Lideres da Igreja em NY ajudam santos dos últimos dias a enfretarem as sérias consequências da COVID-19

Mesmo cuidando de seus membros durante uma pandemia que ocorre uma vez por século, o presidente da Estaca Woodside Nova York, Jason Glass, se lembrou de um fato que a maioria das líderes locais da Sociedade de Socorro conhecem bem:

A vida acontece.

No dia 12 de março, o presidente Glass ficou doente.

“Durante 11 dias, fiquei doente e de cama com problemas respiratórios, febre alta, tosse, dores e tudo o que lemos por aí que vem com o coronavírus.”

Sua esposa, Kristina, e sua filha passaram por algo semelhante. Todos estão se sentindo um pouco melhor, embora Kristina Glass ainda não tenha recuperado o paladar e o olfato.

Embora nunca tenha sido oficialmente diagnosticada com COVID-19 por causa das limitações de testes locais, a família Glass, quase que com certeza, está incluída entre as dezenas de milhares de residentes de Nova York que foram infectados pela doença — incluindo muitos santos dos últimos dias. 

Muitos membros estiveram ou estão doentes no momento. Alguns poucos morreram. E muitos mais perderam o emprego ou estão de licença.

Uma mulher usando uma máscara, passa correndo por uma parte tranquila da Canal Street durante a pandemia de coronavírus na segunda-feira, 13 de abril de 2020, em Nova York. A Canal Street normalmente fica congestionada com carros e pedestres durante a hora do rush à noite.
Uma mulher usando uma máscara, passa correndo por uma parte tranquila da Canal Street durante a pandemia de coronavírus na segunda-feira, 13 de abril de 2020, em Nova York. A Canal Street normalmente fica congestionada com carros e pedestres durante a hora do rush à noite. Credit: AP Photo/Mark Lennihan

A estaca do presidente Glass cobre os bairros do Queens e do Brooklyn. Os membros de Woodside refletem a vasta diversidade de pessoas da América Latina, da Europa Oriental e de partes da Ásia.

A estaca também inclui vários bairros que estão sendo atingidos duramente pelo vírus.

“Acreditamos que há cerca de 40 membros que tiveram sintomas e sofreram da COVID-19”, disse ele. “É muito difícil conseguir testes em Nova York, então acredito fortemente que os números que estão sendo relatados estão muito longe da realidade do que está acontecendo.”

Um membro da estaca Woodside — um homem por volta dos 60 anos — morreu na semana passada.

“Fomos duramente atingidos”, acrescentou o presidente da estaca Brooklyn Nova York, Robert Shull. “Tivemos quatro pessoas que morreram, mais de 50 que foram diagnosticadas e provavelmente outras 100 ou mais que apresentam os sintomas sem serem formalmente diagnosticadas.” 

Um paciente com oxigênio é levado de maca para uma ambulância, por profissionais médicos vestindo equipamentos de proteção pessoal devido às preocupações com a COVID-19, do lado de fora do NYU Langone Medical Center na segunda-feira, 13 de abril de 2020, em Nova York.
Um paciente com oxigênio é levado de maca para uma ambulância, por profissionais médicos vestindo equipamentos de proteção pessoal devido às preocupações com a COVID-19, do lado de fora do NYU Langone Medical Center na segunda-feira, 13 de abril de 2020, em Nova York. Credit: AP Photo/John Minchillo

Enquanto isso, as duas unidades de língua espanhola da Estaca Nova York, que se estende pelo distrito de Manhattan, foram severamente impactadas pela pandemia.

“Tivemos cerca de 25 casos confirmados e provavelmente três vezes esse número não confirmados”, disse o presidente Colin Cropper. “Alguns ainda estão doentes, mas muitos outros se recuperaram.”

Dois membros da estaca Nova York morreram de coronavírus.

