Élder Renlund explica como doutrina de Cristo e ‘sisu’ espiritual levam ao ‘felizes para sempre’

Nas reuniões de liderança da conferência geral de abril, a irmã Joy D. Jones, na época presidente geral da Primária, liderou uma discussão com crianças, incluindo uma garota chamada Charlotte Nance. 

Quando a presidente Jones perguntou à menina sobre sua experiência ao ser batizada, Charlotte respondeu: “Eu me senti muitissimamente feliz, porque havia acabado de ser batizada. Agora, eu poderia continuar sendo feliz, ser membro da Igreja, obter um testemunho e, como alguns diriam, viver feliz para sempre, mas não é tão simples assim.”

Todos querem viver felizes para sempre, comentou Élder Dale G. Renlund, após compartilhar a interação acima durante seu discurso em um devocional no campus da Universidade Brigham Young na terça-feira, dia 14 de setembro. “Mas, como aprendemos com a irmã Nance e a irmã Jones, não é tão simples assim e requer um pouco de trabalho.”

Então, como as pessoas podem viver “felizes para sempre?”, perguntou o Apóstolo. “O caminho para a felicidade eterna depende da conversão às verdades do evangelho restaurado de Jesus Cristo ao longo da vida. A conversão ao longo da vida significa perseverarmos até o fim, permanecendo firmes em nosso compromisso de mantermos os convênios que fizemos com Deus — não importa o que aconteça.”

Em seu discurso para estudantes e professores no Marriott Center no campus de Provo, Utah, o membro do Quórum dos Doze Apóstolos abordou o tema “Conversão ao longo da vida”, e explicou que a melhor maneira de nos convertermos ao longo da vida é nos engajarmos na doutrina de Cristo.

Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa sobre a conversão ao longo da vida, durante um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021.
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa sobre a conversão ao longo da vida, durante um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021. Credit: Jaren Wilkey, BYU

A doutrina de Cristo — fé no Salvador e Sua Expiação, arrependimento, batismo e recebimento do dom do Espírito Santo — não se destina a ser um evento que ocorre uma única vez, disse ele, mas que acontece de modo repetitivo e iterativo.

“De modo repetitivo significa que completamos os ciclos dos elementos da doutrina de Cristo ao longo de nossa vida. De modo iterativo significa que mudamos e melhoramos a cada ciclo.”

Embora o ciclo deva ser repetido, isso não significa que as pessoas estejam girando em círculos como se estivessem em um carrossel. Em vez disso, à medida que as pessoas completam os ciclos dos elementos da doutrina de Cristo, elas chegam a um plano cada vez mais alto, como uma longa estrada que leva ao topo de uma de montanha, explicou ele.  

Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha uma imagem para ajudar a ilustrar a importância de nos engajarmos na doutrina de Cristo.
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, compartilha uma imagem para ajudar a ilustrar a importância de nos engajarmos na doutrina de Cristo. Credit: Captura de tela via byutv.org

“Cada elemento da doutrina de Cristo se baseia no passo anterior —  o arrependimento se baseia na fé —  o batismo no arrependimento —  o dom do Espírito Santo no batismo, e então a sequência se repete. Cada ciclo termina progressivamente mais alto, portanto, o ciclo subsequente é mais elevado e diferente. Deste modo, a doutrina de Cristo é iterativa. Completarmos os ciclos dos elementos da doutrina de Cristo de modo iterativo nos permite perseveramos até o fim”, disse Élder Renlund.

Perseverarmos até o fim não significa completarmos os primeiros quatro passos, permanecermos onde estamos, rangermos os dentes e esperarmos por nossa morte. “Não, perseverarmos até o fim significa repetirmos ativa e intencionalmente os passos na doutrina de Cristo”, disse ele.

Então, como é que alguém que foi batizado repete esse passo? Por meio do sacramento, explicou Élder Renlund. “Os convênios do batismo são renovados ao partilharmos do sacramento, em memória de nosso Salvador e de Seu sacrifício expiatório, e as bênçãos do batismo também são renovadas.”

O sacramento é a próxima ordenança necessária após sermos confirmados membros da Igreja, após recebermos a investidura ou sermos selados no templo, e após fazermos uma boa ou má escolha. “O sacramento é a próxima ordenança necessária todas as semanas durante o resto de nossa vida.”

Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa durante um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021.
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa durante um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, dia 14 de setembro de 2021. Credit: Captura de tela

O sacramento não substitui o batismo, mas proporciona a ligação entre os primeiros passos de fé e arrependimento, ao passo posterior de recebermos o Espírito Santo, que permite que os elementos da doutrina de Cristo sejam vivenciados de modo iterativo.

“O sacramento libera o poder de Deus para vocês e para mim”, disse Élder Renlund. No entanto, as distrações podem diminuir este poder. 

