Élder Christofferson explica por que Espetáculo do Monte Cumora foi uma bênção e motivo pelo qual foi encerrado

Cerca de 60 anos atrás, quando era adolescente em New Brunswick, Nova Jersey, Élder D. Todd Christofferson ouviu duas jovens irmãs em sua ala, Anna Vee e Marilyn Daines, falarem de algo chamado “o espírito do espetáculo.”

Embora o jovem Todd não tivesse ideia do que estavam falando, as duas irmãs da família Daines explicaram com entusiasmo o Espetáculo do Monte Cumora, e ele e seu irmão, Greg, foram aceitos no elenco para as apresentações de 1962.

“O fato de realmente estar em Palmyra, visitar o Bosque Sagrado, caminhar pelo Monte Cumora — quase parecia um sonho”, recordou Élder Christofferson, atualmente membro do Quórum dos Doze Apóstolos, durante o Devocional Comemorativo do Espetáculo do Monte Cumora transmitido no dia 9 de julho.

Élder Christofferson falou da “poderosa e comovente” trilha sonora e dos devocionais enriquecidos pelo Espírito, grupos de estudo, reuniões de testemunho e ensaios. As conversas com participantes do espetáculo tornaram-se o ponto alto do evento, à medida que ele tentava compartilhar um pouco sobre o evangelho ou seu testemunho.

“Essa experiência, e uma segunda oportunidade no ano seguinte, foram gravadas em meu coração e memória daquilo que Marilyn e Anna Vee Daines chamaram de ‘o espírito do espetáculo’”, disse Élder Christofferson.

Membros do elenco se preparam para a apresentação durante o Espetáculo do Monte Cumora, o qual ocorreu entre os dias 11-13 e 16-20 de julho de 2019, na colina próxima ao Centro de Visitantes do Monte Cumora em Manchester, Nova York.
Membros do elenco se preparam para a apresentação durante o Espetáculo do Monte Cumora, o qual ocorreu entre os dias 11-13 e 16-20 de julho de 2019, na colina próxima ao Centro de Visitantes do Monte Cumora em Manchester, Nova York. Crédito: Matt Barr, Espetáculo do Monte Cumora

Élder Christofferson relembrou sua participação no espetáculo durante um devocional para comemorar a apresentação final da produção. O devocional comemorativo da noite de sexta-feira, 9 de julho de 2021, também incluiu uma transmissão do Espetáculo do Monte Cumora de 2019, assim como breves testemunhos de Shawnda Moss, diretora artística do espetáculo de 2019; Brent Hanson, diretor artístico espetáculo de 2003–2018; e Jennifer Buckner, participante do espetáculo. O presidente do espetáculo, Neil Pitts, compartilhou uma breve história, e Élder Robert C. Gay, da Presidência dos Setenta, também fez comentários.

Em seu discurso antes da transmissão da produção de 2019, Élder Christofferson falou a respeito das experiências edificantes proporcionadas pelo espetáculo, e expressou gratidão às pessoas que contribuíram para que fosse apresentado durante 84 anos.

“Permitam-me expressar um profundo agradecimento às milhares de pessoas que, desde 1937, desempenharam algum papel ou deram qualquer contribuição para o Espetáculo do Monte Cumora — ‘Testemunho de Cristo nas Américas’. Digo essas palavras em nome da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze Apóstolos. Obrigado, e que Deus abençoe a cada um de vocês”, disse o Apóstolo.

Uma elevação espiritual

Élder Christofferson compartilhou sua crença de que, para todas as pessoas que se voluntariaram, o Espetáculo do Monte Cumora se tornou uma parte preciosa de sua vida e de sua convicção em relação ao Livro de Mórmon e ao Salvador. 

Ele compartilhou a experiência de um pai que acampou em uma barraca com sua família no local que era chamado de “Acampamento de Sião”, na parte de trás do Monte Cumora. Após serem imersos em uma cultura de “Sião” sem mídia, vestidos com recato e usando uma linguagem limpa, ouvindo somente boas músicas e concentrados no Salvador, o pai explicou como foi chocante parar em um shopping no caminho de casa e sentir o contraste do “mundo”.

Durante a transmissão do Devocional Comemorativo do Espetáculo do Monte Cumora, no dia 9 de julho de 2021, Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha uma foto de quando era adolescente, participando do espetáculo.
Durante a transmissão do Devocional Comemorativo do Espetáculo do Monte Cumora, no dia 9 de julho de 2021, Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha uma foto de quando era adolescente, participando do espetáculo. Crédito: Captura de tela, ChurchofJesusChrist.org

Élder Christofferson teve uma experiência semelhante, disse ele. “Acredito que esta família, e todos nós que fizemos parte do Espetáculo do Monte Cumora, somos diferentes de maneiras boas e duradouras, como resultado de nossa experiência. …    É verdade que, talvez não tenhamos conseguido manter a espiritualidade do espetáculo todos os dias desde aquela época, mas nosso padrão foi elevado. Nossa conversão foi aprofundada, e nossa determinação espiritual, fortalecida. Das muitas coisas na vida que um Deus misericordioso continua a conceder a cada um de nós para confirmar e fortalecer nossa fé, a experiência do espetáculo é, certamente, uma das mais significativas e duradouras.”

