Os Doze Apóstolos respondem a equívocos sobre seu chamado

Nota do editor: Em 2018, o Church News entrevistou e publicou em inglês, uma série de artigos sobre o Quórum dos Doze Apóstolos, entrevistando todos os membros do Quórum na época. Os líderes abordaram o chamado espiritual dos Doze de testificar do Salvador ao redor do mundo, a conexão especial que compartilham com os missionários e a importância de ensinar e treinar. Eles falaram sobre ser um “profeta, vidente e revelador”, o chamado para ministrar e a importância de apoiarmos os líderes locais e gerais. Eles também abordaram concepções errôneas que os membros têm daqueles que servem no Quórum dos Doze Apóstolos. Este artigo foi originalmente publicado em 9 de agosto de 2018.

Após a morte e ressurreição do Salvador, Ele instruiu Seus discípulos por 40 dias e depois ascendeu ao céu. Com uma vaga em aberto no Quórum dos Doze Apóstolos — criada pela traição e morte de Judas Iscariotes — os membros do Quórum se reuniram e suplicaram ao Senhor.

Dois homens, Matias e Barsabás, foram identificados e “lançaram-lhe sortes, e caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos” (Atos 1:23-26).

Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, e sua esposa, a irmã Ruth L. Renlund, conversam com membros da Igreja na Suécia durante uma visita ao país no dia 29 de abril.
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, e sua esposa, a irmã Ruth L. Renlund, conversam com membros da Igreja na Suécia durante uma visita ao país no dia 29 de abril. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Antes, como agora, “ser chamado como apóstolo não é uma realização ou conquista”, explicou Élder Dale G. Renlund. “Não é um chamado que se conquista. Matias, no capítulo um de Atos, foi escolhido por Deus em vez de Barsabás. Deus não nos disse o porquê. Mas o que precisamos saber é que o testemunho de Barsabás honrando o Salvador e Sua Ressurreição foi igual ao de Matias.”

Deus escolheu, prosseguiu ele. “Se Barsabás cumprisse qualquer chamado que tivesse, sua recompensa não seria diferente daquela que Matias teria recebido, contanto que ele magnificasse seu chamado.”

A Igreja não é um negócio e não funciona como tal. Os líderes da Igreja não sobem na hierarquia corporativa, nem procuram posição ou reconhecimento. Sua vocação exige muitas viagens, mas as oportunidades de turismo são escassas. E não estão imunes a desafios. Esses são apenas alguns equívocos, adiantam os membros do Quórum dos Doze Apóstolos.

Assim como o testemunho de Barsabás foi igual ao de Matias, todo membro da Igreja tem o direito de, e pode “desenvolver um relacionamento semelhante ao apostólico com o Senhor”, esclareceu Presidente M. Russell Ballard, Presidente em Exercício do Quórum dos Doze Apóstolos.

“Faça o que o Senhor pede e seja grato”, disse Élder Dieter F. Uchtdorf.

O serviço ao Senhor e à Igreja é “um privilégio e uma bênção. É uma honra”, continuou Élder Uchtdorf. “O Senhor mostra Seu amor por nós, e podemos mostrar nosso amor ao Senhor fazendo tudo o que Ele nos pede para fazer.”

Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha bons sentimentos com membros da Igreja na Rússia, durante suas visitas a Moscou e a São Petersburgo, no final de abril de 2018.
Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha bons sentimentos com membros da Igreja na Rússia, durante suas visitas a Moscou e a São Petersburgo, no final de abril de 2018. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

‘Pastores e testemunhas’

Há percepções de que a Igreja é corporativa e institucional, disse Élder D. Todd Christofferson.

“Há um equívoco de que saímos de uma vida profissional e empresarial e somos basicamente líderes de estilo corporativo”, afirmou ele. “Na verdade, somos pastores e testemunhas. Aproveitamos nossas experiências anteriores e quaisquer competências e talentos que desenvolvemos, mas esse não é o foco. O foco está no que o Senhor deseja e como Ele deseja que façamos isso.”

No Quórum dos Doze Apóstolos não há facções, lobby ou centros de poder, disse Élder Neil L. Andersen. Existem “opiniões divergentes”, mas “não há egos”.

