Como uma segunda língua ensinou presidente Brian Ashton, da BYU-Pathway, sobre capacidade de aprender

Como calouro na Universidade Brigham Young, Brian Ashton tentou aprender mandarim, mas teve dificuldades. Ele não conseguia distinguir as diferentes entonações que são essenciais para se compreender e pronunciar as palavras no dialeto chinês.

Quando chegou a hora de enviar seus papéis para servir uma missão de tempo integral, ele marcou a opção “Provavelmente não consigo aprender um idioma” no formulário. Ele ficou surpreso quando recebeu um chamado para servir no Peru, onde precisaria aprender espanhol.

“Francamente, fiquei apavorado”, ele recordou durante uma entrevista com o Church News, e descreveu a si mesmo como o pior falante de espanhol em seu distrito no centro de treinamento missionário.

Porém, ao contrário de sua tentativa com o mandarim, desta vez ele incluiu o Espírito Santo por meio de orações e da leitura das escrituras, bem como o estudo e, por fim, conseguiu aprender a falar com proficiência.

Ninguém jamais o confundirá com um falante nativo, disse ele com um sorriso, mas as pessoas podem entendê-lo, e esta é uma habilidade que ele se esforça para manter. Como presidente de missão em Houston, Texas, de 2012 a 2015, depois como membro da presidência geral da Escola Dominical de 2015 a 2019, e agora como o recém-nomeado presidente da BYU-Pathway Worldwide, ele tem sido chamado regularmente para fazer comentários em espanhol para audiências internacionais. E também está aprendendo português.

Brian K. Ashton, novo presidente da BYU-Pathway, trabalha em seu escritório em Salt Lake City na quarta-feira, dia 13 de outubro de 2021.
Brian K. Ashton, novo presidente da BYU-Pathway, trabalha em seu escritório em Salt Lake City na quarta-feira, dia 13 de outubro de 2021. Crédito: Jeffrey D. Allred, Deseret News

Sua dificuldade para aprender uma segunda língua lhe ensinou várias lições importantes: Sobretudo, a importância de incluir o Senhor no processo de aprendizagem e que, através da influência do Espírito Santo, todas as pessoas têm a capacidade de aprender.

A aplicação dessa verdade é algo que o deixa animado para ir ao trabalho todos os dias. Em seu novo papel de liderança para o programa de educação on-line da Igreja, o presidente Ashton vê o poder transformador do estudo na vida das pessoas diariamente.

Lançada em 2009 na BYU-Idaho com apenas 50 estudantes em três locais de teste, a BYU-Pathway é agora uma instituição independente que serve cerca de 60 mil estudantes em mais de 150 países e em todos os 50 estados dos E.U.A.

O programa é projetado para proporcionar aos estudantes um curso fundamental e preparatório, que lhes permite obter um certificado ou um diploma por meio de uma parceria com a Ensign College ou a BYU-Idaho. E é tudo administrado on-line, o que significa que os estudantes podem estar em South Jordan, Utah, ou Yaoundé, Camarões.

Tradicionalmente, a educação tem sido um recurso escasso. Mesmo em países onde a educação é gratuita, muitas vezes há um número limitado de vagas. Normalmente, essas vagas são concedidas apenas a pessoas muito ricas ou excepcionalmente inteligentes, explicou o presidente Ashton.

Brian K. Ashton, novo presidente da BYU-Pathway, conversa com funcionários em Salt Lake City na quarta-feira, dia 13 de outubro de 2021.
Brian K. Ashton, novo presidente da BYU-Pathway, conversa com funcionários em Salt Lake City na quarta-feira, dia 13 de outubro de 2021. Crédito: Jeffrey D. Allred, Deseret News

A BYU-Pathway Worldwide é especializada em oferecer oportunidades aos “muitos escondidos” — como seu antecessor, Élder Clark G. Gilbert, os chamava — ou a pessoas que nunca pensaram que cursar uma faculdade fosse para elas. 

