Como élder e irmã Uchtdorf participaram da visitação pública do Templo de Frankfurt 32 anos atrás

Friedrichsdorf, Alemanha — em um dia no final do verão alemão de 1987, o élder Russell M. Nelson, o élder Neal A. Maxwell e o élder Joseph B. Wirthlin disseram ao presidente do comitê do Templo de Frankfurt Alemanha que eles queriam caminhar por alguns minutos antes da dedicação do templo.

O presidente do comitê, um ex-presidente de estaca de 46 anos e piloto chefe da Lufthansa chamado Dieter Uchtdorf, rapidamente chamou o filho de 17 anos.

“Eu pensei: ‘Que oportunidade maravilhosa para Guido estar com três apóstolos’”, ele lembrou esta semana. “Foi um momento maravilhoso.”

O élder Dieter F. Uchtdorf fala com jornalistas fora do Templo de Frankfurt em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019.
O élder Dieter F. Uchtdorf fala com jornalistas fora do Templo de Frankfurt em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019. Credit: Flavio de Feo, Intellectual Reserve, Inc.

A fotografia daquela caminhada agora é um tesouro da família Uchtdorf. Eles planejam tirar outra foto como essa neste fim de semana durante a visitação pública do recém-reformado Templo de Frankfurt. “Quero caminhar com meu filho e a família dele na mesma rua”, disse o élder Uchtdorf.

Essa caminhada e a nova fotografia que eles tirarão simbolizará a participação completa e gratificante da família Uchtdorf na história da Igreja na Alemanha durante os 32 anos desde que eles começaram a receber profetas, videntes e reveladores em uma cidade que foi muito relutante em autorizar a construção de um templo no início. Muita coisa mudou em três décadas. Por um lado, o próprio élder Uchtdorf é o apóstolo que caminha pelas ruas da cidade nesta visitação pública, e ele recebeu a designação de rededicar o templo em 20 de outubro. Enquanto isso, líderes e moradores de Friedrichsdorf — o município onde o templo está localizado — dizem que amam o templo assim como o falecido presidente Gordon B. Hinckley havia prometido a eles que amariam.

Em todos os lugares pelos quais a família Uchtdorf passou esta semana, eles acabaram descobrindo que participaram de tudo relacionado ao templo desde a época em que o élder Uchtdorf passou dois anos liderando o comitê do templo.

Quando era um menino de 11 anos de idade, Dieter Uchtdorf fugiu da Europa Oriental comunista com sua mãe. Eles eram refugiados. Alguns anos depois, ele considerou ir embora da Alemanha Ocidental.

“Quando eu era adolescente, acho que fomos às docas todas as semanas para nos despedir das pessoas que imigraram para os Estados Unidos”, disse ele.

As partidas fizeram com que restassem poucos membros da Igreja aqui.

A irmã Harriet Uchtdorf se encontra com missionárias no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019.
A irmã Harriet Uchtdorf se encontra com missionárias no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019. Credit: Flavio de Feo, Intellectual Reserve, Inc.

“Quando minha família se juntou à Igreja, nossa ala estava cheia de membros”, lembrou a esposa do élder Uchtdorf, a irmã Harriet Uchtdorf. “Mas as pessoas não paravam de ir embora.”

O conselho veio de Theodore M. Burton, que presidiu a missão na Alemanha Ocidental e as missões europeias e mais tarde serviu como autoridade geral da Igreja.

“Ele deixou claro que deveríamos ficar em casa e edificar o reino aqui”, disse o élder Uchtdorf. “Para mim era normal, partir para os Estados Unidos. Ele disse: ‘Fique. Fique aqui!’ Foi na época em que ainda não tínhamos um templo. Ele disse: ‘Fique, e o templo virá’.”

E os templos vieram — em 1955 na Suíça; em 1985 em Freiberg, Alemanha Oriental, e em 1987 em Frankfurt, Alemanha Oriental.

O presidente Burton ordenou o jovem Dieter a élder antes de ele entrar na força aérea e escreveu-lhe uma carta de incentivo pessoal.

“Theodore M. Burton é para mim, e para muitos outros, responsável por estarmos aqui e pelo templo estar aqui”, disse o élder Uchtdorf.