Élder Renlund incentivou os ouvintes a se prepararem de modo consciente e a partilharem dignamente do sacramento, começando nos dias que antecedem a reunião sacramental. “Decidam em que aspecto da missão do Salvador vocês pensarão durante o sacramento, e talvez considerem algo que vocês podem fazer para aumentarem sua fé e mudarem de forma positiva — que é outra forma de dizermos arrependimento — e sigam as inspirações do Espírito Santo. … Devemos orar para sermos renovados enquanto partilhamos do sacramento e nos lembramos Dele.”

Após instituir o sacramento entre os nefitas, o Salvador lhes deu o mandamento de que partilhassem dele regularmente (3 Néfi 18:12-13). “A conversão ao longo da vida exige que tenhamos acesso ao Espírito Santo, e fazemos isso ao nos concentrarmos no sacramento durante toda nossa vida.” Ao reivindicarmos de modo iterativo o efeito purificador do batismo por meio do sacramento, nossa própria conversão pessoal se torna vitalícia”, disse Élder Renlund.

Para que o ciclo repetitivo da doutrina de Cristo seja iterativo, a trajetória deve ser ascendente. Para que isso aconteça, as pessoas também precisam estar engajadas nos outros elementos da doutrina de Cristo: fé e arrependimento, disse Élder Renlund.

Alma encorajou os zoramitas a fazerem experiências com a palavra. Élder Renlund ressaltou que, ao contrário de um experimento científico, esta experiência começa com a escolha e o desejo de acreditarmos, e não com uma tese duvidosa ou neutra. “Essa experiência considera o evangelho de Cristo como uma semente, a qual devemos plantar, e depois agirmos com fé para alimentá-la. Conforme a semente cresce, não apenas aumentamos nossa fé, mas também podemos saber que é uma boa semente.”

Sabermos que a palavra, ou a doutrina de Cristo, é boa e verdadeira, nos leva a agirmos com fé, permitindo que a fé se torne mais forte, disse Élder Renlund. “Naturalmente, o aumento da fé em Jesus Cristo leva ao arrependimento repetitivo e iterativo, que leva ao progresso eterno.” O arrependimento e a conversão, ao longo da vida, andam de mãos dadas. O arrependimento não deve ser temido. O medo do arrependimento bloqueia a conversão ao longo da vida porque impede a conclusão dos ciclos dos elementos da doutrina de Cristo.”

Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, e sua esposa, a irmã Ruth Renlund, conversam antes de um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, 14 dia de setembro de 2021.
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, e sua esposa, a irmã Ruth Renlund, conversam antes de um devocional no Marriott Center, no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, 14 dia de setembro de 2021. Credit: Jaren Wilkey, BYU

O engajamento em cada elemento da doutrina de Cristo de modo iterativo é essencial para a conversão ao longo da vida, disse Élder Renlund. “À medida que completamos o ciclo da doutrina de Cristo de modo iterativo, aprendemos e desenvolvemos atributos semelhantes aos de Cristo. Nossa fé aumenta, nos tornamos um pouco melhores, estamos mais preparados para partilharmos do sacramento no próximo domingo, e o Espírito Santo terá uma influência maior em nossa vida. Nosso coração muda, de modo que ‘não temos mais disposição para praticarmos o mal, mas, sim, de fazermos o bem continuamente’ (Mosias 5:2). Tornamo-nos mais altruístas e menos egocêntricos. E podemos perseverar até o fim.”

Comparando novamente o ciclo com a longa estrada de uma montanha, Élder Renlund observou que não há lugar para pararmos e descansarmos; o curso sobe ou desce. De maneira semelhante, a fé está se tornando mais forte ou mais fraca. “Isso significa que podemos nos tornar ‘desconvertidos’ pelo menos tão facilmente quanto podemos nos tornar ‘convertidos’ … O enfraquecimento acontece quando nos desligamos da doutrina de Cristo”, alertou Élder Renlund.

A palavra finlandesa “sisu” é descrita como determinação, tenacidade de propósito, resiliência e intrepidez. Sisu expressa uma característica que se manifesta na demonstração de motivação, persistência e coragem diante de adversidades extremas.

Sisu é o tipo de determinação que precisamos para permanecermos no caminho do convênio. Com sisu espiritual, estamos comprometidos a nos prepararmos de modo consciente e a partilharmos dignamente do sacramento todas as semanas”, disse Élder Renlund.

Sisu espiritual não está condicionado a circunstâncias ou oposição, continuou ele. Com sisu espiritual, as pessoas são espiritualmente resilientes e mais capazes de resistirem aos desafios sem caírem ou vacilarem. 

Com sisu espiritual, as pessoas procuram receber a plenitude do Espírito Santo, se arrependendo rapidamente e retornando ao caminho do convênio, se engajando na doutrina de Cristo e cumprindo o convênio de viverem a lei do evangelho.

Élder Renlund concluiu dizendo que “A jovem irmã Charlotte Nance estava certa: Vivermos felizes para sempre não é tão simples assim. Mas também não é tão complicado. Ao nos engajarmos na doutrina de Cristo, desenvolvemos sisu espiritual, a resiliência espiritual que é essencial para a conversão ao longo da vida.”