhor me disse que a sede da estaca deveria ser construída em Naperville. Você me apoiará?” Presidente Oaks disse: “Eu o teria apoiado. Mas o processo não estaria completo.”

Presidente Eyring recorda ter observado um princípio semelhante na primeira vez em que participou de uma reunião com o Quórum do Doze Apóstolos. Como ainda não era um Apóstolo na época, Presidente Eyring participou da reunião como convidado.

Enquanto presenciava a discussão dos Irmãos a respeito de um assunto, “Pensei que haviam chegado, depois de muitas diferenças de opinião, a um consenso”, recordou ele. “E o Presidente da Igreja, que estava sentado em sua cadeira, disse: ‘Sinto que há alguém na sala que ainda não tomou uma decisão. Abordaremos o assunto novamente em uma outra ocasião.’”

Presidente Eyring disse que, à medida que os participantes saiam da sala, ele observou um membro do Quórum dos Doze Apóstolos dizer “obrigado” ao Presidente da Igreja. 

Seja em uma reunião com o Quórum dos Doze Apóstolos, com a presidência de estaca, ou até mesmo em um conselho de família, “um bom líder de um conselho é muito sensível a isso — não para tentar forçar a unanimidade ou o consenso, mas para esperar até que realmente aconteça”, disse Presidente Eyring. 

Conselhos na Primeira Presidência

Mesmo com décadas de serviço na Igreja, Presidente Oaks e Presidente Eyring — ambos chamados pelo Presidente Russell M. Nelson para servirem como seus conselheiros quando ele foi apoiado como Presidente da Igreja em janeiro de 2018 — continuam a aprender princípios de como tomar decisões com a liderança do Presidente Nelson. 

Presidente Russell M. Nelson, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e seus conselheiros, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, e Presidente Henry B. Eyring, segundo conselheiro na Primeira Presidência, participam de sua reunião semanal da Primeira Presidência no Edifício Administrativo da Igreja em Salt Lake City, na quarta-feira, dia 16 de junho de 2021.
Presidente Russell M. Nelson, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e seus conselheiros, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, e Presidente Henry B. Eyring, segundo conselheiro na Primeira Presidência, participam de sua reunião semanal da Primeira Presidência no Edifício Administrativo da Igreja em Salt Lake City, na quarta-feira, dia 16 de junho de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

“Estive sentado ao lado do Presidente Nelson por quase 34 anos, antes de seu chamado como Presidente da Igreja, e de meu chamado para servir na Primeira Presidência”, disse Presidente Oaks. “No Quórum do Doze, Presidente Nelson era um membro do Conselho dos Doze Apóstolos. Ele não tinha o poder de tomar decisões. 

“Ao servir com Presidente Nelson, aprendi que ele é um homem diferente quando o manto do Senhor está sobre ele. Isso faz com que ele se torne o Profeta do Senhor, o Presidente da Igreja restaurada e a pessoa que tem a última palavra a respeito das decisões a serem tomadas na Igreja. Eu observo que ele toma decisões e oferece conselhos de um modo muito diferente do que vi durante os 34 anos em que estive sentado ao seu lado no Quórum dos Doze.”

Presidente Eyring serviu em três Primeiras Presidências diferentes. Antes de servir com Presidente Nelson, ele havia servido como segundo conselheiro do Presidente Gordon B. Hinckley, e primeiro conselheiro do Presidente Thomas S. Monson. 

“Cada um agiu de uma maneira muito diferente”, disse Presidente Eyring a respeito de como os presidentes da Igreja organizaram a Primeira Presidência. “Mas o que todos eles tiveram em comum foi um sentimento de grande consideração por seus conselheiros e a maneira como buscavam saber quais eram suas opiniões.”

Presidente Eyring disse que, se estivessem em uma reunião e ele não expressasse seu ponto de vista, cada um deles provavelmente diria: “Hal, você tem algo em sua mente. O que é? Diga.”

Em cada caso, os membros da Primeira Presidência trouxeram percepções e perspectivas únicas aos assuntos abordados.

“Todas as vezes que um assunto chega à Primeira Presidência, é divertido ver como eu e ele o abordamos de formas ligeiramente diferentes”, disse Presidente Eyring sobre Presidente Oaks. “Sei que ele foi juiz e um excelente advogado, e verá algumas coisas que eu não posso enxergar. … 

Ele geralmente diz após uma reunião: ‘Bem, abordamos o assunto de maneira diferente, e saímos unidos no final.’ … Pode não ser a o ponto de vista que ele ou eu tínhamos a princípio. Pode ser algo que percebemos juntos.”

A respeito de conselhos com Presidente Eyring, Presidente Oaks disse: “Ele enxerga problemas e fatos relevantes que eu nem sabia que existiam. E então, aplico meu discernimento e minha experiência, e quando terminamos, ouvimos a vontade do Senhor por meio daquele que preside no conselho. 

A força dos conselhos

Presidente Oaks disse que um participante em um conselho tem a oportunidade de falar o que está em sua mente — “e se cada um dos outros estiverem ouvindo, com o pensamento de que ele talvez tenha compartilhado algo do Senhor que ainda não tenho”, acrescentou Presidente Eyring — “então o processo termina em união, e a união vem do Senhor.  

“E é assim que o Senhor nos abençoa”, continuou Presidente Oaks, “seja um casamento, uma presidência das Moças, ou uma presidência de [quórum] de élderes. Todos esses são exemplos de conselhos com os quais lidamos. Buscamos a revelação, alcançamos a união, e nos qualificamos para as bênçãos.”

Bispo Paula F. Ika dirige a discussão de um conselho da Ala Provo 221 de Jovens Adultos Solteiros (com reuniões em tonganês), no domingo, dia 13 de junho de 2021, em uma capela em Orem, Utah.
Bispo Paula F. Ika dirige a discussão de um conselho da Ala Provo 221 de Jovens Adultos Solteiros (com reuniões em tonganês), no domingo, dia 13 de junho de 2021, em uma capela em Orem, Utah. Credit: Scott Taylor

Mencionando a admoestação do Presidente Nelson aos santos dos últimos dias para “se manterem no caminho do convênio”, Presidente Oaks disse: “Sabemos que os filhos de Deus estão em lugares diferentes no caminho do convênio … e isso faz parte da função dos conselhos, que é ajudar as pessoas que estão em pontos diferentes no caminho do convênio.”

Do Conselho da Primeira Presidência a um conselho de família, e todos os outros que podem ser realizados, “a força dos conselhos provém principalmente da fé de seus participantes, disse Presidente Eyring. 

“Se sentirem juntos, que há algo que o Senhor deseja realizar, mas que ainda não saibam o que é … há uma possibilidade de que, unidos em sua fé, possam descobrir a vontade do Senhor.”