Embora poucos fossem atores experientes, os membros do elenco sabiam que as histórias eram verdadeiras e acreditavam na realidade viva do Salvador, disse Élder Christofferson.

“Todos nós somos gratos por cada alma preciosa que, por fim, tenha ido à Igreja motivada, pelo menos em parte, pela influência e pelo testemunho do Santo Espírito que sentiram no espetáculo. Deus abençoou a nós e a muitas outras pessoas com o Espetáculo do Monte Cumora durante o tempo em que foi apresentado.”

Por que encerrá-lo?

Considerando todos os aspectos positivos a respeito do Espetáculo do Monte Cumora, algumas pessoas podem perguntar, por que encerrá-lo? “A decisão de descontinuar o espetáculo não foi de forma alguma uma negação das coisas que tenho lembrado ou elogiado”, disse Élder Christofferson.

Atualmente, a Igreja está em um momento de sua história em que a maioria de seus membros nunca verá o Monte Cumora ou visitará o Bosque Sagrado. “A fama desses lugares vai durar e crescer, mas relativamente poucas pessoas poderão visitá-los”, disse ele.

Uma cena de 2019 do espetáculo do Monte Cumora apresenta Abinádi do Livro de Mórmon. O espetáculo ocorreu entre os dias 11-13 e 16-20 de julho de 2019, na colina próxima ao Centro de Visitantes do Monte Cumora em Manchester, Nova York.
Uma cena de 2019 do espetáculo do Monte Cumora apresenta Abinádi do Livro de Mórmon. O espetáculo ocorreu entre os dias 11-13 e 16-20 de julho de 2019, na colina próxima ao Centro de Visitantes do Monte Cumora em Manchester, Nova York. Crédito: Matt Barr, Espetáculo do Monte Cumora

A Primeira Presidência determinou que, em uma Igreja cada vez mais mundial, eles não poderiam justificar os gastos com atuais e futuras manutenções e melhorias de segurança e proteção que chegam a custar milhões de dólares, quando apenas poucos membros e visitantes se beneficiariam da experiência.

“Os tempos estão mudando; o mundo está mudando, e muito rapidamente. O futuro é desafiador, mas glorioso”, disse Élder Christofferson. Os meios pelos quais realizamos a obra do Senhor terão diferentes aspectos importantes dos que eram utilizados seis décadas atrás, quando ele participou do espetáculo.

“Sim, o Espetáculo do Monte Cumora foi uma experiência formativa para muitos de nós, mas daqui para frente, experiências formativas diferentes e igualmente interessantes estarão disponíveis para famílias e para gerações atuais e futuras”, disse Élder Christofferson. “Essas experiências serão adaptadas à sua época e adequadas às suas necessidades.” 

Élder Christofferson disse que sempre será grato pelo Espetáculo do Monte Cumora e incentivou todos aqueles com experiências semelhantes a guardá-las em sua mente e coração, e a procurarem inspirar outras pessoas.”

Testemunho do Livro de Mórmon

“O Livro de Mórmon é especificamente dirigido aos nossos dias, à nossa experiência e ao futuro. Ele sempre foi especialmente importante, mas se torna ainda mais relevante a cada dia”, declarou Élder Christofferson. 

“Precisamos aplicar as lições de sua história em nossa própria geração. Conforme o tempo passa, precisamos cada vez mais de sua perspectiva, seus ensinamentos e seu testemunho. Ele é a ferramenta para a colheita de almas nos últimos dias; é o instrumento de conversão do Senhor para pessoas dentro e fora da Igreja; é a prova tangível da Restauração; é um inigualável testemunho escrito de Jesus Cristo para um mundo incrédulo”, disse ele.

Cena retratando a visita do Salvador aos nefitas no Espetáculo do Monte Cumora.
Cena retratando a visita do Salvador aos nefitas no Espetáculo do Monte Cumora. Crédito: Kenneth Mays

Élder Christofferson encorajou seus ouvintes a “deixarem sua experiência com o Espetáculo do Monte Cumora e o testemunho do Espírito Santo ligá-los ao Livro de Mórmon, para que ele seja seu guia e conselheiro diário — uma fonte contínua de força espiritual e sustento divino para vocês.”