Outra participação completa foi concluída recentemente quando o neto do presidente Burton, James Burton, disse ao élder Uchtdorf que a família tinha um exemplar da primeira edição do Livro de Mórmon e disse que a família queria doá-lo para Frankfurt. Na terça-feira, o élder Uchtdorf mostrou esse Livro de Mórmon e três dos primeiros exemplares do livro em alemão para Wolfgang Thielman, jornalista do Die Zeit, um jornal alemão semanal nacional com uma circulação impressa de mais de 500.000 exemplares. Isso aconteceu depois que o élder Uchtdorf andou pelo templo recém-reformado com Thielman.

O élder Dieter F. Uchtdorf, à esquerda, mostra a Wolfgang Thielman — jornalista do Die Zeit, um importante jornal alemão — a estátua Christus no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt, em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019.
O élder Dieter F. Uchtdorf, à esquerda, mostra a Wolfgang Thielman — jornalista do Die Zeit, um importante jornal alemão — a estátua Christus no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt, em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019. Credit: Flavio de Feo, Intellectual Reserve, Inc.

James Burton estará na rededicação do templo no mês que vem. O élder Uchtdorf pediu-lhe que falasse brevemente.

Theilman finalmente entrevistou o élder Uchtdorf, outra coisa que também aconteceu em 1987. Naquela época, durante a primeira visitação pública, uma rede nacional de televisão alemã pediu ao muito ocupado presidente do comitê do templo que concedesse uma entrevista ao vivo. Foi uma época caótica e tensa, com preocupações reais sobre a imagem pública da Igreja em Friedrichsdorf e na Alemanha. Os membros da Igreja oraram e jejuaram por ele, embora ele não soubesse.

“Eu estava sentada na frente da minha televisão orando o tempo todo”, disse a irmã Uchtdorf. “Sabíamos que alguns jornalistas poderiam tentar atacá-lo ou envergonhá-lo.”

A entrevista foi programada para durar dois minutos, porque o repórter esperava que um vídeo de um acidente chegasse à estação. Mas não chegou. A entrevista se estendeu e durou quase nove minutos. No vídeo, o élder Uchtdorf era jovem, elegante e seguro. Foi um momento marcante para a Igreja, e que foi muito importante para os membros e os missionários.

Em 1984, Dieter Uchtdorf era um homem ocupado. Ele tinha responsabilidades significativas com a Lufthansa e o sindicato dessa empresa, depois ele se tornou piloto chefe. Em seguida, o élder Wirthlin o entrevistou enquanto procurava um possível novo presidente de estaca. O élder Uchtdorf disse que achava que estava “totalmente fora de cogitação” porque tinha muito a fazer.

Ainda assim, o élder Wirthlin o chamou para servir como presidente de estaca. Um ano depois, o presidente da Área, élder Carlos E. Asay, pediu-lhe que assumisse mais uma responsabilidade e presidisse o comitê do templo para a visitação pública e a dedicação.

“Eu não sabia em que estava me metendo”, ele relatou. “Assim que entrei no comitê, percebi quanto trabalho tinha que ser feito. Felizmente, meu horário de trabalho era flexível, o que ajudou bastante.”

“Eu sabia quando alguém ligava da Lufthansa e quando alguém ligava da Igreja”, disse a irmã Uchtdorf.

Dieter F. Uchtdorf, que servia como presidente do comitê do Templo de Frankfurt, e seu filho, Guido, com o élder Joseph B. Wirthlin, o élder Neal A. Maxwell e o élder Russell M. Nelson, durante a visitação pública do Templo de Frankfurt Alemanha em 1987.
Dieter F. Uchtdorf, que servia como presidente do comitê do Templo de Frankfurt, e seu filho, Guido, com o élder Joseph B. Wirthlin, o élder Neal A. Maxwell e o élder Russell M. Nelson, durante a visitação pública do Templo de Frankfurt Alemanha em 1987. Credit: Cortesia de Dieter F. Uchtdorf

Várias vezes, eles correram para completar as tarefas para o que se tornou uma enorme visitação pública que atraiu 70.000 pessoas. As filas davam volta no quarteirão. O casal Uchtdorf equilibrou a vida familiar, o trabalho, as responsabilidades de presidência da estaca, da visitação pública e da dedicação em um mês que parecia que não acabaria nunca.