“O que adoro a respeito da BYU-Pathway é o fato de que ela fez com que a educação se tornasse acessível para quase todas as pessoas, disse o presidente Ashton.

A missão da BYU-Pathway Worldwide, assim como outras instituições dentro do Sistema Educacional da Igreja, é formar discípulos de Jesus Cristo, que são líderes em seus lares, na Igreja e na comunidade.

Ao refletir sobre sua educação — que inclui um diploma de Bacharelado da BYU e um Mestrado em Administração de Empresas da Universidade de Harvard — o presidente Ashton reconheceu como essas oportunidades levaram ao cumprimento dessa missão em sua própria vida.

Embora a educação tenha sido incentivada por sua mãe — que frequentou uma faculdade — e por seu pai — que obteve um MBA — o jovem Brian teve dificuldades em entregar tarefas quando estava no ensino médio. Ele recorda ter conseguido obter notas razoáveis no ensino médio, em grande parte porque era inteligente, mas não por causa de qualquer diligência real de sua parte. 

O irmão Brian K. Ashton, na época membro da presidência geral da Escola Dominical, conversa com estudantes após discursar em um devocional no campus da BYU, no dia 5 de dezembro de 2020. Crédito Gabriel Mayberry.
O irmão Brian K. Ashton, na época membro da presidência geral da Escola Dominical, conversa com estudantes após discursar em um devocional no campus da BYU, no dia 5 de dezembro de 2020. Crédito Gabriel Mayberry. Crédito: Gabriel Mayberry

Contudo, quando começou a estudar a nível universitário, ele decidiu que algo precisava mudar. Por fim, ele aprendeu como aprender de forma mais eficaz. “Aprender a ter disciplina e realmente dedicar o tempo necessário para o aprendizado tem sido uma das maiores bênçãos em minha vida”, disse o presidente Ashton.

A educação lhe permitiu ser autossuficiente, o que, por sua vez, abriu mais oportunidades para servir. Ela também o ajudou a ser um líder melhor, tanto dentro como fora da Igreja. “É difícil ser um bom líder se você não entende os problemas e não consegue pensar criticamente”, disse ele.

A educação o ajudou a ser um marido melhor para sua esposa, a irmã Melinda Ashton, e um pai melhor para seus sete filhos — seis meninos e uma menina.

Ela também o ajudou a entender melhor quem Deus é e como estudar Sua palavra. “Creio que Deus tem uma mente ativa, e a educação me ensinou a pensar criticamente e a receber mais revelação”, disse ele.

Talvez, como a experiência de aprender uma segunda língua, a coisa mais essencial que a educação lhe ensinou foi a importância de incluir o Senhor no processo de aprendizagem, quer estejamos aprendendo mandarim ou compreendendo as escrituras.

Irmã Melinda Earl Ashton e irmão Brian K. Ashton.
Irmã Melinda Earl Ashton e irmão Brian K. Ashton. Crédito: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

O presidente Ashton disse que reconhece que sua jornada educacional é atípica para muitas pessoas no mundo. Seus pais sempre lhe disseram que ele era capaz de se sair melhor, e ele estava cercado de exemplos, incluindo sua esposa, que frequentou a faculdade de Medicina, e sua sogra, que é doutora em Química.

Muitos estudantes da Pathway nunca tiveram alguém que lhes dissesse que eles poderiam ser bem-sucedidos em seus estudos. “Uma doutrina falsa lhes foi ensinada, a qual diz que eles não podem aprender, e isso não é verdade”, disse o presidente Ashton. 

Uma das coisas que tentamos ensinar a todos os estudantes é que eles são filhos de Deus e têm o potencial de se tornar como Ele. “Se eles acreditarem nisso e depois tiverem disciplina, poderão se sair tão bem quanto qualquer outra pessoa.”

