Élder Holland pede a professores da BYU que defendam missão única da universidade; oferecer amor e esperança a LGBTQ, respeitando mandamentos de Deus

PROVO, Utah — Após amar a Universidade Brigham Young por quase 75 anos, Élder Jeffrey R. Holland suplicou aos professores e funcionários da BYU na segunda-feira, dia 23 de agosto, que fizessem sua parte para garantir que a universidade “permaneça inquestionavelmente comprometida com sua missão acadêmica única e com a Igreja que a patrocina.”

“De alguém que deve muito a esta escola e que a amou profundamente por tanto tempo, mantenham-na, não apenas em pé, mas no que ela foi única e profeticamente criada para ser”, disse ele.

O discurso foi proferido uma semana antes do início do ano acadêmico de 2021-2022, e durante uma época em que a comunidade do campus continua a discutir questões importantes — incluindo questões LGBTQ — que podem ser “mais divisivas do que unificadoras, no momento em que queremos mostrar amor por todos Filhos de Deus.”

Ao discursar durante a Conferência anual da Universidade Brigham Young no Marriott Center, Élder Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos e ex-presidente da BYU, intitulou seu discurso “A segunda metade do segundo século”. O título faz referência a um discurso de 1976 proferido pelo Presidente da Igreja Spencer W. Kimball na BYU; nesse discurso, intitulado “Discurso do segundo século”, Presidente Kimball exortou a comunidade da BYU a ser “única” e “especial”.

Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa na Conferência anual da Universidade Brigham Young, realizada no Marriott Center em Provo, Utah, no dia 23 de agosto de 2021.
Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa na Conferência anual da Universidade Brigham Young, realizada no Marriott Center em Provo, Utah, no dia 23 de agosto de 2021. Credit: Shafkat Anowar

‘Os verdadeiros sucessos na BYU’

Embora não tenha certeza, Élder Holland acredita ter tido sua primeira experiência com a BYU em 1948, aos 7 anos de idade, quando viu pela primeira vez o enorme “Y” na montanha.

“Acredito que foi uma revelação de Deus”, recordou ele. “De alguma forma, eu sabia que aquela letra imponente significava algo especial, e que um dia teria um papel importante em minha vida.”

Quatro anos mais tarde, em junho de 1952, ele visitaria o campus enquanto acompanhava seus pais na Semana de Liderança da BYU — precursora da atual Semana de Educação.

“Basicamente, queridos amigos, o que quero dizer é que: tenho amado a BYU por quase 75 anos. Apenas meu serviço e meu testemunho de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, incluindo meu casamento e os lindos filhos que vieram desta união, me afetaram tão profundamente quanto minha decisão de estudar na Universidade Brigham Young. Em meu testemunho, represento literalmente centenas de milhares de outras pessoas que dizem a mesma coisa.”

Falando diretamente ao corpo docente e aos funcionários, Élder Holland acrescentou: “Obrigado por escolherem estar na BYU, porque sua escolha afetou nossa escolha.”

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Élder Holland disse que pediu ao presidente da BYU, Kevin J Worthen, que compartilhasse algumas das coisas boas que estão acontecendo na BYU, e ficou muito feliz em saber mais sobre os reconhecimentos acadêmicos, as classificações acadêmicas e o sucesso atlético.

Porém, acrescentou ele, “os verdadeiros sucessos na BYU são as experiências pessoais que milhares de pessoas tiveram aqui, que são difíceis de documentar, categorizar ou listar.”

Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, senta-se ao lado de sua esposa, a irmã Patricia Holland, no início da Conferência anual da UNiversidade Brigham Young, realizada no Marriott Center em Provo, Utah, no dia 23 de agosto de 2021.
Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, senta-se ao lado de sua esposa, a irmã Patricia Holland, no início da Conferência anual da UNiversidade Brigham Young, realizada no Marriott Center em Provo, Utah, no dia 23 de agosto de 2021. Credit: Shafkat Anowar

O desafio ‘que enfrentamos aqui’

Élder Holland também compartilhou algumas linhas de outro memorando. “‘Vocês devem saber’, diz o autor, ’que algumas pessoas na comunidade estão se sentindo abandonadas e traídas pela BYU. Parece que alguns professores (pelo menos os que falam abertamente na mídia) estão apoiando ideias que muitos de nós consideramos contraditórias aos princípios do evangelho, fazendo com que a instituição aparente ser como qualquer outra universidade que nossos filhos e filhas poderiam ter frequentado. Muitos pais disseram que não querem mais mandar seus filhos para esta instituição ou contribuir com doações.

“‘Por favor, não pensem que sou contra as pessoas que pensam de maneira diferente a respeito de políticas e ideias, continua o autor. “Não é isso. Mas espero que os professores da BYU façam a ligação entre a fé e o intelecto e formem estudantes que estão prontos para fazer o mesmo de maneira amorosa, inteligente e articulada.’”

Embora os líderes da Igreja não recebam muitas cartas desse tipo, Élder Holland disse que a correspondência que compartilhou não é única.

“Agora, a maioria das coisas que acontece neste campus é maravilhosa. … Porém, de vez em quando, precisamos de um lembrete do desafio constante que enfrentamos aqui”, disse o Apóstolo.

