Élder Uchtdorf aconselha capelães endossados pela Igreja a fazerem parceria com o Mestre que Cura e a edificarem outras pessoas

Os capelães endossados pela Igreja que servem em todo o mundo trabalham diariamente com uma variedade de pessoas marcadas tanto por cicatrizes físicas quanto emocionais. 

“Vocês são uma maravilhosa fonte de cura porque sabem onde encontrar o Mestre que Cura e que tem as respostas para cada preocupação na vida”, disse Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos.

O conselho instrutivo e edificante de Élder Uchtdorf na terça-feira, dia 5 de outubro, concluiu o Treinamento de Endosso Eclesiástico de Capelães de 2021 para capelães santos dos últimos dias. Mais de 200 capelães endossados pela Igreja e seus cônjuges participaram, de modo presencial ou virtual, do seminário anual tradicionalmente realizado em conjunto com a conferência geral de outubro.

A reunião é patrocinada pela divisão de Relações Militares e Serviços de Capelão da Igreja.

Os participantes deste ano usaram uma variedade de uniformes — incluindo os de vários ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos e de outros órgãos de forças policiais e departamento de bombeiros. Capelães civis patrocinados pela Igreja que ministram em hospitais, prisões, escolas e outros locais também participaram.

“Permitam-me apenas expressar minha gratidão a todos vocês por seu maravilhoso trabalho e pelo que estão fazendo pela Igreja e pelas pessoas ao redor do mundo, que dependem muito de suas percepções e de sua disposição de oferecer tempo, talentos e amor”, disse Élder Uchtdorf.

Membros da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos posam para uma foto no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021.
Membros da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos posam para uma foto no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Além de Élder Uchtdorf, vários líderes da Igreja, pedagogos e clérigos ofereceram instruções durante a conferência de três dias realizada na sede da Igreja em Salt Lake City. Entre os apresentadores estavam o Rev. Andrew Teal, acadêmico anglicano, e Brent W. Scott, chefe dos capelães da Marinha e Contra-almirante.

Élder Uchtdorf disse que não conseguia pensar em nenhum cargo “tão delicadamente equilibrado entre a igreja e o estado” como o de capelão militar. “Por um lado, os capelães militares vestem a farda de seu serviço. Eles são responsáveis perante seu comandante … [servindo em tempos] de guerra e paz. 

“Como defensores da Constituição  dos Estados Unidos, eles fazem parte de uma determinada “cidade do homem”. Por outro lado, eles são porta-vozes designados da Cidade de Deus. … Eles são os representantes de uma tradição religiosa com responsabilidade, acima de tudo, perante o Todo-Poderoso.

“Seu serviço como capelães preserva o direito de uma pessoa de exercer livremente sua religião.”

Élder Uchtdorf observou que, séculos atrás, George Washington, General do Exército dos Estados Unidos, declarou que os capelães militares deveriam ser servos de alto caráter moral, os quais ajudariam a moldar “os costumes do corpo militar, tanto por preceito como por influência.”

Além de servirem como conselheiros de seus comandantes, os capelães militares trabalham principalmente como conselheiros espirituais e defensores de homens e mulheres fardados e de suas famílias, de diversas origens e tradições religiosas. A Igreja endossa aproximadamente 150 capelães militares e candidatos ao serviço, além de dezenas de capelães não militares.

Participantes ouvem durante o seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City, na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021.
Participantes ouvem durante o seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City, na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

O cônjuge de um capelão, acrescentou Élder Uchtdorf, é essencial para o serviço de seu marido ou de sua esposa.

“Eu saúdo e respeito todos vocês por aceitarem este desafio, e me alegro com as oportunidades que estas circunstâncias lhes oferecem como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Estamos orgulhosos de vocês e de sua dedicação ao trabalho do Senhor, por sua família e por seu país.”

Os capelães frequentemente guiam indivíduos e famílias à paz durante momentos marcados pelo caos e pela violência em suas vidas. O combate pode deixar cicatrizes profundas, tanto físicas quanto emocionais, em pessoas no serviço militar.

Élder Uchtdorf disse que testemunhou tais cicatrizes — mas também presenciou muitos santos dos últimos dias e outros que suportam e se curam por causa do evangelho de Jesus Cristo, “e por causa da ajuda e do cuidado de pessoas como vocês.”