As pessoas que trabalham com a BYU-Pathway veem isso acontecer o tempo todo, no mundo inteiro, disse o presidente Ashton. “Meus pais realmente exemplificaram o que estamos tentando ensinar aos estudantes aqui.” 

Em 2018, quando o presidente Ashton estava trabalhando como vice-presidente de operações de campo da BYU-Pathway, ele conversou com o Church News sobre algumas das bênçãos que estava vendo através do processo da instituição de combinar a educação secular com a espiritual. 

“O testemunho dos estudantes tem se tornado mais forte, eles podem confiar no Senhor e estão aprendendo pelo estudo e pela fé”, disse ele. “Eles também obtêm confiança, e muitos deles continuam a buscar um nível mais alto de instrução, que acaba levando a um emprego melhor.”

“Vejo estudantes crescendo espiritualmente, aumentando sua confiança, aprendendo habilidades de liderança, ganhando mais dinheiro e trilhando o caminho da graduação. Vejo que eles estão se tornando líderes no lar, na Igreja e na comunidade.”

Sua visão e perspectiva dessas bênçãos apenas aumentaram quando ele assumiu seu novo papel como presidente.

Recentemente, o presidente Ashton recebeu notícias de uma estudante internacional da BYU-Pathway, a qual foi chamada para servir como presidente da Sociedade de Socorro. Vivendo em um país onde muitos eletrodomésticos que economizam tempo não são acessíveis, ela se sentiu sobrecarregada ao considerar como iria equilibrar o cuidado de sua família, seus estudos e um chamado da Igreja que requer dedicação.

Entretanto, uma de suas aulas da PathwayConnect incluiu uma seção sobre gerenciamento de tempo. Com essas habilidades, ela conseguiu ensinar seus filhos, passar tempo com seu marido, cumprir seu chamado e estudar. “Ela disse que, na verdade, sentiu que tinha mais tempo do que antes”, disse o presidente Ashton, “e que isso havia facilitado muito sua vida.”

Élder Patrick Kearon e presidente Brian K. Ashton discutem como nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo durante um devocional da BYU-Pathway Worldwide na terça-feira, dia 9 de novembro.
Élder Patrick Kearon e presidente Brian K. Ashton discutem como nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo durante um devocional da BYU-Pathway Worldwide na terça-feira, dia 9 de novembro. Crédito: BYU–Pathway Worldwide

Por meio da ajuda e influência do Espírito Santo, “todos temos a oportunidade de aprendermos, de nos tornarmos melhores discípulos, de nos tornarmos mais como nosso Pai Celestial e de nos tornarmos líderes discípulos”, disse.

O presidente Ashton comentou que se sente humilde e grato ao considerar o comprometimento e a dedicação dos funcionários, voluntários e missionários de serviço que mantêm o programa em funcionamento no mundo todo.

A BYU-Pathway Worldwide é realmente uma colaboração incrível, explicou. Eles não contam apenas com a BYU-Idaho e a Ensign College, que fornecem o currículo para os certificados e diplomas, mas a Pathway também faz parcerias com os Seminários e Institutos, com o Departamento de Bem-Estar e Autossuficiência e o Departamento Missionário.

“Eles fazem tudo o que podem para ajudar os estudantes a serem bem-sucedidos”, disse o presidente Ashton. O Senhor está derramando Seu Espírito sobre Seu povo e, por meio da bênção da educação, transformando-os em líderes melhores como parte de Sua obra.

“Trabalhar com os estudantes é energizante. É muito parecido com o tempo em que servi como presidente de missão e trabalhei com os missionários. O Espírito está presente, e podemos ver que o Senhor os está ajudando. Fazer parte disso é uma verdadeira bênção”, disse o presidente Ashton.

Os administradores da Pathway veem voluntários e missionários estenderem seu tempo de serviço repetidamente. “Estar aqui é simplesmente uma experiência alegre”, disse ele. “Isso não significa que seja fácil. Mas é uma alegria.”