Do Wyoming para a Espanha: ala do Real Madrid, Jaycee Carroll, fala sobre fé, família e basquete profissional

Para um jogador de basquete de elite, a adaptabilidade é uma habilidade valorizada tanto quanto um lance livre certeiro ou um drible rápido.

O jogador de basquetebol santo dos últimos dias Jaycee Carroll comprovou sua capacidade de se adaptar a quaisquer mudanças que tenha sofrido, bem como de fazer cestas de três pontos, tanto dentro como fora das quadras.

Quando era um adolescente que marcava muitos pontos na Evanston High School de Wyoming, Carroll aprendeu a se adaptar às defesas duplas e triplas da equipe, com uma média de quase 40 pontos marcados na temporada do último ano do ensino médio.

Como missionário de tempo integral no Chile, o élder Carroll no começo teve dificuldade para aprender espanhol. Mas, novamente, ele se adaptou e mais tarde tornou-se fluente em um idioma que posteriormente seria inestimável para sua carreira como atleta profissional competindo longe de sua pátria.

Como armador mais baixo do que a média, com 1,88 de altura na Utah State University, ele adaptou-se à velocidade e ao atletismo do basquetebol da primeira divisão, transformando-se no líder de classificação de todos os tempos do Aggies e recebendo várias honras da All-America.

E ao longo de uma carreira profissional em curso de 11 anos na Europa, ele se adaptou a novas culturas e estilos de jogo, tornando-se o favorito dos fãs “El Mormon” ao tornar a Espanha sua segunda casa.

Jaycee Carroll, do Real Madrid, faz um drible enquanto Luigi Datome do Fenerbahce o bloqueia, durante jogo da final de basquetebol da Final Four da EuroLeague entre o Real Madrid e o Fenerbahce em Belgrado, Sérvia, domingo, 20 de maio de 2018.
Jaycee Carroll, do Real Madrid, faz um drible enquanto Luigi Datome do Fenerbahce o bloqueia, durante jogo da final de basquetebol da Final Four da EuroLeague entre o Real Madrid e o Fenerbahce em Belgrado, Sérvia, domingo, 20 de maio de 2018. Credit: (AP Photo/Darko Vojinovic) AP photo

Mas em cada estágio de “adaptação forçada” em sua vida, Carroll permaneceu ancorado a duas coisas inalteráveis: sua fé e sua família.

As equipes de basquetebol e os estilos de jogo podem mudar (embora ele faça parte de um dos times mais célebres da Europa, o Real Madrid, desde 2011) — mas apesar de cada novo passo ele continua a ser um portador do sacerdócio; um bom marido para sua esposa, Baylee; e pai coruja de seus quatro filhos: Bella, 10; Alba, 8; Zoe, 5; e Jagger, 2.

Quando o Church News entrevistou Carroll no início de setembro, ele tinha acabado de voltar para a Espanha depois de passar alguns meses com a família na zona rural do norte de Utah. O atleta de 36 anos de idade estava longe dos cavalos e do estilo de vida pecuária que ele ama, mas ansioso por outra temporada bem-sucedida com os “Madrilenhos”.

“Tivemos um bom ano na última temporada”, disse ele. “Nós ganhamos a Supercopa, jogamos na final da Final Four da EuroLeague e vencemos a Liga Espanhola pela quinta vez.”

Sua cesta de 3 pontos que rendeu o título em junho passado durante as finais da Liga Espanhola foi vista por legiões no mundo todo e demonstra que, mesmo na casa dos 30 anos, Carroll ainda pode levar os fãs ao delírio.

“Eu me sinto bem e estou animado com as possibilidades desta temporada”, disse ele. “Minha família e eu encontramos um lar aqui em Madri, onde passei as últimas oito temporadas. Estamos conseguindo desfrutar de tudo que a Espanha tem para oferecer. Meus filhos mais velhos falam espanhol, frequentam a escola espanhola e continuamos a curtir a cultura.”

Como jovem atleta que foi criado no sul de Wyoming, Carroll estava certo de que jogaria na NBA. Mas, como sua carreira universitária floresceu, ele percebeu que também havia oportunidades promissoras no basquete fora dos Estados Unidos.

“Foi quando passou pela minha cabeça a ideia de que jogar no exterior poderia ser uma aventura incrível”, disse ele.

Carroll tem se maravilhado com os vários lugares onde esteve para jogar. Ele jogou na China, no Azerbaijão, na América do Sul, em Porto Rico e em todo o continente europeu.

 “O basquetebol”, disse ele, “me levou para conhecer o mundo todo”.