“Em retrospectiva, Harriet e eu nos perguntamos: ‘Será que este mês teve só 30 dias?’ Pareceu que teve uns 45 dias.”

Ele incluiu momentos especiais, como a caminhada com seu filho e três apóstolos. Uma visitação pública bem-sucedida. Uma oração dedicatória do templo proferida pelo presidente da Igreja, Ezra Taft Benson.

“Eu estava extremamente animado”, disse o élder Uchtdorf. “Nossa! Temos um templo aqui em Frankfurt.”

“Todas as noites da visitação pública, fizemos uma reunião no final do dia com a equipe”, acrescentou. “Havia uma emoção maravilhosa. Agora, algumas dessas pessoas estão em cadeiras de rodas. Elas ainda se lembram daqueles dias.”

Ele mal sabia que levaria um grande choque do novo prefeito de Friedrichsdorf um ano depois.

O antigo prefeito perdeu o cargo depois que ele e a câmara municipal aprovaram o templo. A batalha para obter a licença tinha sido intensa. Karl Günther Petry, 80, estava no conselho da cidade de Friedrichsdorf naquela época. Ele ainda está lá, desde 1968. Na semana passada, o advogado local foi homenageado por seus 51 anos de serviço como vereador.

Karl Günther Petry, que serviu na Câmara Municipal de Friedrichsdorf por 51 anos, fala a respeito da batalha pela permissão para que o Templo de Frankfurt fosse construído lá e sobre o lugar do templo na comunidade, durante uma conversa no Centro de Visitantes do templo em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019.
Karl Günther Petry, que serviu na Câmara Municipal de Friedrichsdorf por 51 anos, fala a respeito da batalha pela permissão para que o Templo de Frankfurt fosse construído lá e sobre o lugar do templo na comunidade, durante uma conversa no Centro de Visitantes do templo em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019. Credit: Flavio de Feo, Intellectual Reserve, Inc.

Ele disse que um partido político queria construir casas no local do templo, onde antigamente ficava uma velha fábrica de macarrão. Petry pensou que isso resultaria em um tráfego muito mais congestionado no centro desta cidade que fica a quase 20 km ao norte de Frankfurt.

“Foi uma decisão difícil”, Petry disse. “Os protestantes começaram uma guerra contra o templo.”

A Igreja Luterana enviou para Friedrichsdorf um sacerdote que era perito em seitas religiosas a fim de falar mal do templo, disse Petry. O sacerdote falou em reuniões públicas do conselho da cidade. A disputa aumentou.

“Aquele sacerdote nos disse que os mórmons eram o diabo”, disse Petry.

Ele e seus aliados políticos decidiram descobrir por si mesmos. Eles viajaram para Berna, Suíça, para ver o templo lá. Eles visitaram o sacerdote protestante e o sacerdote católico locais e frequentaram uma ala da Igreja.

“Nós perguntamos”: ‘Vocês têm algum problema com os mórmons na cidade?’ Eles disseram: ‘Não, não temos problema algum’. Depois fomos para a ala. Fomos bem recebidos.

“Voltamos com a convicção de que faríamos bem em permitir que os mórmons construíssem seu templo aqui.”

O élder Dieter F. Uchtdorf, à esquerda, mostra a Wolfgang Thielman — jornalista do Die Zeit, um importante jornal alemão – um estojo exibindo quatro exemplares antigos do Livro de Mórmon em alemão e em inglês, no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt, em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019.
O élder Dieter F. Uchtdorf, à esquerda, mostra a Wolfgang Thielman — jornalista do Die Zeit, um importante jornal alemão – um estojo exibindo quatro exemplares antigos do Livro de Mórmon em alemão e em inglês, no Centro de Visitantes do Templo de Frankfurt, em Friedrichsdorf, Alemanha, na terça-feira, 10 de setembro de 2019. Credit: Flavio de Feo, Intellectual Reserve, Inc.

Petry e outros que tomaram essa decisão ainda participam de uma comemoração anual de Natal na vila de 1890 que a Igreja concordou em manter na propriedade.