Entretanto, a doença está cobrando um alto preço em questão de economia de muitos santos dos últimos dias que vivem na maior cidade dos Estados Unidos. Os mais atingidos são os membros que trabalham em restaurantes ou outros funcionários do ramo de serviços, que simplesmente não podem trabalhar em casa.

“As perdas de emprego foram significativas”, disse o presidente Glass. “Eu costumava enviar os pedidos ao armazém do bispo uma vez por mês, … mas agora eles aumentaram seis vezes.

O presidente Shull da estaca Brooklyn fez um relatório semelhante.

“O impacto econômico é muito grande. Em uma de nossas alas de língua espanhola, cerca de metade das pessoas foram demitidas”, disse ele.

Felizmente, a maioria dos bispos da cidade e das líderes da Sociedade de Socorro permaneceram saudáveis — embora alguns presidentes dos quóruns de élderes da estaca de Woodside tenham ficado doentes.

“E temos líderes do sacerdócio em diferentes unidades que foram definitivamente afetados economicamente com perdas de emprego”, disse o presidente Glass.

A esperança que vem de ministrar 

Mas mesmo durante o dia mais sombrio da pandemia em Nova York, os membros foram edificados e apoiados por meio do cuidado e ministração de outras pessoas. A recente conferência geral e os jejuns mundiais também proporcionaram elevação espiritual.

Enquanto isso, as conferências pelo Zoom, os telefonemas, as mensagens de texto e os e-mails estão checando o bem-estar das pessoas e as mantendo conectadas. 

Algumas alas da área se “congregaram” para a uma reunião de adoração online — incluindo devocionais especiais para missionários que recentemente voltaram para casa e não foram capazes de falar em suas respectivas alas ou ramos, como tradicionalmente fazem.

O presidente Shull disse que as últimas semanas aumentaram sua gratidão pela liderança profética do Presidente Russell M. Nelson e pelo programa de ministração que o presidente da Igreja implementou há mais de um ano. 

Leia mais sobre o que os santos dos últimos dias estão fazendo para ministrar durante COVID-19

Tais práticas ministeriais bem implementadas têm se mostrado inestimáveis durante a crise sanitária em toda a cidade.

“O Presidente Nelson nos ajudou a entender melhor como ministrar”, disse ele. “Sem este programa, este momento seria muito difícil.”

Em um período definido pelo distanciamento social e pelas ordens de ficar em casa, a solidão é um sério subproduto da doença. Ministrar está provando ser um remédio eficaz.

Um homem empurra um carrinho com caixas através do cruzamento da Eldridge St. com Division Street na segunda-feira, 13 de abril de 2020 em Chinatown, Nova York, durante a pandemia de coronavírus. As ruas normalmente ficam agitadas com veículos e pedestres.
Um homem empurra um carrinho com caixas através do cruzamento da Eldridge St. com Division Street na segunda-feira, 13 de abril de 2020 em Chinatown, Nova York, durante a pandemia de coronavírus. As ruas normalmente ficam agitadas com veículos e pedestres. Credit: AP Photo/Mark Lennihan

“Estamos tentando manter contato e garantir que todos estejam bem e que tenham alguém com quem conversar”, disse o presidente Shull.

O Templo de Manhattan está fechado durante o surto do vírus. Mas o presidente Cropper disse que está incentivando seus membros a permanecerem “dignos de entrar no templo” portando uma recomendação para o templo válida e oferecendo generosas ofertas de jejum “para atender às necessidades em nossa estaca”.

Dada a sua experiência na linha de frente, os presidentes de estaca da área de Nova York são agora recursos experientes para líderes locais do sacerdócio e da Sociedade de Socorro em outras partes do mundo, que poderão estar enfrentando seus próprios desafios relacionados ao coronavírus nas próximas semanas e meses.

“Comunique-se com seus líderes o máximo possível”, aconselhou o presidente Glass. “Saibam que isso pode afetar vocês e saibam que é real. … Quando bate, bate forte.

“Como líder eclesiástico, é importante se comunicar e verificar como estão as pessoas com frequência.”