Ele aconselhou os capelães santos dos últimos dias a fazerem mais do que simplesmente transmitir conhecimento às pessoas a quem  eles servem. “Eles também precisam sentir que vocês se importam com eles. … As feridas da guerra podem ser profundas e duradouras. O Mestre que Cura é a única esperança para muitas pessoas — e vocês podem ajudar a abrir a porta que leva a Ele e a Seu poder de cura.”

Os capelães santos dos últimos dias também podem ser pacificadores e mediadores espirituais, acrescentou ele. Muitas das pessoas com quem trabalham estão amarguradas, e acreditam que foram injustiçadas de alguma forma. 

“Precisamos [edificar] e abraçar.”

Os capelães que foram endossados pela Igreja podem acabar servindo em zonas de combate. É um dever assustador e preocupante. Mas mesmo na névoa da guerra, os capelães podem encontrar paz interior, a qual eles podem compartilhar com outras pessoas.

“Muitas dessas pessoas que vocês influenciarão em seu trabalho serão gratas pelo ‘instrumento de amor e paz’ que vocês levam para a vida delas.”

Élder Uchtdorf compartilhou experiências de seu próprio serviço militar como jovem piloto de caça na força aérea da Alemanha Ocidental durante a Guerra Fria.

Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City, na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021.
Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, discursa no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City, na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Ele foi obrigado a fazer um juramento de lealdade à constituição de seu país. Na época, tal juramento parecia estar em conflito com as orientações que ele havia lido nas escrituras sobre como fazer tais juramentos. Ele também estava preocupado com o fato de que, se o conflito irrompesse, poderia receber ordens de atacar algumas das mesmas regiões na Alemanha Oriental onde viveu quando criança. 

O jovem piloto santo dos últimos dias não tinha acesso a um capelão militar. Mas ele procurou o conselho de seu líder do sacerdócio local. 

“Seu conselho trouxe paz à minha mente, ao meu coração e à minha consciência, e me ajudou a prosseguir com coragem para servir a Deus e à minha pátria, sem qualquer receio, confusão ou culpa.

A Guerra Fria terminou, mas os conflitos continuam — incluindo a batalha contínua contra uma pandemia persistente. Estes são conflitos que “vocês podem ajudar as pessoas a superarem.”

Élder Uchtdorf falou sobre seu irmão mais velho, que se alistou no exército alemão durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Seu irmão tinha apenas 16 anos de idade quando foi capturado pelas tropas norte-americanas, se tornando um prisioneiro de guerra. Embora tenha retornado para casa, ele carregou para sempre as cicatrizes emocionais da guerra. 

Mas mesmo em meio à dor da guerra, a família Uchtdorf encontrou consolo por meio do evangelho de Jesus Cristo. 

“Aprendemos o que [o evangelho] pode trazer para nossa vida. Nunca subestimem o poder de sua influência e o impacto que ele pode ter sobre a vida das pessoas.”

O trabalho do capelão é levar paz para todos, independentemente de suas circunstâncias ou origens.

“Devemos estar cientes de nossas responsabilidades como cristãos. As leis do país devem ser obedecidas. E as leis também devem refletir nossa disposição como cristãos, de ajudar os pobres e aqueles que precisam de consolo. 

“Nosso comprometimento a este tipo de serviço expressará melhor o puro amor de Cristo por nossos semelhantes”, disse ele.

Mesmo em momentos de tristeza, o Espírito Santo pode oferecer consolo e clareza aos capelães. Permitam que o sacrifício e a Ressurreição de Jesus Cristo se tornem pilares sólidos na vida de outras pessoas.

Um uniforme de capelão militar é exibido no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021.
Um uniforme de capelão militar é exibido no seminário anual para capelães da Igreja no Teatro do Centro de Conferências em Salt Lake City na terça-feira, dia 5 de outubro de 2021. Credit: Jeffrey D. Allred, Deseret News

“A compaixão e a empatia de Cristo por nossos semelhantes nos transformarão. Elas resultarão em uma mudança positiva para o futuro do mundo. … Isto abençoará as comunidades nas quais vocês servem, e levará a paz de Cristo para as nações do mundo.”

Em conclusão, Élder Uchtdorf desafiou os capelães santos dos últimos dias a permanecerem corajosos e a terem esperança de um futuro de paz. “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor — e de moderação.”

Élder Uchtdorf também reconheceu as contribuições de Frank Clawson, que em breve se aposentará como diretor da divisão de relações militares da Igreja, após muitos anos de serviço e liderança.