O jogador do Real Madrid e santo dos últimos dias, Jaycee Carroll, com sua esposa, Baylee, e seus quatro filhos.
O jogador do Real Madrid e santo dos últimos dias, Jaycee Carroll, com sua esposa, Baylee, e seus quatro filhos. Credit: Captura de tela do Instagram de Jaycee Carroll

Sua primeira experiência internacional aconteceu depois do ensino médio quando ele foi servir missão no Chile.

Os repórteres de basquetebol espanhóis que interagem regularmente com Carroll em espanhol ficariam surpresos em saber que o idioma já foi um desafio para o jovem americano.

“Meus dois objetivos quando saí para servir missão eram aprender o idioma espanhol e tornar-me tão conhecedor do evangelho quanto possível”, disse ele. “Mas estar no CTM foi uma das experiências que mais exigiram que eu fosse humilde na vida. Nos esportes tudo sempre foi fácil para mim. (…) Mas parecia que todos os outros missionários aprendiam espanhol mais rápido do que eu e sabiam mais sobre o evangelho.”

Ele decidiu que trabalharia arduamente e cumpriria todas as regras da missão na esperança de que suas habilidades linguísticas e seu conhecimento do evangelho melhorariam. Com o passar do tempo, seu espanhol tornou-se cada vez menos difícil enquanto ele compartilhava suas crenças com os chilenos que estavam conhecendo a Igreja.

 “Eu sou muito grato por essa experiência”, disse ele.

Quatro ou cinco anos depois, o clube de basquete espanhol Gran Canaria estava considerando oferecer a Carroll um contrato para assinar.

Jaycee Carroll, do Real Madrid, depois de uma dividida de bola com Brad Wanamaker do Fenerbahce, durante jogo da final de basquetebol da Final Four da EuroLeague entre o Real Madrid e o Fenerbahce em Belgrado, Sérvia, domingo, 20 de maio de 2018.
Jaycee Carroll, do Real Madrid, depois de uma dividida de bola com Brad Wanamaker do Fenerbahce, durante jogo da final de basquetebol da Final Four da EuroLeague entre o Real Madrid e o Fenerbahce em Belgrado, Sérvia, domingo, 20 de maio de 2018. Credit: (AP Photo/Darko Vojinovic) AP Photo

Os administradores e treinadores do Gran Canaria “gostaram do fato de que eu era um americano que conseguia falar espanhol com os torcedores. E por eu ter servido missão em um país de língua espanhola, eu conseguia falar com os meus treinadores espanhóis e companheiros de equipe e realmente fazer parte da comunidade”.

Inevitavelmente, os repórteres queriam saber como um americano de Wyoming com um nome como Carroll ficava tão à vontade conversando em espanhol. Responder suas perguntas muitas vezes viravam “mini lições” sobre o serviço missionário e alguns tópicos do evangelho.

Ainda hoje, sua base santo dos últimos dias permanece ligada à sua identidade com os meios de comunicação espanhóis.

“Muitas vezes um artigo de jornal divulga: ‘Jaycee Carroll, o Mórmon de Evanston, Wyoming, marcou tantos pontos em tal jogo’”, disse ele. “Mesmo o meu capitão da equipe (Real Madrid) não me chama de Jaycee — ele me chama de ‘o Mórmon’”.

Apesar do longo e bem-sucedido contrato de Carroll com o Real Madrid, garantir um lugar na lista de titulares continua a ser uma luta incansável.

“Todos os anos, há uma nova safra de jovens jogadores universitários, jogadores espanhóis e jogadores gregos que estão tentando roubar o seu lugar”, disse ele. “É preciso estar constantemente preparado e em forma, porque há sempre alguém que quer estar onde você está.”

Carroll é grato por sua jovem família morar com ele na movimentada capital da Espanha. Baylee e as crianças o ajudam a ficar tranquilo e com os pés no chão. “Eles me dão algo em que me concentrar depois de jogar em outros lugares ou depois dos treinos.”

O jogador do Real Madrid e santo dos últimos dias, Jaycee Carroll, com sua esposa, Baylee, e seus quatro filhos.
O jogador do Real Madrid e santo dos últimos dias, Jaycee Carroll, com sua esposa, Baylee, e seus quatro filhos. Credit: Captura de tela do Instagram de Jaycee Carroll

Ele também é revigorado pela comunidade santo dos últimos dias de Madri.

“As alas e estacas aqui têm sido fenomenais”, disse ele. “Tenho recebidos chamados nos quais consigo servir e que são compatíveis com minha agenda. Muitas vezes eles me colocam com os jovens, que é um bom lugar para eu estar. Tento ser um modelo e ajudar a mostrar a eles que tudo é possível e que conseguimos alcançar tudo o que quisermos se vivermos os princípios do evangelho.”