O Livro de Mórmon veio pelo poder de Deus porque seus autores e outros santos fiéis oraram com fé. “Seu amor e sua bênção estão sobre nós. Talvez vocês tenham sentido isso ao retratarem suas histórias em um simples espetáculo, encenado no palco de um monte sagrado. Em todo caso, o livro deles, que agora é nosso, tem um poder único para abençoá-los. Mantenham-no por perto.”

Em seus comentários, Élder Gay — que criou sua família não muito longe de Palmyra e participou do espetáculo muitas vezes — também prestou seu testemunho sobre o Livro de Mórmon. “O espetáculo do Monte Cumora, acima de tudo, é um testemunho de que, neste lugar, um profeta de Deus, Joseph Smith, recebeu de um anjo de Deus, Morôni, placas de ouro que continham o que o mundo conhece hoje como o Livro de Mórmon”, disse Élder Gay.

Ao mesmo tempo que comemoram as “maravilhosas recordações do espetáculo”, Élder Gay convidou os ouvintes a se lembrarem das bênçãos que vêm por meio do Livro de Mórmon. “Pelo Livro de Mórmon, podemos saber que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é Seu profeta erguido em nossos dias para ajudar a preparar o mundo para Sua segunda vinda. Sejamos também gratos por termos no Livro de Mórmon um testemunho seguro de que Deus vive e fala em nossos dias, e nos abençoou com um instrumento que pode nos guiar e nos direcionar em todos os aspectos de nossa vida.”

Élder Robert C. Gay, da Presidência dos Setenta, discursa durante a transmissão do Devocional Comemorativo do Espetáculo do Monte Cumora, no dia 9 de julho de 2021.
Élder Robert C. Gay, da Presidência dos Setenta, discursa durante a transmissão do Devocional Comemorativo do Espetáculo do Monte Cumora, no dia 9 de julho de 2021. Crédito: Captura de tela, ChurchofJesusChrist.org

História e futuro

O espetáculo, que apresenta cenas do Livro de Mórmon foi realizado no monte onde o Profeta Joseph Smith teve cinco encontros com o Anjo Morôni e recebeu as antigas placas de ouro, das quais ele traduziu o Livro de Mórmon. 

Apresentado a cada verão desde 1937, o Espetáculo do Monte Cumora se tornou uma das maiores produções teatrais ao ar livre nos Estados Unidos.

Em outubro de 2018, a Primeira Presidência divulgou um comunicado oficial desencorajando grandes produções como os espetáculos. Pouco tempo depois, foi anunciado que o espetáculo icônico seria descontinuado após uma temporada final no verão de 2020, e que o local sagrado do monte se prepararia para um papel mais silencioso, semelhante ao do Bosque Sagrado.

Infelizmente, as restrições da pandemia de COVID-19 fizeram com que a produção de 2020 fosse adiada e, por fim, com que a temporada reagendada de 2021 fosse cancelada. 

Em seus comentários durante a 56ª Conferência Anual da Associação de História Mórmon no dia 11 de junho, Élder LeGrand R. Curtis Jr., historiador e registrador da Igreja, destacou o significado histórico do Monte Cumora e descreveu planos para restaurar o local e torná-lo mais semelhante ao que Joseph Smith vivenciou lá no início do século XIX.

Registrador e historiador da Igreja, Élder LeGrand R. Curtis Jr. falou a um grupo de pessoas na Conferência da Associação de História Mórmon de 2021, em Park City, Utah, em 6 de junho de 2021.
Registrador e historiador da Igreja, Élder LeGrand R. Curtis Jr. falou a um grupo de pessoas na Conferência da Associação de História Mórmon de 2021, em Park City, Utah, em 6 de junho de 2021. Crédito: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Os planos para recuperar o Monte Cumora incluem a retirada de 21 prédios não históricos e mais de 37 mil m2 de ruas feitas de asfalto e brita, áreas de estacionamento e caminhos que levam ao espetáculo. O centro de visitantes, ao pé do monte, e o Monumento do Anjo Morôni, no topo dele, permanecerão onde estão.

A área será reflorestada com milhares de sementes de árvores nativas. A Igreja também criará uma rede acessível de trilhas. A estátua do anjo Morôni será redourada, e a paisagem ao redor do monumento será renovada com plantas nativas. Diversas novas exibições serão instaladas no centro de visitantes até 2023, a tempo do bicentenário da primeira visita de Joseph Smith com o Anjo Morôni no Monte Cumora.  

A transmissão do devocional e do Espetáculo do Monte Cumora estarão disponíveis em inglês, espanhol, português e ASL por duas semanas em broadcasts.ChurchofJesusChrist.org. Após duas semanas, o Espetáculo do Monte Cumora de 2019 estará disponível em Mídia do Evangelho. O devocional do Monte Cumora com Élder Christofferson, no entanto, não estará mais disponível para visualização.