Sarah Jane Weaver: O que a construção de templos em 2020 nos ensina sobre a esperança

Em maio de 2000, rebeldes armados fizeram um grupo de líderes governamentais reféns nas ilhas Fiji.

Nos dias que e seguiram, estabelecimentos comerciais na nação das ilhas do Pacífico foram saqueados e muitas partes do centro de Suva foram queimadas. A junta militar declarou a lei marcial. Os rebeldes mantiveram o primeiro-ministro deposto e outros membros do parlamento como reféns.

Mesmo assim, no dia 18 de junho de 2000, poucos dias antes de seu nonagésimo aniversário, Presidente Gordon B. Hinckley voou até Fiji para uma visita de três horas e meia. Ele chegou até o templo, com o que outros em seu grupo de viagem mais tarde descreveriam como uma “disposição corajosa”.

Élder Quentin L. Cook, então presidente da Área das Ilhas do Pacífico que acompanhou Presidente Hinckley, chamou a dedicação — a única desde a dedicação original do Templo de Nauvoo em circunstâncias tão particulares e difíceis — de “simples e espiritual.”

Élder Taniela B. Wakolo, Setenta Autoridade Geral, diria mais tarde que os santos dos últimos dias sentiram imediatamente a influência do templo. “Começamos a ver as bênçãos sobre a área” imediatamente após a dedicação, disse ele. Foi um “sinal significativo de que Deus ama Fiji e todos os seus habitantes.”

Assim como os membros em Fiji fizeram em 2000, santos dos últimos dias hoje — em uma outra época com dificuldades — podem encontrar grande esperança em nossos templos.

Em meio a esta época desafiadora, quando a pandemia de COVID-19 tem restringido a adoração no templo, a Igreja realizou a abertura de terra de 21 novos templos. Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse em uma recente entrevista para o Church News, que mesmo com a reabertura gradual dos templos pela Igreja, “a construção de templos não parou. (…)

“Obviamente, houve algumas interrupções nas construções por causa da pandemia, mas relativamente, poucos dos templos estão atrasados. Acho isso milagroso. Em todo o mundo, a construção dos templos avançou de maneira notável.

“Então, sim, tem havido alguns desafios bem reais”, concluiu Élder Bednar, “mas ‘nenhuma mão iníqua pode deter o progresso da obra.’”

Bispo Presidente Gérald Caussé compartilhou recentemente um sentimento semelhante com o Church News.

“Apesar das portas da maioria de nossos templos estarem fechadas por quase um ano, a Igreja está construindo mais novos templos do que nunca”, escreveu ele. “Este paradoxo me enche de grande esperança e alegria!

“Como Bispado Presidente, estamos atualmente liderando 63 projetos de construção de templos e oito projetos de renovação pelo mundo. Às vezes, isto faz com que nos sintamos sobrecarregados. Nossos times precisam encontrar locais adequados, desenhar planos arquitetônicos, construir templos, e então mantê-los em boas condições — e isto pode ser feito em qualquer lugar do mundo, mesmo nos lugares mais remotos ou sensíveis.

“Felizmente, nos últimos anos, a qualidade e o ritmo das construções têm melhorado bastante, graças aos times experientes e altamente consagrados (eles são meus verdadeiros heróis!), ao uso de planos-padrão, e ao melhoramento das técnicas de compra e construção.

“Presto testemunho de que a mão do Senhor está guiando cada um desses projetos. Sejam grandes ou pequenos, simples ou detalhados, cada um desses edifícios sagrados é ‘a Casa do Senhor’ — um lugar de paz e revelação onde podemos nos achegar a Deus e sentir Sua presença.”

O Templo de Suva Fiji, visto durante a chegada do ciclone tropical Winston às ilhas Fiji no sábado, dia 20 de fevereiro de 2016.
O Templo de Suva Fiji, visto durante a chegada do ciclone tropical Winston às ilhas Fiji no sábado, dia 20 de fevereiro de 2016. Credit: Sarah Jane Weaver

No dia 16 de fevereiro, apenas um dia antes da rededicação do Templo de Suva Fiji, o ciclone Winston atingiu as ilhas Fiji no Pacífico.

A poderosa tempestade categoria 5 cortou o fornecimento de energia elétrica e destruiu vilarejos inteiros ao atingir o norte da costa da maior e mais populosa ilha em Fiji, Vitu Levu.

Toques de recolher do governo, falta de energia elétrica e árvores derrubadas impediram que muitos membros fijianos da Igreja — que não puderam participar da primeira dedicação por conta da agitação política — participassem da rededicação agendada.

Contudo, assim como Presidente Hinckley havia feito anos antes, Presidente Henry B. Eyring, então primeiro conselheiro na Primeira Presidência, enfrentou a tempestade com os santos dos últimos dias fijianos com corajosa disposição e ofereceu a oração dedicatória sobre o templo e as pessoas em Fiji.

Da mesma forma, grandes números de membros ao redor do mundo não puderam participar das 21 aberturas de terra realizadas durante a pandemia de COVID-19. Porém, com esses eventos e a promessa de um templo, a esperança se espalhou.

Élder Adolf J. Johansson, setenta de área em Fiji, disse que quando o ciclone Winston se aproximou de Fiji em 2016, ele teve um sentimento de “paz e calma espiritual de que tudo iria ficar bem e que o sol brilharia” sobre Fiji. Enquanto os fortes ventos corriam pela nação, “podíamos sentir a tensão no ar”, disse ele. Mas os membros não temeram. “A paz definiu toda esta experiência.”

Ele ainda acrescentou que era importante para os santos dos últimos dias no distrito do templo que a rededicação fosse realizada, mesmo com a tempestade — assim como a construção de templos continua mundialmente agora, mesmo com a pandemia de COVID-19. “Não podemos parar o trabalho do Senhor”, disse Élder Johansson. “Não podemos.”