Martin Luther King III explica aos alunos da BYU como criar a ‘comunidade amada’ descrita no discurso de seu pai ‘Eu tenho um sonho’

Em 28 de agosto de 1963, o ativista americano dos direitos civis e ministro da igreja batista Martin Luther King Jr. subiu nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C., e fez seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”, para mais de 250.000 apoiadores.

Nesse discurso icônico, ele compartilhou sua visão para a “comunidade amada” na qual “pessoas de todas as raças, religiões e nações poderiam viver juntas em paz e harmonia e trabalhar juntas para o progresso comum da humanidade”.

Falando para a comunidade do campus da Universidade Brigham Young na terça-feira, 28 de setembro, o filho mais velho do Dr. King, Martin Luther King III, falou novamente sobre a esperança de seu pai para a comunidade amada e depois fez um apelo aos alunos.

“Alunos da Universidade Brigham Young, este é o seu momento e seu compromisso com a história está chegando rapidamente”, disse King. “Levantem-se e atendam ao chamado, assim como uma geração anterior de jovens se levantou, respondeu ao chamado da história e ajudou a conquistar as vitórias históricas do movimento moderno pelos direitos civis. A tocha da liderança está sendo passada para sua geração, e o mundo está contando com vocês para iluminarem o caminho para um futuro mais brilhante.”

King foi o primeiro palestrante de uma série de seis partes de fóruns na BYU sobre “Criar a Comunidade Amada”. Em seus comentários, King não apenas descreveu como a amada comunidade deveria ser, mas o que os indivíduos podem fazer para construi-la.

“Na amada comunidade do sonho de meu pai, a pobreza, a fome e a falta de moradia não serão toleradas porque os padrões de decência humana não permitirão”, disse King. “O racismo e todas as formas de intolerância e preconceito serão substituídos por um espírito inclusivo de irmandade.”

Martin Luther King III fala no Marriott Center no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, 28 de setembro de 2021, como parte do fórum da BYU sobre “Criar a Comunidade Amada”.
Martin Luther King III fala no Marriott Center no campus da BYU em Provo, Utah, na terça-feira, 28 de setembro de 2021, como parte do fórum da BYU sobre “Criar a Comunidade Amada”. Crédito: BYU Photo

Criar a comunidade amada é criar esperança para os esquecidos, desfavorecidos e marginalizados, independentemente de sua raça, e construir pontes para uma maior compreensão mútua e cooperação “através dos abismos de suspeita e desconfiança que dividem nossas comunidades”, explicou King. “Trata-se de curar as feridas da história com a luz da verdade e da compaixão.”

Tornar-se uma comunidade amada também significa “elevar os valores de dignidade, respeito e boa vontade para com todas as pessoas, independentemente de sua raça, religião, etnia, gênero, orientação sexual, idade, deficiência física ou mental”, e falar contra o preconceito.

Para construir a comunidade amada, os indivíduos devem abraçar a crença de que todos são irmãos e irmãs na grande família humana, disse King. “Significa trabalhar em conjunto para criar comunidades que não tenham barreiras entre o negro, o branco, o indígena, o pardo e o amarelo. Somos todos membros da mesma família porque somos todos filhos do mesmo Deus. Nosso conceito de família deve transcender as distinções de raça, religião, cultura e até mesmo as fronteiras nacionais.”

King explicou ainda que a comunidade amada não é um lugar, mas um estado de coração e mente ou um espírito de esperança e boa vontade que transcende fronteiras.

O amor, continuou ele, pode inspirar transformações milagrosas, quebrar barreiras e superar obstáculos entre indivíduos, grupos e nações. “Aqueles que aprendem a expressar amor de maneiras criativas são os que trazem a cura e líderes que abrem o caminho para a comunidade amada.”

Este tipo de amor, que é compartilhado por todas as grandes religiões, se resume em 1 João 4:7-8, 12: “Amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus. E qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. (…) Se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.” 

King declarou: “Como meu pai, acredito que o amor é a base essencial da comunidade amada.”

King encorajou os ouvintes a se tornarem líderes para a melhoria da sociedade e da humanidade. “A liderança exige que falemos pela justiça e igualdade. Isso significa que nos tornamos defensores dos menos afortunados. Isso significa que nos tornamos exemplos inspiradores de coragem e compaixão em nossas famílias, comunidades, nossa nação e mundo. Vocês não precisam ser famosos para fazerem isso.”

Alunos se reúnem no Marriott Center no campus da BYU para ouvirem um fórum com Martin Luther King III na terça-feira, 28 de setembro de 2021, como parte de uma série sobre “Criar a Comunidade Amada”.
Alunos se reúnem no Marriott Center no campus da BYU para ouvirem um fórum com Martin Luther King III na terça-feira, 28 de setembro de 2021, como parte de uma série sobre “Criar a Comunidade Amada”. Crédito: BYU Photo

Uma das responsabilidades de ser cidadão da amada comunidade é a obrigação espiritual de servir à humanidade. King disse que foi encorajado a aprender a respeito da forte ênfase dada ao serviço como parte da experiência de ser aluno da BYU. Ele então descreveu como seu primeiro contato com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aconteceu por meio do serviço. 

Depois que uma pequena comunidade do estado da Louisiana foi dizimada após uma série de desastres naturais, incluindo um furacão, vários voluntários santos dos últimos dias vieram para servir. “Esse compromisso é incrível”, disse King.

O serviço pode ser uma força de cura poderosa. “É uma força potente de transformação porque estabelece uma conexão entre quem serve e aqueles que são servidos”, explicou King.

Algumas pessoas cruzam as fronteiras autoimpostas da cultura para criarem amizades com pessoas de grupos diferentes. “Precisamos de mais — muito mais …” King disse e encorajou seu público a buscar companheirismo multicultural. “Uma das melhores coisas de se envolver no serviço comunitário é que vocês não precisam fazer isso sozinhos. Vocês podem encontrar todos os tipos de pessoas maravilhosas para trabalhar, e é uma excelente maneira de se conhecer pessoas de qualidade e de se fazer novos e interessantes amigos.”

King também incentivou seus ouvintes a serem civicamente responsáveis ​​e a lembrarem dos sacrifícios das gerações anteriores. “Precisamos criar uma massa crítica de visionários ativos — pessoas de todas as raças, religiões e grupos culturais que não apenas acreditam que o sonho de Martin Luther King Jr. é realizável, mas que também estão prontas para trabalhar, se sacrificar e sofrer, se necessário, para torná-lo uma realidade.”

Embora sonhar seja importante, “chega um momento em que temos que nos levantar do sonho e começar a trabalhar para realizá-lo”, disse King.

À medida que as pessoas aceitam o desafio da liderança criativa com coragem e comprometimento, “não apenas cumpriremos o sonho de Martin Luther King Jr., mas também daremos um exemplo radiante de amor e fraternidade que se tornará irresistível para as pessoas em todo o mundo”, King prometeu.

Enquanto os cidadãos da amada comunidade trabalham, oram e lutam juntos nos próximos meses e anos, King observou que haverá momentos em que eles discordarão sobre muitas questões importantes. “Mas nunca nos permitamos ser arrastados para um ódio polarizador e paralisante. Em vez disso, vamos sempre nos certificar de que discordamos de nossos adversários como irmãos e irmãs em um espírito de civilidade que convém ao povo de uma grande democracia.”