A história de duas Xelas (ou Shaylas): Adolescente de Idaho se reconecta com a pátria guatemalteca servindo

A ligação entre a cidade guatemalteca de Quetzaltenango e Shayla Dunn, uma santo dos últimos dias de 17 anos de Idaho Falls, Idaho, não é evidente.

Mas dê uma olhada mais de perto.

Para os residentes locais, Quetzaltenango é comumente conhecida por seu nome maia: Xelajú, ou Xela (pronunciado, na forma anglicizada, Shayla). Mas a conexão entre Xela, a cidade, e Shayla, a adolescente americana que ama o Homem-Aranha, vai muito além dos homônimos.

E agora — depois de participar de um recente projeto de construção humanitária de duas semanas na cidade de onde recebeu seu nome — a ligação de Shayla Dunn com Xela foi fortalecida de uma forma que ela nunca imaginou.

Primeiro, a história da família Dunn.

Na década de 1980, o pai adotivo de Shayla, James Dunn, serviu em uma missão de tempo integral em Quetzaltenango. Ele voltou para casa, nos Estados Unidos, com um amor profundo e espiritual por todas as coisas da Guatemala — incluindo a cultura do país, suas línguas, seu povo e, sim, a cidade de “Xela”.

“Tendo vivido lá, o nome Xela sempre foi bonito para mim — então sempre quis ter uma filha com o nome de Shayla”, disse Dunn.

Shayla Dunn, na frente, e amigas fazem uma pausa durante um projeto de construção humanitária em Quetzaltenango, Guatemala. A menina de Idaho viajou para o país onde nasceu para servir ao próximo, em junho de 2021.
Shayla Dunn, na frente, e amigas fazem uma pausa durante um projeto de construção humanitária em Quetzaltenango, Guatemala. A menina de Idaho viajou para o país onde nasceu para servir ao próximo, em junho de 2021. Credit: Cortesia de Jordan Murray

James Dunn e sua esposa, Tammy, tiveram três filhos e fizeram várias viagens de volta ao seu país de missão. Eles sonhavam em adotar uma criança da Guatemala. A boa notícia chegou em outubro de 2003. Uma menina guatemalteca recém-nascida estava disponível para adoção.

“Disseram-nos que a bebê tinha acabado de nascer e que poderíamos escolher o nome”, acrescentou Dunn. “Dissemos: ‘O nome dela é Shayla.’ Esse é o nome em sua certidão de nascimento.”

Os Dunns viajaram para a Guatemala e buscaram a bebê Shayla, levando-a para a nova casa em Idaho, cerca de 8.000 km de sua terra natal.

Mas os Dunns estavam determinados em manter sua filha ligada à sua terra natal.

“Tentamos incorporar a herança guatemalteca de Shayla em nossa família da maneira que pudemos”, disse James Dunn. “Temos roupas guatemaltecas, cozinhamos comida guatemalteca e frequentemente conversamos com nossa filha sobre a Guatemala.”

Shayla também começou a estudar espanhol no jardim de infância por meio de um programa bilíngue oferecido em sua escola. Ela cresceu praticando o idioma com seu pai e foi voluntária como tradutora de espanhol no Zoológico de Boise.

Mas, até recentemente, ela nunca tinha realmente visitado sua terra natal. Os Dunns estavam esperando o momento ideal quando ela pudesse apreciar melhor a experiência.

Então, alguns anos atrás, a família soube de uma organização sem fins lucrativos que organiza projetos de construção humanitária para jovens em locais internacionais, para ajudar a atender as necessidades específicas de determinadas comunidades.

A organização humanitária de construção não é afiliada à Igreja, embora os princípios e práticas orientadores dos santos dos últimos dias, como oração, estudo das escrituras e frequência à igreja, sejam elementos-chave de cada projeto.

Entre as ofertas da organização para este ano estava um projeto de serviço para Quetzaltenango. Shayla queria participar.

“Estava animada para ir à Guatemala, mas também um pouco nervosa”, disse ela ao Church News depois de concluir seu projeto de serviço no mês passado. “Queria aprender mais sobre a minha cultura e apreciar a comida. Mas principalmente, estava animada para voltar e servir.”

Shayla Dunn, adolescente de Idaho, no local de um projeto de construção humanitária em Quetzaltenango (ou Xela), Guatemala. Shayla nasceu na Guatemala.
Shayla Dunn, adolescente de Idaho, no local de um projeto de construção humanitária em Quetzaltenango (ou Xela), Guatemala. Shayla nasceu na Guatemala. Credit: Cortesia de Jordan Murray

Os planos originais de Shayla de se juntar a um projeto de construção humanitária em Quetzaltenango no ano passado foram prejudicados pela pandemia. Ela ficou emocionada quando as coisas começaram a reabrir em 2021 para viajar antes de seu último ano do ensino médio.

Shayla e 18 outros jovens participaram de um projeto para construir um anexo para uma clínica de saúde na área de Quetzaltenango, que atende principalmente a crianças. Seus dias começavam cedo com estudo das escrituras e café da manhã. Em seguida, ela colocava um capacete (estampado com adesivos do Homem-Aranha) e começava a trabalhar — montando andaimes, assentando tijolos, transportando blocos de concreto, misturando cimento e tudo mais que a tarefa exigisse.

E não, Shayla não chegou a Xela com nenhuma experiência em construção.

“Estava aprendendo enquanto trabalhava, não tinha ideia de como fazer nada”, disse ela, rindo. “Mas aprendi rápido.”

O tempo fora do local de trabalho era gasto em devocionais, reuniões de testemunho, estudos das escrituras e noites familiares. O grupo de Shayla também desfrutou de excursões turísticas — visitando locais culturais, passeios de caiaque e caminhadas.

Mais importante ainda, Shayla se conectou, em suas palavras, com “meu povo.”

Muito depois dos calos de suas mãos passarem, Shayla se lembrará dos rostos e sorrisos das pessoas a quem serviu. Algumas das jovens mães que ela conheceu na clínica de saúde eram mais ou menos da sua idade. Ela conversou com elas em espanhol — e tentou aprender algumas palavras nas línguas indígenas que provavelmente eram faladas por seus próprios ancestrais.

Muitas das mães viviam em pobreza e dificuldades. Shayla estava grata por estar aliviando um pouco de seus fardos. E ela é grata por um nome que a ajudou a fazer amigos instantaneamente.

“Quando eu dizia às pessoas que meu nome era Shayla, seus rostos brilhavam”, disse ela. “Eu explicava que nasci na Guatemala e que aquela era a primeira vez que havia voltador desde que fui adotada.”

“Bem-vinda de volta”, respondiam eles. “Estamos muito felizes por você estar aqui.”