“Eu gosto mais dessa do que de qualquer outra comemoração de Natal na Alemanha”, disse Petry. “Eu não tenho absolutamente nenhum arrependimento com relação ao templo. Na verdade, o novo alojamento do templo que foi construído na estrada Taunusstrasse é maravilhoso. O templo é bem recebido aqui há três décadas. Agora não há mais críticos. Esperava que tudo corresse bem assim que o templo fosse construído, e foi o que aconteceu. Nós não temos nenhum problema com os Mórmons, e na verdade, os muitos visitantes que vêm aqui visitar nossos negócios, fazem refeições em nossos restaurantes.

“Para a cidade de Friedrichsdorf, é uma vitória. E somos mundialmente famosos, mesmo na América. Os Mórmons em toda parte já ouviram falar da nossa cidade.”

Petry conheceu o interior do templo na quarta-feira.

“Acho que ficou mais bonito do que era antes”, comentou ele sobre a reforma. “O batistério está bem diferente. Acho que ficou muito mais bonito. O jardim é maravilhoso. É um ponto central bem-sucedido de Friedrichsdorf.”

Batistério do Templo de Frankfurt Alemanha.
Batistério do Templo de Frankfurt Alemanha. Credit: Intellectual Reserve, Inc.

Um ano depois que o templo foi dedicado, o novo prefeito abordou o élder Uchtdorf, fazendo-o uma oferta surpreendente e que não havia sido solicitada. O templo já era um sucesso tão grande, disse o prefeito, que a cidade queria que a Igreja comprasse outro terreno e construísse um Centro de Treinamento Missionário.

“As pessoas passaram de críticas a acolhedoras”, disse o élder Uchtdorf. Com uma risada, ele acrescentou: “eles esperavam diabinhos, mas vieram anjinhos. Às vezes as pessoas têm a impressão de que somos distantes. Aqui, agora somos vistos como abertos e acolhedores”.

O élder Uchtdorf talvez seja a única pessoa que serviu como presidente do comitê do templo que depois voltou para rededicar o mesmo templo após uma reforma. O presidente Thomas S. Monson envolveu-o profundamente na reforma, mas quando ele morreu, as designações mudaram.

Então, durante uma reunião semanal da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze Apóstolos no Templo de Salt Lake, o presidente Nelson leu a lista de designações para as dedicações de templo.

“Quando ouvi meu nome e Frankfurt, não gritei nem pulei”, disse o élder Uchtdorf. “Fiquei quieto e senti-me grato. Senti uma profunda gratidão.

O Templo de Frankfurt Alemanha fotografado antes do início da visitação pública que acontece entre 13-28 de setembro de 2019.
O Templo de Frankfurt Alemanha fotografado antes do início da visitação pública que acontece entre 13-28 de setembro de 2019. Credit: Tad Walch, Deseret News

“Claro que isso é extremamente emocionante. Nunca imaginei que isso fosse acontecer, de verdade. Nós apenas fazemos o que é pedido que façamos. É verdade, não escolhemos designações, fazemos o que nos é designado a fazer. É um sentimento profundo de alegre gratidão.

A cidade de Friedrichsdorf não tinha ala nem ramo quando o templo foi construído. O templo tornou-se um ímã. Agora há uma sede de estaca no terreno do templo, onde funciona a ala e a Estaca Friedrichsdorf, bem como outra ala.

“Lembro-me de 32 anos atrás, os jovens alinhados em um túnel calçando pantufas em 70.000 pessoas que vieram para a visitação pública”, disse o élder Uchtdorf. “Hoje, eles são bispos, presidentes de estaca e presidentes da Sociedade de Socorro. Isto me dá muita esperança para o futuro da Igreja na Alemanha. Agora os filhos deles estão calçando as pantufas nos visitantes nesta visitação pública. Essas famílias com várias gerações na Igreja são uma força muito grande. Precisamos de mais. Os filhos dos novos conversos da Igreja terão a mesma experiência nesta visitação pública e levantarão famílias que terão experiências semelhantes no futuro.”

Quando o élder e a irmã Uchtdorf e sua filha, Antje, caminharam pelo terreno do templo no início desta semana, guiando visitas para os jornalistas e líderes governamentais e religiosos, o rosto deles se iluminaram cada vez mais ao ver, cumprimentar e abraçar velhos amigos.

“Temos uma joia aqui”, disse o élder Uchtdorf. “Uma joia espiritual.”

Templo de Frankfurt Alemanha.
Templo de Frankfurt Alemanha. Credit: Intellectual Reserve, Inc.