“O Senhor reúne várias pessoas distintas em inúmeras coisas — suas profissões, como cresceram, de onde vêm”, comentou Élder Andersen. “São semelhantes em seu testemunho do Salvador e em sua humildade. Mas não buscam posição, e não estão tentando ser a pessoa mais inteligente na sala. Isso é suficiente para o Senhor. Nunca vi ninguém mostrar raiva, nem nunca vi ninguém rebaixar ninguém.”

Élder Gary E. Stevenson descreveu duas perspectivas pelas quais ele chega ao Apostolado — sua própria experiência como executivo de negócios e sua experiência como Bispo Presidente da Igreja, dirigindo assuntos temporais.

O Apostolado “não é como ser um executivo de negócios, é muito diferente de uma função executiva em uma empresa”, comentou. “O papel de um apóstolo do Senhor Jesus Cristo é realmente um papel ministerial e pastoral”, esclareceu.

O papel de ser uma testemunha de Jesus Cristo para o mundo, explicou, “nos informa e nos define”.

Desafios

Embora alguns possam pensar que os líderes gerais da Igreja vivem uma “vida encantada”, o fato é que, assim como acontece com todos os filhos fiéis de Deus, sua vida é cheia de “grandes bênçãos e desafios”, disse Élder Quentin L. Cook.

Uma grande bênção do apostolado é a responsabilidade de viajar pelo mundo e prestar testemunho de Jesus Cristo, disse ele. Mas as viagens não levam os líderes a locais exóticos do globo. Frequentemente, isso os leva a vilarejos humildes e às casas de membros queridos e fiéis da Igreja. Requer longas horas em aviões e muitas noites em hotéis. “Vamos onde os membros estão”, disse o Élder Cook.

Frequentemente, afirmou Élder Ronald A. Rasband, os apóstolos precisam adicionar mais tempo às viagens locais e internacionais para poder cumprimentar os membros e outras pessoas. “Não tem nada a ver comigo”, disse ele. “Tem tudo a ver com o respeito e a honra que os membros desta Igreja têm pelo cargo que ocupamos.”

Élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, à direita, e a irmã Kathy Andersen, ao centro, reúnem-se com as crianças depois de uma reunião de membros no Zimbábue, no dia 18 de novembro de 2018.
Élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, à direita, e a irmã Kathy Andersen, ao centro, reúnem-se com as crianças depois de uma reunião de membros no Zimbábue, no dia 18 de novembro de 2018. Credit: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Alguns membros da Igreja podem pensar que os membros do Quórum dos Doze Apóstolos, e suas esposas e famílias, “recebem uma dispensação especial do céu” e “estão protegidos de doenças e tragédias familiares e outros tipos de experiências muito normais na mortalidade,” afirmou Élder David A. Bednar. “Isso não é verdade.”

Élder Bednar tem observado membros mais velhos do Quórum lidando com doenças físicas e com as limitações impostas pela idade avançada. As consequências naturais de envelhecer podem, de fato, se tornar fontes valiosas de aprendizagem e discernimento espiritual. A incapacidade de fazer muitas coisas pode redirecionar o foco para as coisas de maior importância, adiantou ele.

Élder Renlund disse que alguns acreditam que as recompensas por esse esforço são maiores do que outras oportunidades de serviço na Igreja.

“Alguns dizem, ou pensam:‘ Não seria ótimo ser um apóstolo?’ Porque parece que suas recompensas seriam maiores”, disse Élder Renlund. Em resposta, porém, ele comparou Presidente Thomas S. Monson a seu pai, Mats Åke Renlund.

Presidente Monson recebeu as chaves da presidência quando foi ordenado bispo aos 22 anos. Ele também recebeu chaves quando serviu como presidente de missão aos 30 anos e, novamente, quando foi ordenado apóstolo aos 36 anos. Ele passou então a ser o único homem autorizado na terra para exercer todas as chaves do sacerdócio ao se tornar presidente da Igreja.

O pai de Élder Renlund filiou-se à Igreja aos 24 anos. Ele aceitou todos os chamados que recebeu e era um carpinteiro simples e sem rodeios. “Ele nunca recebeu as chaves da presidência em nenhum chamado.”

Como é que o serviço prestado por Mats Åke Renlund se compara ao de Presidente Thomas S. Monson?, perguntou Élder Renlund. “São o mesmo.”