Referindo-se a um discurso que proferiu na BYU há 41 anos, enquanto servia como presidente da BYU, Élder Holland disse aos professores e funcionários da BYU que, como a universidade é uma extensão da Igreja, sustentada por fundos sagrados do dízimo, “nossa integridade exige que nossa vida esteja absolutamente em harmonia com as características do evangelho restaurado de Jesus Cristo.”

Élder Holland também citou um discurso proferido em 2014 por Élder Russell M. Nelson, na época membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Ele pediu aos professores para “se aliarem ainda mais com a obra de nosso Pai Celestial”, recordou Élder Holland.

Três anos mais tarde, em 2017, Élder Dallin H. Oaks, na época do Quórum dos Doze Apóstolos e agora membro da Primeira Presidência, comparou os acadêmicos da BYU aos construtores do templo em Nauvoo, Illinois, que trabalharam com uma espátula na mão e um mosquete na outra. O papel duplo de construtor e defensor é único e contínuo, disse Élder Oaks.

Élder Holland contou que Élder Oaks disse à congregação: “Gostaria de ouvir um pouco mais de tiros de mosquete neste templo de aprendizado.”

Presidente Oaks observou que seus comentários poderiam ser aplicados a uma série de assuntos em vários departamentos, mas mencionou especificamente a doutrina da família e a defesa do casamento como a união de um homem e uma mulher.

LGBTQ e a BYU

Élder Holland disse que os líderes da Igreja “não são surdos ou cegos aos sentimentos que giram em torno do casamento e sobre assuntos referentes à atração ao mesmo sexo no campus.”

“Eu e muitos de meus irmãos temos passado mais tempo, e derramado mais lágrimas, sobre este assunto do que poderíamos transmitir adequadamente a vocês nesta manhã, ou em qualquer outra. Passamos horas discutindo o que a doutrina da Igreja pode e não pode proporcionar às pessoas e famílias que sofrem por causa desta difícil questão. Portanto, é com nossas próprias cicatrizes que estamos tentando evitar — e esperamos que todos tentem evitar — linguagem, símbolos e situações que são mais divisivas do que unificadoras, no momento em que queremos mostrar amor por todos os filhos de Deus.”

A vista do Y da Universidade Brigham Young do campus em Provo, Utah.
A vista do Y da Universidade Brigham Young do campus em Provo, Utah. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Élder Holland declarou seu amor e o de outros líderes da Igreja por aqueles que se sentem atraídos pelo mesmo sexo.

“Muitas vezes, o mundo tem sido cruel, e em muitos casos extremamente desumano, com estes nossos irmãos e irmãs”, disse Élder Holland. “Como muitos de vocês, passamos horas com eles e choramos, oramos e choramos novamente no empenho de oferecermos amor e esperança e, ao mesmo tempo, mantermos o evangelho forte e a obediência aos mandamentos evidente na vida de cada pessoa.

“No entanto, tal empenho só beneficiará a todos se as coisas puderem ser mantidas em alguma proporção e equilíbrio durante o processo. Por exemplo, devemos ter cuidado para que o amor e a empatia não sejam interpretados como tolerância e promoção, ou que a ortodoxia e a lealdade aos princípios não sejam interpretadas como indelicadeza ou deslealdade para com as pessoas. Pelo que posso dizer, Cristo nunca negou Seu amor a ninguém, mas também nunca disse a alguém: ‘Porque te amo, você está isento de guardar meus mandamentos.’ Temos a tarefa de tentarmos alcançar esse mesmo equilíbrio sensível e exigente em nossa vida.”

Referindo-se aos “tiros de mosquete”, Élder Holland disse que a Igreja sempre precisará de defensores da fé, mas o “fogo amigo” é uma tragédia.

“De vez em quando, a Igreja, seus líderes e alguns de nossos colegas da comunidade universitária recebem tais tiros neste campus. E, às vezes, eles não são amigáveis — magoando estudantes e seus pais, que estão confusos a respeito do significado de tantas bandeiras e manifestações recentes sobre este assunto. Amados amigos, este tipo de confusão e conflito não deve existir. Existem maneiras melhores de avançarmos em direção a metas extremamente importantes nessas questões tão difíceis — maneiras que demostram empatia e compreensão a todos e, ao mesmo tempo, mantêm lealdade à liderança profética e devoção à doutrina revelada.”

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Élder Holland reconheceu o “belo paralelo entre o desdobramento da Restauração e o desenvolvimento profético da BYU”.

Assim como a própria Igreja, a BYU cresceu em reputação nacional e internacional.

Referindo-se ao “Discurso do segundo século” de Presidente Kimball, Élder Holland disse que é necessário que a BYU seja única; de fato, em seu discurso, Presidente Kimball usou a palavra “única” oito vezes, e palavra “especial” oito vezes.

“Parece claro para mim, em meus 73 anos de amor pela instituição, que a BYU se tornará um ‘gigante educacional’ apenas à medida que aceitar sua peculiaridade e singularidade”, mesmo que isso signifique abrir mão de algumas afiliações e certificações profissionais, disse ele. “Poderíamos imitar todas as outras universidades do mundo até ficarmos completamente exaustos, e o mundo ainda diria, ‘que BYU?’”

Élder Holland disse que a BYU buscará seu próprio destino — um destino que não é uma questão de acaso, mas em grande parte uma questão de escolha.

“De alguém que deve muito a esta escola, e que a amou profundamente por tanto tempo, mantenham-na, não apenas em pé, mas no que ela foi única e profeticamente criada para ser”, disse ele.